Mostrar mensagens com a etiqueta [Psicologia e Política]. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta [Psicologia e Política]. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

[Psicologia e Política]: Moldar a Sociedade, de 1910 para 2000


Dando continuidade ao tema do “Moldar a Sociedade”, trago-vos um site curioso.
Em 1910, o pintor francês Villemard criou vários retractos que reflectem a ideia do autor e da sociedade da época sobre como seria o mundo no ano de 2000. Estão presentes na Biblioteca Nacional da França.

Aqui fica o site.

Olhando a estes retractos, temos mais um (vários) exemplo de como a sociedade evolui no sentido de confirmar o que necessita, o que lhe é coerente, o que tende a achar que precisa, no seu imaginar de dificuldades que tendem a ser solucionadas de forma mais pomposa possível, de modo a obter o que lhes parece ser a ideia de uma convivência em comunidade sem atritos ou barreiras. No entanto, podemos confirmar que vários destes retractos assentam na imaginação, não tendo sido confirmados, pelo menos, daquela forma, enquanto outros foram mais do que confirmados, tendo o ser humano conseguido alcançar o objectivo.
A retirar daqui o facto da perspectiva de evolução da sociedade ser uma constante. Nunca uma comunidade está contente com o que tem. Não sei até que ponto seria bom não imaginar mais além do que se tem, querer mais e ambicionar mais. Mas claramente não é bom quando as consequências dessa evolução tornam a sociedade tão diferente face à sua base de começo, tirando significado às alterações alcançadas.
A evolução deve sempre representar a sociedade, e não um grupo de pessoas que querem levar a evolução para determinado ramo. Nenhuma das questões retratadas mostra alterações do fundo de pensamento da sociedade, mas alteram a sua forma de funcionar com o mundo. É necessário pensar-se na evolução, antes de tender a caminhar, sem se saber se se está a avançar.

Tiago A. G. Fonseca

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

[Psicologia e Política]: Moldar a Sociedade


            Vivemos numa sociedade pouco ligada à política. Não quero aqui desdenhar se a galinha nasceu primeiro, ou se foi o ovo, se as pessoas se desligaram da política ou se os políticos se desligaram das suas pessoas – no entanto, esta última parece-me claramente a mais correcta. O que é certo é que todos os dias, os actos políticos moldam a forma como a sociedade se constrói, evolui, e sobretudo, se vê enquanto sociedade e comunidade.
            Tentarei, numa introspecção teórica sobre a nossa – a do Homem - evolução enquanto sociedade, colocar questões sobre a direcção dessa mesma evolução.
            As decisões que são tomadas, não só a nível concelhio, nacional, europeu e mundial, têm um impacto directo na vida de cada ser humano. Cada limitação da existência humana, ou falta dela, trará, quando a longo prazo, consequências no pensamento e consequente modo de agir das pessoas que deste espaço partilham.
            Uma sociedade adquire a cultura que escolhe, de forma mais ou menos directa, para evoluir. É por isso que os chamados direitos fundamentais são diferentes em cada país, e no geral, cada país vive décadas de paz com eles. No entanto, é de salientar as alterações que vão existindo. Estas, podemos atribuí-las a um sentido de evolução, seja em que direcção for, permitindo a que determinadas sociedades possam acompanhar a cultura de outra.
Em Portugal, recentemente, uma mais do que outra, existiram duas alterações a esses ditos direitos fundamentais do ser humano, que toldam a visão da vida e da existência na sociedade, que altera definições e molda a evolução. Mas destas duas questões em particular, falaremos em próximas publicações sobre este tema.
            Quero concluir chamando a atenção que, em termos psicológicos, o impacto da existência de regras ou ausência delas, são na mesma limitações ao pensamento e à acção, ou sejam, são linhas directrizes do que podemos, devemos e saberemos realizar.

            Tiago A. G. Fonseca

segunda-feira, 8 de julho de 2013

[Psicologia e Política]: Lei da Co-adopção


Deixo-vos hoje, nesta rubrica, o tema mais recente que engloba estas duas vertentes: a Política, na vertente do que a sociedade pensa e age como lei de funcionamento pessoal e interpessoal, e a Psicologia, a relevância da aplicação politica para o próprio nas suas relações pessoais e com os outros.
            A nova lei da co-adopção por casais homossexuais foi bastante badalada. E como poderia não ser? Não se trata - apenas - de bom senso ou ideal. Trata-se da alteração psicológica de uma cultura, numa evolução em determinado sentido, que impele a mudança de percepção para este tema.
            Numa próxima publicação, irei descrever algumas das questões às quais o nosso Exmo. Bastonário da Ordem dos Psicólogos, Prof. Doutor Telmo Baptista, respondeu na sua audição na Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias. Esta audição visava reflectir, com base nas questões colocadas pelos deputados da Assembleia da República, os factores subjacentes à errada em vigor desta lei, à luz da Psicologia. Segue o vídeo da audição.

           
Saliento a relevância dada, quase na totalidade, à criança, sendo ela o centro das questões, ao contrário do que vimos acontecer nos meios de comunicação.

