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segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

[Grandes Nomes]: Sigmund Freud (1856-1939)

Sigmund Freud nasceu a 6 de maio de 1856 em Freiberg, na Morávia (actualmente Pribor, na República Checa). Quando Sigmund Freud tinha quatro anos de idade, ele e os seus pais mudaram-se para Viena, cidade onde permaneceu por quase 80 anos. Grande parte da sua teoria possuía base autobiográfica, resultante das experiências e recordações da própria infância.
Freud apresentava características como autoconfiança, ambição, o desejo de grandes realizações e o sonho de fama e glória. Ele disse ”um homem que foi sem dúvida alguma o preferido da mãe mantém durante a vida o sentimento de um conquistador e a confiança no êxito que muitas vezes induz à concretização do sucesso”.
Entrou na escola um ano antes do habitual e era considerado um aluno brilhante, formando-se com distinção aos 17 anos. Falava alemão e hebraico, estudou Latim, Grego, Francês e Inglês. Além disso, estudava sozinho Italiano e Espanhol. Exposto à teoria de Darwin, interessou-se pela visão científica do conhecimento, decidindo assim estudar medicina.
Ingressou em 1873 na University of Vienna. Tendo demorado oito anos para se formar. Especializou-se em biologia. Mudou para a fisiologia e realizou um trabalho sobre a espinha dorsal do peixe, passando seis anos debruçado sobre o microscópio no instituto fisiológico. Durante esses anos na universidade, Sigmund Freud realizou experiências com cocaína, que naquela época não era uma substância proibida. Ele próprio fez uso da droga tendo introduzido a substância na prática médica. Ficou entusiasmado com o seu efeito e disse que a droga amenizava a sua depressão e a indigestão crónica de que sofria. Carl Koller, um dos colegas médicos de Freud, depois de ouvir sem querer uma conversa em que ele falava da droga, conduziu a própria pesquisa e descobriu a possibilidade do uso da cocaína como anestésico para o olho humano, facilitando, assim, os procedimentos cirúrgicos para o tratamento dos distúrbios oculares.
Sigmund Freud queria continuar a pesquisa científica no entanto Ernst Brucke, o professor da escola de medicina e director do instituto fisiológico onde ele trabalhava, desencorajou-o por razões económicas. Sabendo que Brucke estava certo, decidiu realizar os exames de medicina e começar a atender pacientes particulares para melhorar as suas condições financeiras. Recebeu o título de doutor em medicina em 1881 e começou a trabalhar como neurologista.
No dia 15 de Outubro Sigmund Freud fez uma conferência sobre a histeria masculina na Sociedade dos Médicos. Em 1887, um mês depois do nascimento de sua filha Mathilde (Hollitscher), Sigmund Freud conheceu Wilhelm Fliess, brilhante médico judeu que fazia pesquisas sobre a fisiologia e a sexualidade.
Sigmund Freud começa a utilizar os meios de que dispunha, a electroterapia de W.H. Erb, a hipnose e a sugestão.
Freud distinguiu três níveis de consciência:
- Consciente;
- Sub-consciente;
- Inconsciente;
No entanto, o ponto nuclear da abordagem psicanalítica de Freud é a convicção da existência do inconsciente como um receptáculo de lembranças traumáticas reprimidas e um reservatório de impulsos que constituem fonte de ansiedade, por serem socialmente ou eticamente inaceitáveis para o indivíduo.
A perspectiva psicanalítica de Freud surgiu no início do século XX, dando especial importância às forças inconscientes que motivam o comportamento humano. Freud, baseado na sua experiência clínica, acreditava que a fonte das perturbações emocionais residia nas experiências traumáticas reprimidas nos primeiros anos de vida. Freud acreditava que a personalidade se forma nos primeiros anos de vida, quando as crianças lidam com os conflitos entre os impulsos biológicos inatos, ligados às pulsões, e as exigências da sociedade.
Considerou que estes conflitos ocorrem numa sequência de fases baseadas no desenvolvimento psicossexual, no qual a gratificação se desloca de uma zona do corpo para outra – da zona oral para a anal e depois para a zona genital. Em cada fase, o comportamento, que é a principal fonte de gratificação, muda – da alimentação para a eliminação e, eventualmente, para a actividade sexual.
Das cinco fases do desenvolvimento da personalidade, Freud considerou as três primeiras - relativas aos primeiros anos de vida – como sendo cruciais.
Freud propôs ainda três instâncias da personalidade: o id, o ego e o superego.
Freud estava especialmente interessado na dinâmica destas três partes da mente. Argumentou que essa relação é influenciada por factores ou energias inatas, que chamou de pulsões. Freud também acreditava que a líbido se desenvolvia nos indivíduos através de investimentos objectam, ou trocas com objectos. Argumentava que os humanos nascem "polimorficamente perversos", no sentido de que uma grande variedade de objectos possa ser uma fonte de prazer. O desenvolvimento psicossexual ocorreria em etapas, de acordo com a área na qual a libido está mais concentrada: a etapa; a etapa anal; e a etapa fálica.
Freud morre em Londres em Setembro de 1939, deixando estes importantes contributos para a psicologia, sendo no entanto bastaste criticado por diversos outros autores, como por exemplo Karl Popper.


