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terça-feira, 4 de março de 2014

O Contacto Humano


Estive sem acesso ao meu computador durante o fim-de-semana.
“Férias” pensariam alguns. “Algum descanso”, deveria eu pensar.
No entanto, não foram dias fáceis.
É extraordinária a diferença entre simples coisas do dia-a-dia. A dificuldade que é trabalhar, jogar, obter lazer por ver séries ou jogar algo.
Mais extraordinário quando as dificuldades seguintes ocorrem ao nível da comunicação, nossa com o mundo, do mundo connosco, da nossa obtenção de informação e consequente actualização nossa do que se passa no país e no mundo.

As relações interpessoais evoluíram, claramente, para passarem pela internet. É algo assustador. Não deixei de falar. Não estive isolado. Mas o sentimento que de algo faltou, está lá e bem presente.
Resta-me nunca esquecer que as relações humanas são feitas de contacto, presencial e vocal, de toque e experiência, onde duas pessoas devem interagir. Mais do que virtualmente, humanamente e presencialmente. A internet facilita imenso, sem dúvida, e sem ela, tendo em conta como evoluímos, a nossa vida seria muito, mas muito diferente. Tanto que deixo um desafio a qualquer um. Querem perceber como evoluímos dependentes da tecnologia? Desliguem, por 2 dias, o computador, a televisão e o telemóvel. Vivam. Aproveitem para lembrar e nunca esquecer que o contacto humano é que nos faz evoluir.

Tiago A. G. Fonseca

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

10 Anos do Facebook


Hoje o facebook faz 10 anos.
Coisas boas, coisas más, os estudos multiplicam-se e cada vez mais, a psicologia identifica vantagens da sua utilização e, por outro lado, de forma muito marcada, desvantagens claras do seu abuso.
A vida diária passa agora, em parte, pelo facebook, seja a agenda, o calendário de aniversários ou mesmo o diário. Mas se estas são algumas questões mais banais, que se não forem feitas em papel, têm o seu propósito feito online, algumas existem que não serão, assim, tão adaptativas.
Comunicação.
Esta, que deixou de ser pessoal, ocorre no facebook e é a forma mais usual de comunicação e de relacionamento entre as pessoas. A definição de “inter-pessoal”, que abarca a comunicação entre duas ou mais pessoas, fica limitada por este tipo de comunicação que não promove a regulação emocional e a comunicação adequada que os seres humanos devem saber realizar.
Será, certamente, ao longo desta década que agora entra, um tema central no que diz respeito à psicologia da criança.
No entanto, e apesar de tudo, parabéns facebook.