            Tiago A. G. Fonseca

terça-feira, 14 de maio de 2013

[Psicologia e Política]: Solidariedade na Comunidade


Ontem à noite o Professor Marcelo Rebelo de Sousa falou de algo que achei curioso. Referiu-se aos gestos simbólicos de homenagem aos outros, como quando as suas aulas eram interrompidas para reunião de cientifico quando era jubilado algum docente, ou como referiu no tema central desse comentário, o facto de a Queima das Fitas do Porto não ter sido interrompida com a morte do estudante.
Tirou, o Professor, como conclusão, que os pequenos gestos como estes se estavam a perder, dizendo que a solidariedade entre as pessoas está a diminuir.
O que leva a esta quebra? Será o desvalorizar do ser humano? A azáfama da sociedade que não permite quebras temporais? Ou a falta de pensamento de que alguém poderia achar qualquer um destes actos importante? Penso que será um pouco de todas, com especial incidência na última, o que me parece mais preocupante.

Mas nem tudo é assim. Assistimos nos dias de hoje a um crescente de ajuda entre as pessoas, de actos de solidariedade que ajudam várias famílias e à vontade de uma sociedade em desenvolver os esforços necessários para nunca abandonar os seus. Isto é, a solidariedade pelo ser humano, pela esperança do novo dia, e pelo poio ao outro, que presta a cada um a sua própria esperança de um mundo melhor.

Encontramos assim dois tipos de solidariedade. Um a decrescer, como são os gestos simbólicos de homenagem, apoio, auxilio a alguém, de forma indirecta; e outro a crescer, como são os gestos de contributo e ajuda, de forma directa a alguém. O primeiro ligado a uma base psicológica de importância, papel e estatuto social, e o segundo ligado ao que é a manutenção física e psicológica de alguém, no sentido da sua sustentação “sobrevivencial”.
Este segundo tipo, onde a comunidade actua na própria comunidade, representa um equilíbrio entre a generosidade da esperança e o egocentrismo do desespero, onde não faz sentido, a quem ajuda, a falta de esperança, mas que se guia, sempre de forma não consciente, por uma motivação proveniente do que é o sentimento de desespero que o impele a agir.

De qualquer forma, e concluindo, o segundo tipo de solidariedade é o que nos faz pessoas. É o que nos torna dignos de sermos comunidade e é algo que nunca deve ser perdido, pois quando a tendência motivacional a ajudar o próximo deixar de existir, aquilo que nos faz ser pessoa também desaparece.
Contudo, e indo ao encontro do que disse o Professor, o primeiro tipo é o que possibilita a identificação social, criando pequenos costumes e hábitos que criam laços entre as diferentes comunidades, nos seus costumes e formas de homenagear as suas pessoas.

Tiago A. G. Fonseca

segunda-feira, 29 de abril de 2013

[Psicologia e Política]: Percepção do 25 de Abril de 1974

            Não sou da geração que viveu este dia, mas sou da geração que se preocupa com ele. Porquê? Porque existiu um conjunto de valores que foram sendo passados de geração em geração, de pessoa para pessoa, até me chegar a mim e que, depois, fizeram sentido e foram integrados como informação válida a ser utilizada.
Mas a questão que fica é: Como é que pessoas que não viveram o acontecimento, podem ser tão entusiastas da mesma? Isto é, como é que a nossa base psicológica nos permite acreditar em algo não experienciado por nós?

A isto chamamos de Cultura.
Outras teorias, como a de Jung, chamariam, à causa deste acontecimento, uma acção do Inconsciente Colectivo. Isto é, um conjunto de práticas, de saberes, de tradições e costumes, que são passados entre pessoas. Estas informações, a fazerem sentido e sendo úteis, para a acção ou compreensão da realidade, transformam-se em verdades universais de determinada população. Assim justificamos o significado dos feriados e seus motivos, ou as consequências positivas e negativas de determinados acontecimentos.

Tiago A. G. Fonseca

segunda-feira, 1 de abril de 2013

[Psicologia e Política]: Tradições

Quero trazer-vos hoje um tema sempre actual. Tradições Culturais.

            Todas as culturas as têm, mais ou menos carregadas, com mais ou menos impacto social, com mais ou menos identificação cultural, mas é certo que elas são parte integrante de cada pessoa, integrada na cultura a que pertence, definindo-a e distinguindo-a entre sociedades.
            A imagem seguinte mostra uma tradição de grande história em Portugal, comparando a sua imagem de marca “tradição” com outras presentes num passado.

 


            Antes de mais quero esclarecer que não importa aqui a minha posição face às tradições mencionadas. Importa levantar algumas questões psicológicas que interferem na nossa posição face a essas tradições.

            Sabe-se que desde sempre existiu necessidade de passar às gerações seguintes o conhecimento das gerações anteriores. Isto acontece devido à noção da mortalidade do Homem, e faz-se através da realização de actividades que promovam a identificação dos povos. Com estas práticas, os conhecimentos e costumes de uma sociedade são transmitidos, e é assegurada a continuidade de uma tradição, de uma cultura, de uma sociedade. Podemos dizer que será tão mais duradoura uma população, quanto mais tempo souber preservar as suas tradições, os seus costumes e a sua cultura.

