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segunda-feira, 10 de março de 2014

Da Psicologia: Rótulos, Estereótipos e Esquemas


Em termos sociais, os rótulos são as etiquetas usadas para definir alguém ou um grupo, algo ou um conjunto. Porque ocorre? Por associação directa à sua utilização anterior.
Assim, cada vez que um rótulo é utilizado, o sentimento, pensamento e comportamento associado ao que é rotulado, ocorre de forma mais célere, sendo mais fácil, para quem rotula, agir.

O que significa isto?

Um rótulo é um estereótipo. Uma ferramenta cognitiva que diminui as ligações psicológicas para sentir, pensar e agir, permitindo uma actuação com menos custos. No entanto, este funcionamento, assente em esquemas, pode ser funcional ou não funcional.
Quando este esquema assenta em preconceitos, a reação gerada pelo funcionamento esquemático daquela derivação nem sempre é a mais benéfica para a conclusão desejada à nossa interpretação. A situação em causa é interpretada de forma enviesada, e como o sentir, pensar e agir é célere e com baixos custos e recursos cognitivos, não é discutido e debatido psicologicamente o esquema a utilizar. É, assim, utilizado o esquema mais acessível, o do estereótipo em causa, e a acção é directa, sem passar por um filtro de controlo.
Se na maioria das vezes os estereótipos e esquemas são ferramentas essenciais da acção Humana, noutras vezes são situações de conclusão errónea para o ser Humano e, por isso, não adaptativas.
Mas não se enganem. É preciso querer que a adaptação ocorra. Se o erro for de bom grado para o próprio, por muito que seja perceptível a incorrecção do sentimento, pensamento ou comportamento, ele será mantido.
Mudar custa, mas faz bem.

Tiago A. G. Fonseca

domingo, 13 de janeiro de 2013

Da Psicologia: O Que São Afinal as Atitudes?


            Muito se têm falado de atitudes. As nossas, as dos outros, mas sobretudo a sua influência no dia-a-dia. Mas o que são afinal Atitudes?
Para o senso comum, encontrei que Atitudes são “os nossos comportamentos” e “o que fazemos em relação a algo”.
As Atitudes são assim vistas como comportamentos. A forma como nos comportamos e agimos perante uma situação. Mas não.

Afinal, o que são Atitudes? Segundo Gleitman, Fridlund e Reisberg (2007), Atitudes são uma “disposição relativamente estável, avaliativa, que faz uma pessoa pensar, sentir ou comportar-se, positiva ou negativamente em relação a determinada pessoa, grupo ou problema social” (pp. 1225).

Percebendo a definição, podemos dizer que Atitudes são a vertente psicológica de um Comportamento. São as nossas percepções, expectativas e conhecimentos, que juntos influenciam a nossa avaliação de algo ou alguém. Esta avaliação conduz a um comportamento ou a pensamentos e sentimentos. Pelos pensamentos e sentimentos, podemos concretizar comportamentos, e pelos comportamentos podemos deduzir atitudes.
Para dar um exemplo, falemos de estereótipos. Estes aspectos podem aqui ser distinguidos. Uma atitude agressiva para com um indivíduo de outra raça será um comportamento, que poderá ter base em sentimentos de inferioridade e pensamentos de perigosidade, todos assentes numa atitude estereotipada e pré concebida, que envolve as expectativas, percepções e conhecimentos passados do sujeito.
Quando se diz “não interessam palavras, interessam atitudes” (exemplo também dado quando recolhi o que eram Atitudes), o sentido que se quer fazer transmitir é o inverso. As palavras provêm de atitudes. Há que construir boas atitudes para que as palavras sejam as pretendidas. Atitudes não-adaptativas levarão a consequências não-adaptativas, enquanto atitudes adaptativas levarão a consequências adaptativas. Estas consequências são os seus resultados, ou seja, sentimentos, pensamentos e comportamentos.

Tiago A. G. Fonseca

 
Gleitman, H., Fridlund, A. J., & Reisberg, D. (2007). Psicologia (7ª ed). Lisboa. Fundação Calouste Gulbenkian.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Da Psicologia: O Ser Bipolar


Todas as profissões têm vocabulário próprio. Este tende a ser utilizado na teoria e depois, adaptado à prática. A Psicologia não foge a isso. Mas aqui surge outro fenómeno: as palavras com um sentido em Psicologia e com outro no senso comum.
Problemas? Nas duas dimensões em separado, nenhum. Quando se dá a junção de ambas, isto é, em contexto psicológico (clínico, organizacional, etc), surgem as dificuldades de adaptação da linguagem, de percepção de significados e, de desconstrução dos esquemas elaborados devido a essas palavras.
Como irei ver isto? Pela comparação das definições encontradas no senso comum (por entrevista directa), contrapondo-as ao conhecimento Psicológico. Assim, surge mais um grupo de publicações a que chamarei "Da Psicologia".

A primeira desta série é o ser Bipolar.

Para o senso comum, encontrei que ser Bipolar é “mudar de estado de espírito muito rápido”, “ter variações de humor diariamente”, “fazer escolhas diferentes todos os dias, para as mesmas coisas” e ainda, “ser incoerente nas suas atitudes”.
A bipolaridade é assim vista, para o senso comum, como um eixo do humor individual, onde cada um desliza ao longo do dia, fazendo variar o seu humor e daí, os seus comportamentos. Mas não.

Afinal, o que é ser Bipolar? Segundo o DSM-IV (APA, 1994), a Perturbação Bipolar divide-se em 4 outras perturbações, sendo as duas principais a Bipolaridade Tipo I e a Bipolaridade Tipo II:
ᴪ “Perturbação Bipolar I é caracterizada por um ou mais episódios Maníacos ou Mistos, normalmente acompanhados de episódios de Depressão Major”.
ᴪ “Perturbação Bipolar II é caracterizada por um ou mais episódios de Depressão Major, acompanhados de pelo menos um episódio Hipomaníaco”.

Percebendo pelo vocabulário Psicológico/Psiquiátrico a complexidade da Perturbação Bipolar, podemos confirmar que ser Bipolar é mais do que uma “simples” alteração de humor, onde a variância ocorre entre estados de Perturbação Severa, Depressiva Major ou Maníaca/Hipomaníaca, numa perda de clara funcionalidade pessoal.

De forma humorística, a imagem a baixo mostra o que é tido como Bipolaridade, para o senso comum.
 

Tiago A. G. Fonseca