Margarida Rodrigues

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

[Grandes Nomes]: Baruch Espinosa (1632-1677)


Espinosa nasceu em 1632 e morreu com apenas 45 anos. Viveu toda a sua vida na Holanda, em Amesterdão, Rijnsburg, Voorburg e Haia.
Muitas vezes temos a ideia de que os filósofos são seres solitários e taciturnos, no entanto, segundo Mary Warnock, "os filósofos são por natureza faladores e epistolares; só raramente preferem sentar-se a pensar, isolados dos seus pares". Espinosa mantinha muitos contactos intelectuais e tinha muitos amigos que rapidamente publicaram, após a sua morte, Ética, uma das obras mais importantes da filosofia ocidental.
O avô de Espinosa era lisboeta e viveu alguns anos na Vidigueira, no Alentejo. Mas foi obrigado a fugir para Amesterdão quando a louca perseguição portuguesa aos judeus se tornou intolerável. Espinosa, todavia, haveria mais tarde de provocar nos próprios judeus o mesmo tipo de fervor religioso que levou a sua família a ser expulsa de Portugal o que o levou a ser expulso da comunidade judaica (o texto dessa excomunhão encontra-se publicado).
Espinosa falava português e esta era a língua que se falava em sua casa e nas ruas de Amesterdão, que acolhia uma enorme comunidade judaica proveniente de Portugal. A língua usada nos estudos bíblicos era o hebraico, e o latim era a língua da literatura, da cultura e da ciência em geral. Espinosa dominava todas estas línguas, além do holandês e do espanhol. A sua obra foi escrita em latim, e traduzida para holandês. Durante a sua vida, Espinosa só publicou duas obras:

·         Os Princípios da Filosofia de Descartes (1663) - uma exposição "geométrica" da filosofia de Descartes, e foi publicada a pedido dos seus amigos e correspondentes.
·         Tractatus Theologico-Politicus (1670) - defende exaustivamente a liberdade religiosa e política, usando o seu conhecimento profundo do Velho Testamento para, pela primeira vez, analisar de um ponto de vista histórico o Pentateuco, os cinco primeiros livros da Bíblia.

Espinosa faz parte do grande trio de racionalistas modernos, juntamente com Descartes e Leibniz. Trio este que é habitual opor ao trio de empiristas modernos: Locke, Berkeley e Hume. A filosofia contemporânea é na sua maior parte o fruto da filosofia empirista, mas as suas tremendas limitações estão a tornar-se cada vez mais evidentes e assiste-se hoje a uma reabilitação tímida da filosofia racionalista. A diferença que opõe as duas correntes é esta: enquanto para os racionalistas o conhecimento mais nobre e certo tem origem na razão apenas, os empiristas defendem que a razão nada pode descobrir que não tenha origem nos dados dos sentidos. A grande dificuldade da filosofia racionalista é explicar exactamente como conhecemos, sem recorrer à experiência, as grandes verdades sobre o mundo.
Para Espinosa, tudo o que ocorre está determinado pelas leis necessárias da natureza. E Deus mais não é do que esta natureza inexorável. O pensamento modal de Espinosa é tipicamente racionalista defendendo que só o nosso conhecimento imperfeito nos faz pensar que há coisas que acontecem mas poderiam não ter acontecido.
Depois da sua morte, Espinosa foi durante um século o bobo da corte: o filósofo mais comentado e menos lido. Lessing, em 1780, choca os seus pares declarando-se discípulo de Espinosa. Goethe apaixona-se pelas ideias do judeu. E só então se começa a fazer alguma justiça ao pensamento de Espinosa.