            Com o avançar do tempo surgiu uma questão moral associada às tradições: algumas delas têm impacto directo nas diferentes opiniões da população, dentro de uma mesma cultura.
            A associação directa a este fenómeno tem a ver com o avançar dos tempos e a disponibilidade da informação a todos elementos de uma população, que cria algo impensável há muitos, muitos anos: dentro de uma mesma população, com uma mesma cultura, existem diferentes opiniões, que se reflectem em diferentes visões de uma mesma tradição.
            O que é motivo de orgulho para uns, não é para outros. O que é alvo de identificação para uns, não o é para outros.

            Mas então, o que acontece em termos psicológicos? O que leva a mudanças nas tradições? O que leva à sua manutenção?
O que deve ser ponderado é o que pesa mais na nossa opinião. O que é de mais fácil aceitação. O que nos trás mais motivos de orgulho no que somos e no que pertencemos. O que nos dá mais momentos prazerosos.
Muitas das vezes, o que pesa nestas premissas é o hábito e o medo de mudança, e não a actividade em si. Como será se for diferente?
Outra dificuldade é na visualização da possibilidade. Dá para ser diferente?

Importa agora pensar que tradições queremos – e devemos – passar Às futuras gerações. Este pensamento é demonstrado quando vemos as outras tradições apresentadas na imagem. Umas desaparecem, outras modificam-se e outras mantêm-se.

O esquema psicológico onde nos movemos diariamente é o mais fácil. Mudar custa. Sejam tradições, sejam simples comportamentos idiossincráticos, que de simples, pouco têm.
Existem vários tipos de elos que nos unem enquanto pessoas de uma mesma sociedade, enquanto pessoas de uma mesma cultura, de uma mesma população. Somos da mesma vila, da mesma cidade, do mesmo país, falamos a mesma língua, temos a mesma formação, somos do mesmo clube. As actividades tradicionais unem estes grupos e dão-lhes – mais e maior – significado.

Tiago A. G. Fonseca

terça-feira, 19 de março de 2013

[Psicologia e Política]: Instabilidade Política 2: O Outro Lado

É importante que se perceba e esclareça que política não se resume a partidos políticos.
Política é a acção em função das pessoas, normalmente, relativo à gestão e administração de grupos populacionais, como autarquias ou estados e países. Mas desengane-se quem acha que agir para e pelos outros não é sempre política. Quando participamos numa associação, num grupo desportivo, numa instituição, e agimos no sentido da promoção dos outros, criando plataformas e condições favoráveis e de melhoramento da vivência dos outros, seja com que tipo de serviços forem, estamos a fazer política.
Aqui, e dependendo – obviamente – das intenções de cada um, estaremos a promover a nossa própria auto-estima, realizando acções que promovem algo de bom nos outros. A continuação de boas práticas promove outras, motivando quem as pratica. É importante termos objectivos e conseguir alcançá-los, mas sobretudo, pensar como os podemos alcançar. E esta é claramente uma boa forma. A esperança não desaparece quando vemos que a nossa acção faz bem nos outros, e que os outros se sentem mais esperançados e motivados na sua própria acção e vivência pelo exemplo que lhes foi prestado. Esta é a cooperação da sociedade, funcionar uns para os outros. Isto é fazer política.
Todas as variáveis que foram faladas nesta e na publicação anterior – esperança, percepção de controlo e de segurança, auto-estima e motivação – dependem da nossa percepção do quanto estamos inseridos, do quanto somos ouvidos, do quanto nos parece que algo é feito por nós quando é evocado em nosso nome. Mas nem sempre esta percepção é correcta, pois as variáveis que a influenciam são muitas.
Diria que a percepção de controlo tem aqui um papel chave. Se percebermos o que podemos influenciar no meio, se percebermos o que podemos e devemos controlar do que nos rodeia, se percebermos que devemos partilhar o controlo sobre diversas actividades e situações, conseguimos estar melhor connosco próprios, em coerência, e promover em nós bem-estar psicológico, essencial para a calma necessária à percepção correcta das outras variáveis.
Nem tudo é realidade, mas tudo são percepções.

Tiago A. G. Fonseca

segunda-feira, 4 de março de 2013

[Psicologia e Política] Instabilidade Política…

… é Instabilidade Social. Instabilidade Política é Instabilidade Social.

A Instabilidade Política – Nacional e Internacional – não é coisa de políticos. A ser coisa, é coisa de todos. Esta instabilidade cria - além das óbvias - mais dificuldades do que se pensa, estendendo-se além das económicas. E as dificuldades psicológicas que lhe seguem são bem pesadas e reais. Ficam apenas alguns tópicos para reflexão.

Percepção de Controlo – Quanto mais nos parece que não controlamos o nosso meio, menos percepção de controlo iremos ter. Esta percepção estagna a motivação de criar, planear e alcançar objectivos.
Auto-estima – Sem percepcionar boas novidades em nosso redor e nas nossas pessoas, o “gostar de nós” é dificultado. Acrescem aqui as dificuldades reais existentes que relacionam a auto-estima com o tópico seguinte: Esperança.
Esperança – Este sentimento é essencial à vida. A baixa auto-estima é a chama que acende a falta de esperança: em nós próprios e no futuro num geral. Esta falta de esperança é promovida pela percepção de insucessos nos objectivos, pessoais e colectivos.

