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sexta-feira, 12 de julho de 2013

[The Naked Lunch]: Festivais de verão, Consumos e Comportamentos de Risco


Verão rima com calor, praia e festivais de verão!
Para os mais jovens a loucura: acampar, directas, copos, boa companhia e bom som! Para a maioria dos pais: preocupação!
Uma sondagem recente revela “Festivaleiros britânicos preferem consumir álcool e drogas do que ver concertos”.* Segundo esta sondagem “apenas 45 por cento das pessoas admitiram que a música é a razão pela qual vão a um festival.
Todos aqueles que já foram a um festival sabem que há muito mais a acontecer num festival que apenas a música. E se me arriscaria a antecipar que em Portugal a maioria das pessoas diria que vai aos festivais por causa da música, muitos são os outros aspectos que contribuem para aquilo que um festivaleiro chamaria a “qualidade” do festival.
Um tema indissociado dos festivais são os consumos. Sabemos que, apesar de haver excepções, a maioria dos festivaleiros vai beber ou consumir algum tipo de substância. O próprio ecletismo dos festivais actuais – com tendas electro; palcos variados desde reggae, passando pelo jazz até ao metal; e zonas chillout – faz-nos associar, ainda que possa ser uma ideia pre concebida, estes diferentes “contextos” mais a uma ou outra substância.
Assim, mais do que entrar numa lógica de dissuasão, gostava de deixar aqui alguma dicas para que possam ter um consumo “controlado” ou com menor risco.
Penso que um aspecto importante é estar rodeado por pessoas de confiança. Sabemos que nos vamos divertir com os nossos amigos por perto. Se houver algum problema são pessoas a quem podemos recorrer. Tentem intercalar o álcool com água – se por um lado sabe bem uma cerveja fresquinha, esta é um diurético e aumenta a desidratação. Alimentem-se! Não é incomum, quer seja para poupar uns trocos, ou porque levámos o stock de latas de atum da casa dos pais, nos dias de festival as nossas refeições serem mais desregradas, fora de horas e com um baixo valor nutricional. De qualquer forma a sugestão que deixo é se vão beber, comam. Um estômago vazio aguenta pior o álcool. Se o objetivo é divertir-me não vou querer passar a noite maldispost@, não é?
Para aqueles de vocês que estão a pensar “então?! mas eu bebo para me embriagar!”: Cuidado com os comportamentos de risco, como por exemplo o sexo desprotegido, que se tornam mais frequentes quando estamos num estado alterado de consciência.
Nunca é demais referir para terem cuidado com a oferta de bebidas de estranhos. No ambiente de festival é comum conhecermos pessoas novas. Para se poupar uns trocos junta-se numa garrafa de gasosa ou sumo vinho do supermercado e até é normal irmos bebendo todos da mesma garrafa. Não é necessário desenvolver um núcleo paranóide mas pelo menos estar atento.

Não se esqueçam: ter alguns cuidados para poderem curtir os festivais de verão ao máximo! Divirtam-se!
Ana Nunes da Silva

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

[The Naked Lunch]: “Ah! Isso é psicológico!...”


Fazendo uma pausa nas questões das proibições Vs permissões, hoje venho falar-vos do consumo de psicotrópicos em estudantes universitários.

“Um terço dos universitários no Porto consome psicotrópicos”

A notícia apresenta alguns dos dados de um estudo realizado pela Sociedade Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental (SPESM): “mais de 30% dos alunos universitários do Porto consome medicamentos psicotrópicos e afirma não ter prazer nas coisas que faz na vida.” Este estudo refere consumo de ansiolíticos, hipnóticos e antidepressivos, associado ao aumento de “estados de ansiedade”, “do risco do suicídio” e “questões de isolamento”.

Este tema não é recente, mas dadas as circunstâncias actuais do próprio país, esta parece uma realidade cada vez mais presente não só para os estudantes universitários como para os jovens adultos que vem as suas perspectivas de futuro mais sombrias. Na notícia são ainda focados os consumos de álcool “19% referem consumos todos os dias e 52,4% referem consumos regulares aos fins-de-semana”.
Para além das questões da prevenção mencionadas na notícia, e de algum apoio que poderia ser potenciado pela comunidade, amigos e familiares, penso que existem outras dificuldades associadas a esta situação. Se por um lado é verdade que os recursos (pelo menos no SNS) dificultam uma resposta atempada e o diagnóstico adequado, por vezes a própria pessoa sente dificuldade em procurar este tipo de ajuda porque ainda existe algum (bastante!?) estigma associada aquilo que vem nomeado na notícia como “doenças mentais leves”. Confesso que não gosto do termo usado, penso que seria mais adequado chamar-lhe problemas associados à saúde mental ou algo do género (mais focado na dimensão saúde e não na doença). Como provavelmente isso implicará a procura de um Psi, muitas vezes o individuo vai adiando a procura de ajuda na esperança que a coisa passe “é só uma fase”. E por vezes até pode ser, e se a pessoa se rodear dos meios adequados possivelmente é “só uma fase”. Contudo, não é incomum, na prática clinica, os clientes surgirem já com 3 ou 4 (ou mais!) anos de início das crises de ansiedade ou as tais “doenças mentais leves”. Vão usando as estratégias que tem à mão, que muitas vezes potenciam o problema, como o isolamento, a auto medicação, ou o consumo mais acentuado de substâncias, principalmente o álcool, como estratégia reguladora.

Queria aproveitar para deixar um apelo, se tiverem algumas destas queixas procurem o vosso médico de família, falem da hipótese de serem acompanhados por um psicólogo. Não adiem a procura de ajuda porque normalmente só traz mais sofrimento associado. Se não se sentirem com energias para isso tentem não se isolar: falem das vossas dificuldades com um amigo mais próximo, um familiar… Ninguém deveria ter que passar por este tipo de sofrimento sozinho.

Habituamo-nos a ouvir no senso comum “Ah! Isso é psicológico!...” com uma certa conotação depreciativa e desvalorização daquilo que o outro está a sentir/viver. A ansiedade, e também a sintomatologia depressiva, podem realmente ser muito incapacitantes e de leve não têm nada! Procurar ajuda só pode ser um sinal de coragem e nunca de fraqueza! Se por vezes não fosse necessário um certo tipo de apoio, nós (psis) não estávamos cá a fazer nada, não é? ;)

Ana Nunes da Silva