Tiago A. G. Fonseca

sábado, 11 de maio de 2013

[PREVENIcaNDO]: Em Torno da Comunicação

Já vos falei, em identidade (quem sou), do corpo, de como abrigo nele diferentes partes de mim e do espaço que ocupo, com quem o troco e o que o torna o meu espaço. Hoje vou falar-vos de comunicação. Estar com alguém, comunicar, é um factor protector essencial na prevenção. Como percebemos o que o outro nos diz? Encontramos algum significado no seu dizer? E esse significado encontra alguma ressonância nas nossas vivências do passado que nos permite seleccionar uma resposta? Tenho eu vontade de responder? E tenho eu as palavras para responder? E se o fizer consigo eu perceber como é que o outro está a reagir à minha comunicação? Este é o ciclo comunicacional onde pode surgir o bloqueio. A própria atitude, postura corporal, o tom de voz, poderão ser entraves quando entram em dissonância com a mensagem. Finalmente a própria motivação ou disponibilidade emocional introduzem ruídos na comunicação que estão frequentemente na origem de mal entendidos e da construção de distâncias entre as pessoas.
O dizer algo a alguém é pôr fora de nós o que está unicamente na nossa cabeça, dando-lhe deste modo existência partilhada. Dizer é manter a ponte entre duas pessoas, protege-la da erosão do ritmo e do tempo.
Há inúmeras dinâmicas que se debruçam sobre este tema. Pedir a cada elemento do grupo que transmita uma emoção específica (apenas do seu conhecimento) ao dizer uma frase específica, permite aos jogadores consciencializar quais os elementos que permitem identificar a emoção transmitida. Frequentemente os jogadores recorrem à linguagem corporal para melhor exprimir a emoção mas o dinamizador poderá dificultar-lhes a tarefa pedindo que a mensagem seja transmitida sem a possibilidade dos receptores visualizarem o emissor. Conseguirá o jogador colocar na entoação, no ritmo dos discurso ou na dicção os sinais que permitam identificar uma emoção? Esse é sem dúvida o desafio.
Noutra perspectiva pode-se pedir para que alguém comunique uma ideia sem poder utilizar a palavra que diretamente a identifica. Pode-se pedir a diferentes jogadores que adoptem ao longo de uma conversa normal, um conjunto de posturas (estar de costas para o grupo, abanar repetidamente a perna, posicionar o corpo orientado para que comunica, bocejar constantemente, …) e pedir no final que as pessoas transmitam o que sentiram ao longo da conversa em termos de atitude ou receptividade por parte dos colegas. Pode-se pedir que uma mensagem seja transmitida à distância no meio de o maior dos ruídos, ou contar-se sucessivamente uma história passada de participante para participante e analisar-se a perda progressiva de conteúdos e quais os que conseguem ser mantidos inalterados até ao final da sequência.
São muitas as dinâmicas que podem ser usadas para trabalhar a comunicação. Mas mais do que as dinâmicas em si, é na reflexão que melhor se trabalha a comunicação. Contem-me o que se passou no jogo? Cada participante narrará uma perspectiva pessoal de uma vivência comum, Não há leituras certas e erradas, apenas leituras pessoais, feitas a partir da sensibilidade de cada um e dos filtros que a experiência impõe. O que é que sentiram no jogo? À acção alia-se a emoção em todos os seus gradientes. Haverá convergência ou divergência mas é na diferença que mais se aprende e no respeito pelo sentir dos outros. Como se organizaram para ultrapassar a tarefa? O emergir da estratégia, pessoal ou colectiva, partilhada ou imposta, passiva ou ativa, confere à acção um novo significado dentro do qual se pode avaliar a eficácia e a capacidade de adaptação. Qual era a metáfora deste jogo? A análise volta-se agora para os conteúdos, a mensagem subjacente à acção. Tem a ver com a cooperação, tem a ver com gestão de emoções, tem a ver com… E assim se estabelece uma ponte entre o lúdico e o quotidiano a meio caminho entre o agir e o pensar. E finalmente… O que aprenderam? O que fariam diferente se voltassem a jogar?
Nesta partilha todos são actores, uns porque se expressam, outros porque ouvem, outros ainda porque são a plateia do drama posto em cena. Até vocês, leitores, têm um papel nesta dinâmica. São validadores da vivência de alguém. E se alguma destas ideias dispersas der origem a uma nova acção, são perpetuadores… depositários… herdeiros...
Façam disso um bom proveito.

Raúl Melo

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

[Psicologia e Política]: Mudar Custa...


A acção política afecta tudo e todos. Quem se interessa por política e quem não se interessa por política. O que é facto é que a política funciona com as pessoas, no seio da população, implementando a mudança. A direcção dessa mudança não está aqui em causa, nem é alvo desta publicação.
Estas mudanças implicam as pessoas, o seu dia-a-dia, a sua gestão pessoal e colectiva, a sua acção e o seu pensamento. Mas mudar não é fácil. Nunca foi. E não é apenas em Política. Mudar não é fácil.

Sempre que as mudanças são aplicadas, estas são percebidas como boas ou más, e daí a sua percepção fazer variar a dificuldade da sua implementação e aceitação. Mas existe sempre dificuldade inicial. Não é para todos, pois há pessoas que se adaptam mais facilmente, outras que se adaptam com mais dificuldade. Outras, que pela sua experiência, não se querem adaptar. Outras ainda que não têm competências para isso. E ainda outras que não estão aptas a isso pelas suas condições actuais. Significa isto que nada está bem para todos ao mesmo tempo. É impossível.

O que é certo é que existem facilidades de mudança, já faladas nesta rubrica, que passam pela boa comunicação e pela facilitação da percepção das boas consequências da mudança. Mesmo assim existirão sempre pessoas que não ficarão satisfeitas com a mudança. Porquê? Porque por muito bom que seja, mudar custa.