Sim, é um ciclo. Percepção de instabilidade leva à percepção de controlo diminuída que, ao atenuar a motivação para a acção eficiente, promove a baixa-auto estima. Esta leva ao sentimento de esperança reduzido, ou seja, num futuro de reduzidos objectivos.

            É importante ter noção que todos, enquanto cidadãos, somos cuidadores e responsáveis pela instabilidade política (como se de uma pessoa se tratasse), e que todos, e não só os agentes políticos, somos cuidadores e responsáveis pela instabilidade social (como se de uma pessoa se tratasse).

            Na próxima publicação da rubrica, irei escrever sobre o mesmo, mas de uma perspectiva interventiva, onde nós, cada cidadão, pode intervir nestes seus tópicos de forma a regulá-los.

            Tiago A. G. Fonseca

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

[Psicologia e Política]: Mudar Custa...


A acção política afecta tudo e todos. Quem se interessa por política e quem não se interessa por política. O que é facto é que a política funciona com as pessoas, no seio da população, implementando a mudança. A direcção dessa mudança não está aqui em causa, nem é alvo desta publicação.
Estas mudanças implicam as pessoas, o seu dia-a-dia, a sua gestão pessoal e colectiva, a sua acção e o seu pensamento. Mas mudar não é fácil. Nunca foi. E não é apenas em Política. Mudar não é fácil.

Sempre que as mudanças são aplicadas, estas são percebidas como boas ou más, e daí a sua percepção fazer variar a dificuldade da sua implementação e aceitação. Mas existe sempre dificuldade inicial. Não é para todos, pois há pessoas que se adaptam mais facilmente, outras que se adaptam com mais dificuldade. Outras, que pela sua experiência, não se querem adaptar. Outras ainda que não têm competências para isso. E ainda outras que não estão aptas a isso pelas suas condições actuais. Significa isto que nada está bem para todos ao mesmo tempo. É impossível.

O que é certo é que existem facilidades de mudança, já faladas nesta rubrica, que passam pela boa comunicação e pela facilitação da percepção das boas consequências da mudança. Mesmo assim existirão sempre pessoas que não ficarão satisfeitas com a mudança. Porquê? Porque por muito bom que seja, mudar custa.

Tiago A. G. Fonseca

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

[Psicologia e Política]: Lei da Paridade é Igualdade?


            A Lei da Paridade, Março de 2006, estabelece que as listas para a Assembleia da República, para o Parlamento Europeu e para as Autarquias Locais, têm de ser compostas de modo a assegurar a representação mínima de 33% de cada um dos sexos.
            Significa isto que em cada 3 elementos de uma lista, 1 tem de ser do sexo feminino.
            Colocando de lado a aplicação ou não da lei, será importante perceber as implicações psicológicas de tal lei.

            O que se verifica na maioria das listas apresentadas desde então, é que as mulheres aparecem nos números 3, 6, 9, 12… passando de elementos participantes e intervenientes, a elementos necessários. É impossível não sentir desmotivação ao perceber este dado. A sensação que dá é que é necessário mais esforço por parte dos elementos do sexo feminino para não estarem em lugares múltiplos de 3. Não se quer participar em algo que interpretamos como sendo “para encher” ou “porque é obrigatório”. Não se quer investir em trabalho neste formato.
            É como se fosse criado um estereótipo: Pessoas do Sexo Feminino que Participam na Política, onde as mulheres são claramente, por lei, identificadas como minoria. Como se fosse necessária uma lei para que as mulheres participassem na vida política. Por vezes, parece que nos esquecemos que grandes mulheres já fizeram – e fazem – parte da vida política em Portugal.
            O efeito obtido é o contrário. Ao invés de 2 ou 3 mulheres participantes, temos 6 onde apenas metade aparece e participa, que tiram, protegidas por lei, lugar a quem poderia efectivamente trabalhar politicamente. A percepção de que é necessária uma lei que valorize o trabalho das mulheres, é ridícula. A percepção de que alguém é bom e por isso faz falta, é correcta. A motivação para a política deve ser verdadeira, sendo que a disponibilidade para tal exercício deve ser real e não promovido por lei.

            A igualdade não pode ser alcançada por leis, mas sim por mudança de pensamentos, onde terá de existir a compreensão global, por parte da sociedade em todas as suas classes, de que homens e mulheres em política, têm necessariamente de trabalhar para um todo, isso sim, protegido por lei.
            Uma lei que visa promover a igualdade de género criando desigualdades políticas directas, é uma lei sem fundamento. É necessário actuar nas opiniões públicas e na sociedade de forma a demonstrar e a valorizar o papel que as mulheres podem ter na política e na sociedade.

Tiago A. G. Fonseca

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

[Psicologia e Política]: De Onde Vem a Corrupção?


            Será impossível, de forma universal, prever o porquê de alguns indivíduos sucumbirem à corrupção. As motivações são muitas e diversificadas, idiossincráticas e com origens diferentes. Oportunidade, necessidade, vício ou apenas porque se sente em bem-estar realizando-a. Tudo opções, e com certeza, cada um terá a sua.
            Deixo aqui, de forma geral, aquela que pode ser uma justificação para o início desse tipo de comportamento.

