Deixo-vos
hoje, nesta rubrica, o tema mais recente que engloba estas duas vertentes: a
Política, na vertente do que a sociedade pensa e age como lei de funcionamento pessoal
e interpessoal, e a Psicologia, a relevância da aplicação politica para o próprio
nas suas relações pessoais e com os outros.
A nova lei da co-adopção por casais
homossexuais foi bastante badalada. E como poderia não ser? Não se trata - apenas - de bom
senso ou ideal. Trata-se da alteração psicológica de uma cultura, numa evolução
em determinado sentido, que impele a mudança de percepção para este tema.
Numa próxima publicação, irei
descrever algumas das questões às quais o nosso Exmo. Bastonário da Ordem dos
Psicólogos, Prof. Doutor Telmo Baptista, respondeu na sua audição na Comissão
de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias. Esta audição
visava reflectir, com base nas questões colocadas pelos deputados da Assembleia
da República, os factores subjacentes à errada em vigor desta lei, à luz da
Psicologia. Segue o vídeo da audição.
Saliento a relevância dada, quase na
totalidade, à criança, sendo ela o centro das questões, ao contrário do que
vimos acontecer nos meios de comunicação.
A
OPP lançou uma notícia no seu sítio sobre o Stress nas Empresas, onde Samuel
Antunes, Vice-Presidente da OPP, comenta o problema no programa "Marca
Pessoal" da TVI24.
Esta
publicação é feita em parceria, com um comentário meu, com foco na Psicologia
Organizacional, e outro do autor Tiago A. G. Fonseca, com foco na Psicologia
Clínica.
Do
ponto de vista organizacional, o stress nas empresas é sem dúvida um
fenómeno com tendência para se acentuar, nomeadamente na sequência da crise
económica actual. O facto de 79% dos Gestores Europeus estarem preocupados
com o stress no trabalho é um dado
interessante, porém, não acredito que seja através de certificações que vamos
encontrar a chave que abre a porta das organizações à psicologia clínica. Deste modo, é necessário investir não só na
divulgação, mas acima de tudo na afirmação sustentada dos benefícios que o
psicólogo clínico poderá aportar a uma organização. É necessário trabalhar
no sentido de conseguirmos apresentar resultados que demonstrem de forma
inequívoca que se trata de um investimento com retorno para a organização.
Deste modo, se conseguirmos identificar indicadores de resultados, como por
exemplo, absentismo ou a satisfação dos colaboradores, e demonstrarmos a
incidência da acção do psicólogo sobre as mesmas, conseguiremos ganhar espaço
neste novo nicho de mercado, através das nossas valências. Para tal será ainda necessário
romper com os conceitos tradicionais das consultas psicológicas e estarmos
disponíveis para encarar novos desafios e conquistar novos territórios.
Para
o Tiago, “este é um problema onde é clara
a necessária intervenção dos Psicólogos. 85% dos gestores mostram estar
preocupados, o que indica a importância que dão a esta questão, o que se torna
importante para a identificação e intervenção no problema. De qualquer forma, apenas
15% afirma ter formas de intervir neste problema. E é aqui que, como diz Samuel
Antunes, a OPP pode ter uma palavra, apoiando as organizações e incentivando à
rápida adesão aos serviços de intervenção psicológica. Para isto, têm os
próprios psicólogos clínicos ser receptivos a esta intervenção.
De forma muito rápida, 50 a 60% do
absentismo nas empresas é causado pelo stress, segundo Samuel Antunes. É grave do ponto de vista pessoal, social e
económico. A acrescentar a isto, a
empresa é apenas um dos factores de stress diário a que um indivíduo está
sujeito, e assim sendo, o stress deve
ser encarado como um factor comum na acção humana, com causas e consequências
diferentes em todos os indivíduos, mas que deve sofrer intervenção de
destaque nos seus diversos contextos.
É
um exemplo claro da necessária intervenção Organizacional e Clínica, e um exemplo
claro de urgência na intervenção no problema, tendo em conta que estamos a
falar de organizações e seus trabalhadores, base da produtividade nacional.”
No
sentido de vincar a importância dos psicólogos nos diferentes contextos -
clínico, educacional e organizacional -, a Ordem dos Psicólogos Portugueses
promoveu “Os Psicólogos Fazem a Diferença”.
Caros leitores, estou a realizar a formação da OPP para os seus Membros Estagiários e decidi partilhar convosco esta experiência. Assim:
O que é afinal a formação destinada aos Membros
Estagiários a realizar estágio profissional da OPP?
Na
minha opinião a Ordem dos Psicólogos, conceptualmente, tem como principal
objectivo a regulação da profissão. Acredito que se trata de uma missão de extrema
importância e como tal, quando acreditamos em algo, devemos tentar
envolvermo-nos e dar o nosso contributo. Assim, ainda que nesta fase inicial
seja impossível não identificar inúmeras lacunas, não consigo ficar de fora,
assumindo uma posição meramente critica, desprovida de qualquer contributo
construtivo. Tendo isto em mente, estou na parte final do processo de acesso à
ordem, tendo iniciado esta semana o curso de formação associado aos Estágios
Profissionais da Ordem dos Psicólogos Portugueses em Lisboa, destinada aos
Membros Estagiários a realizar estágio profissional da OPP.
Neste
momento já assisti a mais de 10h de formação e tenho que admitir que todo o meu
cepticismo inicial têm-se gradualmente transformado num crescente interesse e
curiosidade, não só pela formação em si, mas acima de tudo pelas mais variadas
áreas de actuação da psicologia. Mais precisamente, o módulo de Ética e
Deontologia, ao invés do tédio teórico esperado, revelou-se num momento muito
interessante, onde foram debatidos dilemas éticos que podem surgir no dia-a-dia
de cada um de nós.
Para
terminar, gostava de comunicar a minha total disponibilidade para esclarecer
questões associadas a esta mítica formação, assumindo desde já o compromisso de
utilizar futuras publicações para partilhar a minha experiência nesta etapa do
acesso à ordem dos psicólogos que todos nós, ou já passamos ou ainda vamos
passar.