Tiago A. G. Fonseca

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Da Psicologia: O Ser Bipolar


Todas as profissões têm vocabulário próprio. Este tende a ser utilizado na teoria e depois, adaptado à prática. A Psicologia não foge a isso. Mas aqui surge outro fenómeno: as palavras com um sentido em Psicologia e com outro no senso comum.
Problemas? Nas duas dimensões em separado, nenhum. Quando se dá a junção de ambas, isto é, em contexto psicológico (clínico, organizacional, etc), surgem as dificuldades de adaptação da linguagem, de percepção de significados e, de desconstrução dos esquemas elaborados devido a essas palavras.
Como irei ver isto? Pela comparação das definições encontradas no senso comum (por entrevista directa), contrapondo-as ao conhecimento Psicológico. Assim, surge mais um grupo de publicações a que chamarei "Da Psicologia".

A primeira desta série é o ser Bipolar.

Para o senso comum, encontrei que ser Bipolar é “mudar de estado de espírito muito rápido”, “ter variações de humor diariamente”, “fazer escolhas diferentes todos os dias, para as mesmas coisas” e ainda, “ser incoerente nas suas atitudes”.
A bipolaridade é assim vista, para o senso comum, como um eixo do humor individual, onde cada um desliza ao longo do dia, fazendo variar o seu humor e daí, os seus comportamentos. Mas não.

Afinal, o que é ser Bipolar? Segundo o DSM-IV (APA, 1994), a Perturbação Bipolar divide-se em 4 outras perturbações, sendo as duas principais a Bipolaridade Tipo I e a Bipolaridade Tipo II:
ᴪ “Perturbação Bipolar I é caracterizada por um ou mais episódios Maníacos ou Mistos, normalmente acompanhados de episódios de Depressão Major”.
ᴪ “Perturbação Bipolar II é caracterizada por um ou mais episódios de Depressão Major, acompanhados de pelo menos um episódio Hipomaníaco”.

Percebendo pelo vocabulário Psicológico/Psiquiátrico a complexidade da Perturbação Bipolar, podemos confirmar que ser Bipolar é mais do que uma “simples” alteração de humor, onde a variância ocorre entre estados de Perturbação Severa, Depressiva Major ou Maníaca/Hipomaníaca, numa perda de clara funcionalidade pessoal.

De forma humorística, a imagem a baixo mostra o que é tido como Bipolaridade, para o senso comum.
 

Tiago A. G. Fonseca

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

[Psicologia e Política]: Comunicar em Politiquês


Paralelamente aos temas actuais do quotidiano do país – e falo da dita crise financeira, e claro, da tão falada visita de hoje que nos foi feita pela Chanceler Alemã - muito se tem falado sobre o afastamento das pessoas face à classe política.
Podemos discutir as razões para este afastamento, desde algumas razões muito óbvias até outras mais remotas. Mas trago-vos a que me parece ser a que mais está ligada à percepção das pessoas face à política: a forma de comunicação da classe política.

Quando procuramos expressar-nos a alguém, temos sempre em atenção quem representa esse “alguém”. A forma como comunicamos com um familiar directo, é diferente da forma como falamos para um professor nosso, da mesma maneira que a forma como falamos para um colega de trabalho é diferente da forma em como o fazemos para o patrão. Tal como a forma como prestamos uma informação de trabalho é diferente da forma como damos um conselho ou como comunicamos algo de bom a alguém.
Significa isto que, dependendo do público alvo e do conteúdo da informação a prestar, o interlocutor tem de cuidar a forma da comunicação.
O que acontece é que a classe política, quem a população espera que lhes preste informação válida, precisa e clara, não o faz. Ou, pelo menos, assim não é percebida.
Parece que se adoptou uma nova forma de falar, como se de um dialecto se tratasse, cada vez mais vincada ao longo do tempo. Refiro-me ao “Politiquês”.

Ninguém quer participar no que não percebe.
Ninguém quererá saber do que não entende.
Ninguém irá querer compreender o que acha que não é feito para se compreender.

É necessário e obrigatório o bom entendimento do que se diz para que a boa percepção das pessoas ocorra. Só assim, estas sentirão confiança em quem comunica e, por consequência, no que por estes é realizado.
É também importante perceber que há maior percepção de risco de algo quando a percepção de controlo é menor. A maior e melhor informação sobre algo aumenta a percepção de controlo, o que baixa a percepção de risco associada.

Em suma, quanto melhor for explicado à população o que se passa e vai passar, em forma e conteúdo adequados, mais estes participam e se motivam para a mudança, num projecto que é de todos e para todos.

Tiago A. G. Fonseca