            O Modelo de Complementaridade Paradigmática (MCP; Vasco, 2009) prevê o atingir do bem-estar psicológico aquando da regulação da satisfação das necessidades psicológicas do indivíduo. Estas necessidades representam os instrumentos, promovidos pelo seu Self, que o orientam no sentido da realização de comportamentos de promoção do seu equilíbrio interno, satisfazendo as suas necessidades.
Importante será perceber que estes comportamentos podem ser adaptativos ou não-adaptativos para o indivíduo mas, quando foram realizados, tinham um papel adaptativo para a situação. Este carácter dos comportamentos varia com as motivações e expectativas do indivíduo, e é este que faz determinado comportamento ocorrer ou não.

Duas das catorze necessidades psicológicas postuladas pelo MCP são o Controlo e a Cooperação/Cedência (Fonseca & Vasco, 2011). A necessidade de controlo refere-se à capacidade de influenciar o meio, de forma adequada, realizando avaliações correctas sobre as situações, bem como seleccionar os comportamentos de controlo correcto a realizar, para si, para os outros e para o meio. A necessidade de cooperação/cedência refere-se à capacidade de tolerar partilhar o controlo pessoal e do meio com os outros, de forma a atingir objectivos comuns, cooperando com uma comunidade. Ambas as necessidades, como explicado anteriormente, possuem comportamentos não-adaptativos a elas associadas. Aqui, insiro a variável corrupção, admitindo que este tipo de actividade se baseia em comportamentos não-adaptativos de controlo e de cooperação/cedência.

A percepção de controlo de um indivíduo é uma ferramenta do próprio, para o seu bem-estar e real acção sobre o seu meio. Mas torna-se num instrumento perigoso quando ao mesmo são associadas variáveis motivacionais – cujos resultados não são adaptativos para uma comunidade – e expectativas de resultados – quando os mesmos são previstos em objectivos próprios, inversos à vontade de uma comunidade. Aqui, a percepção de controlo torna-se exacerbada, sendo irreal, mas potenciada pelos ditos factores. Com esta percepção, a tendência para a cooperação estará debilitada, sendo que os objectivos não são comuns nem identificáveis na comunidade a que pertence. A percepção de controlo é passada para essa comunidade, onde são realizados os comportamentos de corrupção, num controlo sobre a mesma.
Grave – e estamos a falar de política – é quando quem pratica este tipo de actividade está a representar uma comunidade. Isto significa que deve existir uma obrigatoriedade de cooperação e uma capacidade para a percepção de um controlo real. Isto levaria à boa acção, para si e para os outros, no sentido da acção ponderada entre o que pode e deve realmente controlar, exercendo comportamentos de acção comunitária, prestando trabalho público a favor da comunidade.

De forma não-adaptativa, estes comportamentos estimulam o bem-estar de quem os pratica. Para o próprio, estes comportamentos são adaptativos enquanto as motivações e as expectativas assim o disserem. É necessária a acção legal sobre as actividades de corrupção, no sentido de fazer ponderar motivações e anular expectativas dos praticantes.


Tiago A. G. Fonseca


Fonseca, T., & Vasco, A. B. (2011). Necessidade psicológica de controlo/cedência: Relação com bem-estar e distress psicológicos (Dissertação de mestrado). Retirado de http://hdl.handle.net/10451/4868
Vasco, A. B. (Julho, 2009). Regulation of needs satisfaction as the touchstone of hapiness. Comunicação apresentada na “16th Conference: European Association for Psychotherapy”. Lisboa, Portugal.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

[Psicologia e Política]: O Povo (Não) Satisfeito


A imagem de hoje explica, de forma simples, o que aqui vos pretendo deixar.
            O chamado “bom português” é aquele que, embora educado e paciente, nunca está satisfeito.
            Mas a sociedade vive disto. Pessoas que, não estando satisfeitas, se mexem no sentido da mudança do que pensam estar mal, do que pensam ser injusto e do que pensam estar incompleto. E sendo assim, ainda bem que a sociedade assim funciona.


            Mas será sempre assim? Será que a sociedade se mexe por não estar a favor? Por estar em desagrado? Existe sempre produtividade na não concordância? Tudo isto é discutível.
            O que parece não ser discutível é a produtividade oriunda de quem se movimenta no sentido da mudança! Essa é indiscutível. Uma sociedade pensante e activa em prol de todos, no sentido cooperante e colaborante, para e por todos. Mas para isto, é preciso que essa produtividade se dê. É preciso que exista uma transformação do “estar contra” em “a favor de”. E não tem de ser a favor do que está. Tem é de ser a favor de algo, e não, contra algo. Assim, estar a favor implica mudança, enquanto que estar contra, só por si, trás inércia. Ser a favor é criar, é agira, é mexer.
            É este o português que eu acredito existir!

            Numa fase mais à frente, voltaremos a falar desta imagem. Por agora, queria deixá-la para reflexão.