Margarida Rodrigues

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

[Grandes Nomes]: René Descartes (1596-1650)


René Descartes nasceu em La Haie, França, em 1596, e é considerado o inaugurador da época moderna da história da filosofia e primeiro representante da corrente racionalista, tendo colocado como núcleo da pesquisa filosófica o problema do conhecimento. Opondo-se veementemente à tradição escolástica de influência aristotélica, Descartes foi movido pela preocupação de encontrar um fundamento absoluto e irrefutável para as ciências numa tentativa de criar um sistema universal do saber.
Com esse objectivo, procede à articulação das regras a que deve obedecer o método «para bem encaminhar a razão e procurar a verdade nas ciências»:
- regra da evidência: «recusar todos os preconceitos, não tomando como verdadeira nenhuma coisa sem que a conheça evidentemente como tal e se apresente ao meu espírito tão clara e distintamente que dela não possa duvidar».
- regra da análise: «dividir cada um dos problemas que se me apresente no maior número de parcelas possível».
- regra da síntese: «conduzir os raciocínios ordenadamente, partindo dos mais simples para os mais complexos».
- regra da enumeração: «proceder a enumerações tão completas e revisões tão gerais que possa estar certo de nada haver omitido».

Procurando, no entanto, um suporte metafísico para o seu sistema, parte de uma posição de ceticismo em que põe em causa a fiabilidade dos sentidos e considera como ilusório o mundo sensível; chega mesmo a considerar a possibilidade da inexistência de Deus, substituindo-o por um «génio maligno» cuja astúcia o poderia induzir em erro até nas verdades mais seguras das ciências dedutivas (dúvida hiperbólica). No entanto, é este mesmo processo que o conduz à verificação de uma evidência que admite incontestável - até ao duvidar, a consciência tem de existir -, formulada na célebre asserção «Penso, logo existo». O vigor com que tal constatação se apresenta na consciência serve-lhe como primeiro critério de verdade, levando-o a propor que, «regra geral, todas as coisas que sejam concebidas de forma tão clara e tão distinta serão igualmente verdadeiras».
Encontrada na afirmação da substancialidade do eu pensante («res cogitans») uma base suficientemente firme para o seu sistema, falta a Descartes, no entanto, ultrapassar o puro solipsismo que dela advém. Para o realizar, apoia-se na análise dos conteúdos da consciência pensante e, em particular, na constatação da presença nesta da ideia de um ser perfeito. Admitindo que as ideias podem ter três origens - os sentidos, a própria consciência ou uma instância superior -, conclui que a ideia de um ser perfeito não pode surgir dos sentidos, pois estes não podem dar origem a nada com maior realidade objectiva (i. é, das representações acidentais dos sentidos não pode provir a ideia de uma substância). Do mesmo modo, não pode ter origem na própria consciência, visto que a ideia de um ser perfeito não pode provir de uma substância imperfeita (o efeito não pode ser superior à causa). Portanto, a ideia de ser perfeito só pode estar presente na consciência enquanto ideia inata, por acção directa de Deus que, consequentemente, tem de existir e, devido à sua perfeição, não deverá ser fonte de qualquer malícia, pelo que se pode, finalmente, afastar a hipótese do «génio maligno» e pôr de parte o cepticismo inicial. A prova da existência de Deus reveste-se, portanto, de uma dupla função: como garantia da realidade do mundo sensível e da validade objectiva do conhecimento.
Do encontro da substancialidade do eu pensante deriva o dualismo ontológico de Descartes, que separa radicalmente a «res cogitans» (substância espiritual e livre) da «res extensa» (substância material, mecanicamente determinada por Deus). Esta última, caracterizada pela extensão e pelo movimento, torna-se passível de conhecimento quantitativo, i.e, de uma abordagem matemática, relegando para o domínio da pura fantasia a física de tradição aristotélica, centrada em conceitos de ordem quantitativa e num esquema explicativo baseado na causalidade final.
Personagem de interesses diversos, Descartes notabilizou-se também nas ciências, tendo sido o criador da geometria analítica. Pretendendo colocar-se em ruptura com todo o pensamento anterior, esconde importantes influências, em especial as de Santo Agostinho (que segue uma via próxima na afirmação da irredutibilidade do eu pensante) e Santo Anselmo (no qual inspirou a prova para a existência de Deus).
Morre em Estocolmo em 1650 - ficou para a filosofia como o grande impulsionador da autonomização do sujeito-razão.

Margarida Rodrigues

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Nova Autora: Margarida Rodrigues!


Hoje apresentamos uma nova autora. A Margarida Rodrigues junta-se à equipa do Psicologia Para Psicólogos, ficando encarregue da rubrica “Grandes Nomes”.

A Margarida é Mestranda em Psicologia Clínica da Saúde e da Doença, pela Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa, e é actualmente Psicóloga Estagiária (Curricular) no IPO de Lisboa.

Que sejas muito bem-vinda!

