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domingo, 16 de março de 2014

A Sociedade Evolui...


A sociedade evolui no sentido da adaptação do geral.
Pode nem sempre o perceber, ou, principalmente, pode nem sempre ser percebida dessa forma. Mas o que é certo é que existe sempre, em todas as gerações, homens e mulheres que se dedicam a avançar com o que é conhecido, promovendo mudança e desenvolvimento pessoal e humano através do dia-a-dia.
Basta que se alterem as leis que regem os Homens, as formas de uso dos materiais que toldam e moldam o quotidiano, a psicologia do pensamento que nos torna pessoas deste ano numa determinada comunidade e sociedade.
São pequenas ou grandes mudanças, inovações, que nos trazem ao pensamento diferenças de funcionamento que irão toldar a forma como pensamos e sentimos as coisas.
A forma como nos preocupamos com os outros, como emocionamos o que os outros ou nós próprios vivemos, a forma como exprimimos o que sentimos e pensamos, e a forma como vivemos a sociedade depende de um todo, poucas vezes percebido como tal. Mas se não fosse a sociedade, metade das nossas aprendizagens directas, sem o percebermos, não eram como as conhecemos. Eram diferentes. E cada uma de nós, era diferente, e actuava e agia de forma diferente.
É importante perceber que cada comunidade, cada sociedade, é um conjunto de pessoas que partilham objectivos, ideias, rotinas, mas que, apesar de tudo, são diferentes entre si, e todas têm virtudes e defeitos, problemas e soluções.
Sozinhos valemos. Mas juntos, valemos muito mais.

Tiago A. G. Fonseca

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

[PREVENIcaNDO]: Quantos Lados Há?


Todos aqueles que trabalham com grupos, todos os que trabalham em contextos sociais desfavorecidos, todos os que trabalham com populações de risco já se confrontaram com a necessidade de se posicionarem. És dos nossos ou estás contra nós? Dás a cara ou passas despercebido? Intervir com grupos de risco coloca-nos numa posição estranha de nos identificarmos com eles. Como aprendi há uns largos anos atrás, as instituições que trabalham com populações segregadas, acabam de algum modo por ser encaradas como marginais, necessárias, talvez mesmo até nobres, mas regendo-se por regras necessariamente mais próximas da sua população do que da população em geral. Esse é o preço da proximidade e é um preço importante de se pagar em função do que é importante ser feito, numa sociedade em que o bem-estar colectivo é responsabilidade de todos.
Daí que pensar sobre o assunto, fazer pensar, é essencial no processo preventivo. Se vos dissesse que vos daria a possibilidade de descarregar um problema nas costas de alguém, vocês aceitariam? Se vos desse um autocolante e vos dissesse que esse autocolante era um problema e que vocês poderiam escolher alguém em quem o descarregar, aproveitariam? A dinâmica é simples. Todos os jogadores recebem um autocolante e por um período muito curto de tempo podem livrar-se do seu problema, desde que seja nas costas de alguém. E o que é que acontecesse? Alguns recusam-se a fazê-lo porque não querem sobrecarregar ninguém com o seu problema. Outros encaram a regra com entusiasmo e procuram activamente descarregar o seu problema, nos vizinhos, nas pessoas com quem têm mais à vontade, ou simplesmente em quem calhar. Por vezes no entusiasmo de descarregar colocam-se sem posições desfavoráveis e tornam-se alvo das descargas dos outros. Em consequência… uns acabam com mais problemas nas costas do que outros. Normalmente essas pessoas são aquelas que no momento indicado estavam no centro do grupo, acessíveis… Enquanto outras estavam na zona periférica do grupo, estrategicamente ou não, menos expostas… E a reflexão decorre com constatações e consciencializações que preparam os jogadores para uma nova rodada de problemas. Desta vez, aqueles que têm mais problemas nas costas estão mais limitados na sua movimentação. São mais lentos ou até mesmo estáticos, estão cegos ou impossibilitados de se defenderem. Esse é o peso dos problemas. Limitam-nos. O jogo prossegue porque há sempre novos problemas para descarregar. E com a aprendizagem anterior os jogadores entregam-se à dinâmica. E após nova descarga a reflexão regressa. Por vezes o centro do grupo esvazia-se porque se sabe que quem se põe a jeito apanha com mais problemas. Outras vezes os jogadores sobrecarregados recebem mais uns quantos problemas porque “assim como assim” eram quem estava mais à mão de semear. Outras vezes ainda alguns jogadores percebem que podem trocar problemas dando o seu em troca do outro. E a compreensão estabelece-se que os problemas, quando bem distribuídos não representam sobrecarga para ninguém. E que o medo irracional do mal que os outros nos podem fazer torna-nos jogadores ferozes que se protegem dos outros e se possível se livram do que os sobrecarrega.
E, finalmente, se jogássemos este jogo em grupo, cada um deles com os seus elementos frágeis, lentificados ou paralisados, cegos ou impossibilitados de se defenderem, o que é que aconteceria. Alguns grupos escolheriam estes elementos como alvo nas equipas adversárias. Outros protegeriam os seus elementos frágeis abdicando do ataque aos outros, outros ainda encontrariam estratégias para que todos pudessem ser parte activa quer no ataque quer na defesa. Mas nunca, mesmo nunca, vi duas equipas trocarem de problemas dando o seu em troca dos outros.
E quando pensamos sobre isto é inevitável pensar de que lado estamos? Do nosso, do deles ou do de todos? Do lado de dentro ou de fora? Na frente ou atrás? Acima dos outros, ao lado ou abaixo? Ou conseguimo-nos ver entre lados, equidistantes, preenchendo vazios, ligando partes?
Como nos posicionamos para ajudar? Ensinamos estratégias de defesa ou de ataque? Motivamos para novas batalhas? Acolhemos as descargas que resultam da revolta, da marginalização, do sentimento de injustiça? Ou ajudamos a crescer num mundo onde os problemas se descarregam mais do que se partilham?