            Tiago A. G. Fonseca
(actualizado às 19:22h)

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

[Psicologia e Política]: Percepções


Numa publicação anterior (Realidade e Percepção), que fiz de forma livre, e por isso, não inserida nesta rubrica, está a introdução rápida para esta publicação.

A pergunta a que quero responder é, de forma simples, porque é que um indivíduo acha uma coisa e o indivíduo do lado acha outra?

A resposta, como já devem ter percebido, é Percepção.
Antes de mais, é importante entender que a Realidade, algo que se pensa universal e geral, é na verdade, uma Realidade Percebida. Ou seja, existe efectivamente uma realidade geral, que são os factos e as lógicas culturais (entre outros), mas a que nos rodeia, de forma principal e que se soma a esta universal, é uma realidade interpretada por nós, e não a dita universal. Esta interpretação envolve as nossas experiências de vida, a nossa personalidade, e as situações com as quais nos deparamos dia-a-dia. Esta é a razão de fundo para a diferença de opiniões.
Mas mais existem.
Todas as pessoas são diferentes. Todas são sujeitas a vários estímulos e factores. Mas estes são diferentes. A forma como cada um recebe uma notícia e a encaixam na sua percepção, é diferente. E, mais uma vez, as avaliações das consequências e causas, relativas a certa notícia geral, são, também elas, diferentes.

O estado do país é percebido por toda a gente de forma diferente. Dir-me-ão que o estado do país é igual para todos. Mas isso é falso. A percepção dele é diferente para todos. E esta é apenas a parte da dita realidade.
A parte consequente, a das medidas tomadas, é a segunda tomada de acção pela percepção, onde certas medidas farão sentido, e outras não, para a mesma dita realidade. As causas e consequências de certas medidas são tidas em conta de forma diferente por cada pessoa. Esta é a principal razão para a existências de partidos e/ou movimentos, de grupos e associações de objectivos comuns. Percepções individuais semelhantes, com interpretações e conclusões semelhantes, conjugadas entre si.
A aceitação desta diferença faz também parte da percepção. A forma como a liberdade de pensamento é tida para cada um, faz parte de como cada pessoa acha para si que as coisas em seu redor fazem ou não sentido.
Simplesmente há pessoas que preferem, de forma percebida, achar que a sua percepção é melhor percebida do que a percepção dos outros.
Percebem?


Tiago A. G. Fonseca

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

[Psicologia e Política]: Um dos Dois...


            Ultimamente, muito se tem falado de opções. Este Governo, o anterior… qual? Será que existem apenas estas duas opções? Certamente não será assim. Pelo menos, no que diz respeito às opções existentes.
            Em Junho do ano passado, nas últimas eleições legislativas em Portugal, concorreram 17 partidos/movimentos. Mas nos últimos 36 anos da nossa história, apenas 2 partidos, votados por maioria, e outro, na forma de coligação, tiveram funções governativas. Se sempre existiram outras opções que não estes 2 (3), porque são sempre estes os escolhidos? A resposta pode ser dada de forma científica.
            Tendo em conta uma população de 10.555.853 habitantes em Portugal, onde 9.624.354 podem votar (o que é impossível, mas será tema para outros fóruns, certamente!), e 5.585.054 o fizeram efectivamente, podemos partir do princípio que a amostra é normal e representativa do universo em causa. E sendo assim, esta população pode ser descrita numa Curva de Gauss. Esta curva descreve a distribuição normal de uma determinada população, e pode ser a explicação para a escolha partidária governativa. A imagem a baixo mostra a dita curva e suas percentagens, gerais.
            Com isto quero dizer que podemos distribuir a população ao longo da linha horizontal da Curva de Gauss, associando a ponta esquerda à esquerda partidária, e de igual forma, a ponta direita da linha à direita partidária. O centro da linha irá representar a divisão (ilusória) entre a esquerda e a direita partidárias.

            Em termos políticos (como em tudo o que a ciência e a psicologia, de forma mais específica, podem estudar) as pessoas tendem a encontrar-se nas posições centrais, mais abrangentes, do que nas posições mais direccionadas aos extremos, onde existirão menos indivíduos com a percepção direccionada nesse sentido. Esta poderá ser a explicação para que um partido, votado por maioria, possa perder a popularidade quando adopta atitudes e comportamentos de um dos extremos, existindo ai menor número de indivíduos que o percepcionem como normal. Esta pode ser também a razão para os partidos ditos de direita ou ditos de esquerda se entenderem melhor entre si do que com outros, mais afastadas de si na tal linha horizontal.
            É de admitir que estas percentagens são variáveis de ano para ano, de situação para situação, de contexto para contexto, mas é importante ter em conta que estas percentagens variam de forma mais severa com situações marcantes e pesadas na história local, como por exemplo, a crise actual. A imagem a baixo mostra a dita curva com exemplo da distribuição dos partidos com assento parlamentar.

 
            Por fim, relembro que a esta linha, no que toca a política, têm der acrescentadas variáveis, como a situação socioeconómica, a zona habitacional, os contextos históricos, etc. Mesmo assim, parte-se do princípio que estas variáveis já pressupõe uma distribuição normal de igual forma pela população.    

             Na próxima publicação, irei aprofundar um tema consequente a este, onde as percepções dos indivíduos se dividem também e mostram as suas preferências.