Psicologia Para Psicólogos

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

[Grandes Nomes]: Hermann Rorschach (1884-1922)


Hermann Rorschach nasceu em Zurique, a 8 de Novembro de 1884.
Ficou conhecido na Psicologia Clínica – apesar de ter sido Psiquiatra – pelos seus estudos com manchas de tinta e as interpretações e significados psicológicos que os indivíduos lhes atribuíam. Assim, desenvolveu o seu teste: Teste de Rorschach.
Inicialmente, o Teste de Rorschach tinha a intenção de desvendar as fantasias escondidas do inconsciente do indivíduo, mas Hermann, aprofundando a sua investigação, almejava atingir um teste de diagnóstico da personalidade, função que atribuiu ao seu teste.
O Teste de Rorschach, como todos os Testes Projectivos, baseia-se na hipótese projectiva que refere que na tentativa de organização da informação incoerente por parte do indivíduo, este tende a projectar partes latentes da sua personalidade. O intérprete tem, assim, possibilidade de alcançar partes da personalidade apenas dispostas no inconsciente do indivíduo, que formam as bases da sua resposta.

Rorschach, como bom Psiquiatra, encontra as suas influências da Escola Psicanalítica, e funda, com outros colegas, a Sociedade de Psicanálise de Zurique.
O ponto alto da sua carreira ocorre em 1921, onde publica o livro Psicodiagnóstico, onde explana as suas conclusões sobre o estudo das pranchas de manchas de tinta, por ele elaboradas.
O Teste de Rorschach permaneceu restrito a um pequeno círculo de amigos e seguidores, na Suíça. Só 10 anos após a sua morte foi conhecido de forma internacional, tendo o seu livro chegado ao resto da Europa e Estados Unidos da América.
Ainda hoje, para a utilização do Teste de Rorschach, é necessária uma formação específica certificada.

Veio a falecer de peritonite aguda a 2 de Abril de 1922.
Hoje faria 129 anos, razão pela qual o Google o homenageia com uma aplicação interactiva onde podemos realizar e partilhar o resultado, do seu teste.
Deixo-vos também, de Olivier Valsecchi, a sua colecção “Klecksography”, de Dezembro de 2010, onde pela fotografia de corpos humanos em diversas posições, tenta recriar muitas das pranchas de Hermann Rorschach.



Tiago A. G. Fonseca

sexta-feira, 3 de maio de 2013

[Grandes Nomes]: Da Filosofia à Psicologia


O Homem habita a Terra, no seu estado actual, provavelmente há cem mil anos. É também provável que já nessa altura procurasse a explicação dos fenómenos humanos que tanto fascinam os psicólogos, recorrendo muitas vezes a entidades sobrenaturais.
A história, documentada, começa mais de 500 anos antes de Cristo ter morrido na cruz. Na Grécia viveram os precursores dos actuais conceitos filosóficos.
Platão (427-347 a.C.), debruça-se principalmente sobre as temáticas da natureza da realidade e do carácter da alma, e fornece assim a raiz do nome da ciência que a tantos fascina. A «psyche», que significa alma em grego, originaria então o termo Psicologia, querendo este, por sua vez, referir-se ao estudo da alma.

Por sua vez, Aristóteles (384-322 a.C.), filósofo que dominou o pensamento no mundo antigo, define «psyche» como “aquilo que a alma ou o espírito realizam”. Entende assim que, uma vez que o termo está relacionado com conceitos de ego, alma e espírito, não pode ser directamente relacionado com coisas observáveis na vida real. A prática de Aristóteles seria denominada hoje em dia como abordagem funcional do comportamento, uma vez que se debruça sobre a forma como o indivíduo se relaciona com o mundo à sua volta.
Podemos atribuir a estes pensadores o início do pensamento sobre Psicologia, as primeiras reflexões, noções e abordagens.

Ana Mesquita

Referências:
Bruno, F. J. (1979). História da psicologia. Lisboa.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Nova Colaboradora, Ana Mesquita

 
Com o crescimento do Psicologia Para Psicólogos, damos as boas vindas a uma nova colaboradora: Ana Mesquita!
Ana Mesquita é estudante do Mestrado Integrado em Psicologia, na Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa.
Poderão consultar esta informação no separador “Colaboradores” da página do blog.
A sua rubrica terá o nome “Grandes Nomes”! Não podemos compreender o presente da Psicologia e os seus intervenientes actuais sem compreender os que fizeram dela o que ela é. Assim, nesta rubrica serão apresentadas as personalidades que contribuíram para o crescimento e desenvolvimento da Psicologia como ela é hoje!
Que seja muito bem-vinda!

Psicologia Para Psicólogos