Raúl Melo

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

[Psicologia e Política]: Moldar a Sociedade


            Vivemos numa sociedade pouco ligada à política. Não quero aqui desdenhar se a galinha nasceu primeiro, ou se foi o ovo, se as pessoas se desligaram da política ou se os políticos se desligaram das suas pessoas – no entanto, esta última parece-me claramente a mais correcta. O que é certo é que todos os dias, os actos políticos moldam a forma como a sociedade se constrói, evolui, e sobretudo, se vê enquanto sociedade e comunidade.
            Tentarei, numa introspecção teórica sobre a nossa – a do Homem - evolução enquanto sociedade, colocar questões sobre a direcção dessa mesma evolução.
            As decisões que são tomadas, não só a nível concelhio, nacional, europeu e mundial, têm um impacto directo na vida de cada ser humano. Cada limitação da existência humana, ou falta dela, trará, quando a longo prazo, consequências no pensamento e consequente modo de agir das pessoas que deste espaço partilham.
            Uma sociedade adquire a cultura que escolhe, de forma mais ou menos directa, para evoluir. É por isso que os chamados direitos fundamentais são diferentes em cada país, e no geral, cada país vive décadas de paz com eles. No entanto, é de salientar as alterações que vão existindo. Estas, podemos atribuí-las a um sentido de evolução, seja em que direcção for, permitindo a que determinadas sociedades possam acompanhar a cultura de outra.
Em Portugal, recentemente, uma mais do que outra, existiram duas alterações a esses ditos direitos fundamentais do ser humano, que toldam a visão da vida e da existência na sociedade, que altera definições e molda a evolução. Mas destas duas questões em particular, falaremos em próximas publicações sobre este tema.
            Quero concluir chamando a atenção que, em termos psicológicos, o impacto da existência de regras ou ausência delas, são na mesma limitações ao pensamento e à acção, ou sejam, são linhas directrizes do que podemos, devemos e saberemos realizar.

            Tiago A. G. Fonseca

terça-feira, 14 de maio de 2013

[Psicologia e Política]: Solidariedade na Comunidade


Ontem à noite o Professor Marcelo Rebelo de Sousa falou de algo que achei curioso. Referiu-se aos gestos simbólicos de homenagem aos outros, como quando as suas aulas eram interrompidas para reunião de cientifico quando era jubilado algum docente, ou como referiu no tema central desse comentário, o facto de a Queima das Fitas do Porto não ter sido interrompida com a morte do estudante.
Tirou, o Professor, como conclusão, que os pequenos gestos como estes se estavam a perder, dizendo que a solidariedade entre as pessoas está a diminuir.
O que leva a esta quebra? Será o desvalorizar do ser humano? A azáfama da sociedade que não permite quebras temporais? Ou a falta de pensamento de que alguém poderia achar qualquer um destes actos importante? Penso que será um pouco de todas, com especial incidência na última, o que me parece mais preocupante.

Mas nem tudo é assim. Assistimos nos dias de hoje a um crescente de ajuda entre as pessoas, de actos de solidariedade que ajudam várias famílias e à vontade de uma sociedade em desenvolver os esforços necessários para nunca abandonar os seus. Isto é, a solidariedade pelo ser humano, pela esperança do novo dia, e pelo poio ao outro, que presta a cada um a sua própria esperança de um mundo melhor.

Encontramos assim dois tipos de solidariedade. Um a decrescer, como são os gestos simbólicos de homenagem, apoio, auxilio a alguém, de forma indirecta; e outro a crescer, como são os gestos de contributo e ajuda, de forma directa a alguém. O primeiro ligado a uma base psicológica de importância, papel e estatuto social, e o segundo ligado ao que é a manutenção física e psicológica de alguém, no sentido da sua sustentação “sobrevivencial”.
Este segundo tipo, onde a comunidade actua na própria comunidade, representa um equilíbrio entre a generosidade da esperança e o egocentrismo do desespero, onde não faz sentido, a quem ajuda, a falta de esperança, mas que se guia, sempre de forma não consciente, por uma motivação proveniente do que é o sentimento de desespero que o impele a agir.

De qualquer forma, e concluindo, o segundo tipo de solidariedade é o que nos faz pessoas. É o que nos torna dignos de sermos comunidade e é algo que nunca deve ser perdido, pois quando a tendência motivacional a ajudar o próximo deixar de existir, aquilo que nos faz ser pessoa também desaparece.
Contudo, e indo ao encontro do que disse o Professor, o primeiro tipo é o que possibilita a identificação social, criando pequenos costumes e hábitos que criam laços entre as diferentes comunidades, nos seus costumes e formas de homenagear as suas pessoas.

Tiago A. G. Fonseca