Tiago A. G. Fonseca

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

[Psicologia e Política]: Comunicar em Politiquês


Paralelamente aos temas actuais do quotidiano do país – e falo da dita crise financeira, e claro, da tão falada visita de hoje que nos foi feita pela Chanceler Alemã - muito se tem falado sobre o afastamento das pessoas face à classe política.
Podemos discutir as razões para este afastamento, desde algumas razões muito óbvias até outras mais remotas. Mas trago-vos a que me parece ser a que mais está ligada à percepção das pessoas face à política: a forma de comunicação da classe política.

Quando procuramos expressar-nos a alguém, temos sempre em atenção quem representa esse “alguém”. A forma como comunicamos com um familiar directo, é diferente da forma como falamos para um professor nosso, da mesma maneira que a forma como falamos para um colega de trabalho é diferente da forma em como o fazemos para o patrão. Tal como a forma como prestamos uma informação de trabalho é diferente da forma como damos um conselho ou como comunicamos algo de bom a alguém.
Significa isto que, dependendo do público alvo e do conteúdo da informação a prestar, o interlocutor tem de cuidar a forma da comunicação.
O que acontece é que a classe política, quem a população espera que lhes preste informação válida, precisa e clara, não o faz. Ou, pelo menos, assim não é percebida.
Parece que se adoptou uma nova forma de falar, como se de um dialecto se tratasse, cada vez mais vincada ao longo do tempo. Refiro-me ao “Politiquês”.

Ninguém quer participar no que não percebe.
Ninguém quererá saber do que não entende.
Ninguém irá querer compreender o que acha que não é feito para se compreender.

É necessário e obrigatório o bom entendimento do que se diz para que a boa percepção das pessoas ocorra. Só assim, estas sentirão confiança em quem comunica e, por consequência, no que por estes é realizado.
É também importante perceber que há maior percepção de risco de algo quando a percepção de controlo é menor. A maior e melhor informação sobre algo aumenta a percepção de controlo, o que baixa a percepção de risco associada.

Em suma, quanto melhor for explicado à população o que se passa e vai passar, em forma e conteúdo adequados, mais estes participam e se motivam para a mudança, num projecto que é de todos e para todos.

Tiago A. G. Fonseca

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

[Psicologia e Política]: A RAL e as Pessoas


Para as próximas eleições autárquicas, em Outubro de 2013, a nova lei da Reforma da Administração Local (RAL) entrará em vigor. Neste último ano, desde que se falou da RAL, muito se tem discutido, política e socialmente, sobre o impacto das medidas da dita lei. Muitas são as alterações trazidas pela RAL, mas a mais falada é sem dúvida a diminuição do número de freguesias, agregando algumas, umas às outras, limítrofes.
Importa perceber que as populações, que por obrigação, não têm tanta informação – ou acesso a ela – como quem os governa a nível local, confiam a estes a tarefa de os representarem da melhor forma. O que acontece, neste tema, é que o nível de informação da população continuou o mesmo, mas os governantes locais pediram às suas populações que lutassem com eles, contra a RAL. Razão? Muitas escondidas, sem dúvida. A descoberto está, o que chamam ser, a perda do Sentimento de Pertença destas populações às suas terras.

O Sentimento de Pertença surge nas pessoas devido ao sentimento de confiança atribuído a algo. Este aumenta a auto-estima e a percepção de controlo, o que baixa os níveis de ansiedade das pessoas. A melhor qualidade de vida vem por acréscimo. Tendo em conta as preocupações que nos ocupam o dia-a-dia, é bom poder sentir, quando chegamos a casa, que pertencemos a algo, a um grupo, a uma sociedade.
Por outro lado, quando não existe sentimento de confiança, existe o de instabilidade, que dá percepção de insegurança e não promove a auto-estima ou a percepção de controlo. A ansiedade aumenta e com ela os receios e limites de uma vivência demasiado ponderada pela instabilidade.
O que se estão a esquecer é que este sentimento de segurança não provém, como se quer passar, de a nossa terra se continuar a chamar em termos administrativos – a título de exemplo – Alvalade. Passa sim, por as pessoas serem as mesmas, por partilharem os mesmos interesses e por conseguirem qualidade de vida ao lutarem por objectivos comuns. A terra não deixa de ser a que é por mudar o nome – acrescento aqui, mais uma vez, que a mudança é apenas administrativa - e não deixa de existir há 900 anos, como se quer passar. Se o sentimento de pertença existir, não mudará por leis administrativas que não alteram o dia-a-dia local das pessoas. O que era longe, assim irá continuar. O que estava perto, lá estará.
Na zona da Baixa de Lisboa, 12 freguesias vão ser agregadas. Acham que a sua população deixar de ser “bairristas”? Deixar de mostrar orgulho pela sua terra e de o manifestar? A emoção à terra que era grande, ficará enorme. Porquê? Porque a força das pessoas, o seu sentido de colectividade, aumenta quando fases percebidas como adversas são passadas. São criados novos objectivos colectivos e a qualidade de vida aumentará. Com ela, e no sentido do explicado, aumentará a auto-estima e a percepção de controlo, essenciais à qualidade de vida. Pegando no exemplo, quem vive em Alvalade, irá a continuar a ser de lá e, Alvalade será sempre Alvalade.
A pensar, também, é o facto de certos governantes locais promoverem o sentimento de pertença praticando o sentimento de insegurança, ao informarem de forma errada quem luta sinceramente pela sua terra, sem perceber que não está a lutar por si.


