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domingo, 24 de novembro de 2013

[The Naked Lunch]: Nova lei do álcool


Entrou em vigor no passado dia 1 de Maio a nova lei do álcool. Esta lei proíbe o consumo e a venda de bebidas alcoólicas em postos de combustíveis e, depois da meia-noite, em qualquer estabelecimento que não seja de restauração e bebidas. Relativamente à idade de consumo prevê o aumento para os 18 anos a idade limite para consumo de álcool, mas apenas para as bebidas de elevado teor de álcool, as chamadas bebidas espirituosas (e.g . whisky, vodka…). O consumo de vinho e cerveja continua a não ser proibido a jovens a partir dos 16 anos! Confesso, como profissional de saúde a trabalhar com problemas ligados ao álcool, ter ficado em choque com esta nova lei. Do ponto de vista prático coloca imensas dificuldades: como controlar em simultâneo a idade e o que a pessoa consome? Se no nosso país já é várias vezes referida a dificuldade na fiscalização referente à idade, como irão as autoridades fiscalizar também o tipo de bebida? Pedem para provar!?

Esta nova lei para além de ser um recuo ao nível da prevenção acaba por se tornar ridícula e passar uma mensagem dúbia aos jovens face ao consumo de álcool: Então existirá um “álcool bom” e um “álcool mau”? Do ponto de vista científico não faz sentido esta distinção entre bebidas espirituosas e outras bebidas alcoólicas. A composição molecular da substância (etanol) é a mesma. A diferença concerne à concentração de álcool em cada uma delas, mas bebendo diferentes quantidades de diferentes bebidas estaremos a ingerir a mesma quantidade de álcool ¼ L aguardante = 1L Vinho= 2L Cerveja. Assim, não fica claro o objectivo deste diploma. Até porque o objectivo da alteração da lei pretendia a defesa da saúde pública e não a perseguição fundamentalista ao consumo de álcool.
Contudo, um dos aspectos desta lei que parece ter sido “acarinhado” pelas autoridades de segurança é a obrigatoriedade das autoridades notificarem os pais quando os seus filhos são encontrados embriagados.
E vocês, o que acham?

Poderão consultar a informação referente a esta lei no diretório do álcool:  http://www.diretorioalcool.pt/Paginas/LeiDoAlcool.aspx
 
Ana Nunes da Silva

quinta-feira, 13 de junho de 2013

[The Naked Lunch]: Álcool e Sociedade


Na sequência da leitura da notícia “40% dos homicídios estão relacionados com problemas de álcool” (18/03/2013), comecei a esboçar mentalmente este post.


Soube logo sobre o que queria escrever mas confesso que levei algum tempo até encontrar um título que me satisfizesse…
Ao longo da notícia podemos ler sobre uma série de estatísticas das consequências dos consumos: 40% dos homicídios estão relacionados com problemas de álcool; mais de 40% das situações sinalizadas às comissões de protecção de crianças e jovens pertencem a famílias com problemas de alcoolismo; estima-se que cerca de 30% dos acidentes rodoviários, assim como 25% da sinistralidade laboral estejam associados a consumos de álcool...
Pensei que um bom título seria “álcool e problemas legais”, que mais poderia ser? Mas o que estava na minha mente ao ler a notícia era a ideia de quão aceite são os consumos de álcool na nossa sociedade, quão presente o álcool está nos nossos costumes, rituais, nos momentos considerados mais importantes da nossa vida (“vamos fazer um brinde!”).
Assim, este post não se poderia chamar “álcool e problemas legais”. Penso que isso iria tirar de certa forma a responsabilidade social, de todos nós, neste problema. Quando se lê “em Portugal, morrem cerca de 7.000 pessoas por ano devido a problemas ligados ao álcool, sendo assim considerado o terceiro de 26 factores de risco de doença, depois do consumo de tabaco e da hipertensão arterial” assusta!
Parece inconsistente uma substância que tem tantas consequências nefastas para o ser humano ser também tão acarinhada e figura indispensável e de referência no nosso dia-a-dia. Ser anunciada inclusivamente como uma referência do nosso país (vejam os outdoors da cerveja sagres).
Não quero ser mal interpretada, eu gosto de um belo copo de moscatel! Mas olho para estes dados e penso “o que pode ser feito? O que é que nós enquanto sociedade podemos fazer? Ou o que é que tem sido mal feito até aqui?”
Para já não tenho respostas, só muitas questões. A única coisa que eu sei é que este post não se podia chamar “álcool e problemas legais”…

Ana Nunes da Silva