Tiago A. G. Fonseca

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

[Psicologia e Política]: Modelos Gerais? Não, Obrigado!


Numa notícia avançada pela imprensa no dia 10 de Outubro de 2012, pode ler-se que o “FMI reconhece que calculou mal o impacto da austeridade na economia”.

Esta notícia é um espelho do que se faz em termos europeus no que diz respeito a modelos de intervenção económica, onde se espera que o Governo de cada país faça a sua adaptação. PsicoTraduzindo:

Os modelos Cognitivo-Comportamentais são tidos, pela maioria dos psicólogos e investigadores em geral, como a forma de intervenção com melhores resultados, numa mais vasta linha de psicopatologias, perturbações e síndromas.

Mesmo assim, a este tipo de intervenção é apontado uma limitação: o uso de modelos estanques. Isto significa que existe um modelo para cada psicopatologia, e o mesmo se usa na presença da mesma no paciente. Mas não se está a ter em conta uma série incalculável de variáveis do paciente, como a sua história de vida, a história da queixa, as suas necessidades e a regulação destas, etc etc, ou seja, o que faz do paciente o que ele é.

Tendo isto em conta, a psicoterapia evoluiu no sentido Integrativo, onde os modelos não existem, e o psicoterapeuta deve criar, para cada paciente, um modelo próprio, tendo em conta todas as características deste e da intervenção em causa. Só assim podemos realizar uma intervenção adequado ao caso, tão específico de cada um.

Aqui, tal como no processo de intervenção europeu, o modelo a ter em conta não pode ser geral, mas sim adaptado, tendo em conta as características de quem é intervencionado, as suas condições e idiossincrasias.

Só assim, o resultado será positivo, agora e a longo prazo.

Tiago A. G. Fonseca

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

[Psicologia e Política]: Ter ou Ser?

No meu primeiro ano de faculdade foi pedido à turma que lesse um de entre dois clássicos da psicologia: “Ter ou Ser” ou “A Arte de Amar”, ambos de Erich Fromm. Dessa leitura, teríamos de realizar um trabalho para mostrar a todos, com exemplos do dia-a-dia, a teoria da nossa leitura posta em prática. O meu grupo ficou com o “Ter ou Ser”. O primeiro exemplo que nos lembrámos, quase em uníssono, foi o da época de Natal, colocando em diferentes lados o Ter, com a sua vertente material das prendas, e por outro o Ser, com todo o significado que a época carrega.

E se o nosso exemplo fosse a política? Não seria fácil também aqui definir o que seria Ter do que seria Ser? Penso que sim, mas haveria um problema: existe sempre, em política, uma imiscuidade dos conceitos, e o Ter ou Ser seriam interpretados de forma diferente na sua teoria.

Assim, esta publicação foca tipos de pessoas: 1) as que São; 2) as que Têm; 3) as que São o que Têm e; 4) as que Têm o que São. Porquê? Porque as pessoas são a base da política.

Os dois primeiros representam pessoas incompletas, não adaptativas mas funcionais. Fará falta Ter quando apenas Somos, e faz muita falta Ser a quem apenas Tem. Tudo vai funcionando mas pouco se consegue adaptar.
O terceiro tipo é muito perigoso. Ser o que se Tem implica não Ser sem Ter, e aqui, o que define quem Somos é o que Temos. Penso que seja este o tipo predominante de pessoas que existem hoje em dia.
Por fim, o quarto tipo representa a pessoa na sua essência mais pura. Alguém que sabe Ser, não pelo que Tem, mas pelo que É, Tendo o que É. E esta quarta pode Ter que não a afectará, enquanto Tiver, essencialmente, o que É. De realçar que esta pessoa Terá e Tem, mas não deixa de Ser o que É por isso. Deste tipo, fazem falta.

Numa altura em que Temos mais do que achamos e que, para nosso bem, também Somos mais do que Temos ideia, há que Ser mais no Ter menos. É assim que todos somos melhores, para nós e para os outros.

Tiago A. G. Fonseca

[Psicologia e Política]: Apresentação!

Bons dias.

Hoje, por volta das 20 horas, é publicado o primeiro texto no Psicologia Para Psicólogos, texto esse a meu cargo e com o tema "Ter ou Ser?", referente à rubrica "Psicologia e Política".

Por mais estranho que pareça, esta rubrica não visa falar apenas de política. Visa falar das suas pessoas, dos cidadãos com as mais diversas funções em política: trabalhadores e patrões, votantes e não votantes, políticos e não políticos, ou seja, todos os cidadãos que suportam e são a política. Claro está, a sua percepção dos acontecimentos.

Como não podia deixar de ser, são textos de opinião, pelo que conto com os comentários de todos para que as ideias se desenvolvam!

Cumprimentos e obrigado a todos!

Tiago A. G. Fonseca