sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

O Homem do Violino


Dos constructos cognitivos condicionantes da percepção à que destacar os estereótipos. Estas estruturas cognitivas são compostas, segundo Hamilton e Trolier (1986), pelos nossos conhecimentos e expectativas, ou seja, pelos resultados psicológicos das nossas experiências. Ainda segundo os autores, os estereótipos determinam os nossos julgamentos e avaliações, acerca de grupos e/ou dos seus membros. Acrescento aqui, também, além do apontado pelos autores, o contexto e os seus estímulos.
Deixo-vos um exemplo, ocorrido no ano passado numa estação de metro, nos Estados Unidos da América. Segue o relato escrito e o clip com o ocorrido.

Um homem sentou-se numa estação de metro de Washington DC e começou a tocar violino, era uma fria manhã de Janeiro; Ele tocou seis peças de Bach durante aproximadamente 45 minutos. Durante esse tempo, já que era hora de ponta, calcula-se que cerca de 1,100 pessoas atravessaram a estação, a sua maioria, a caminho do trabalho.
Três minutos passaram quando um homem de meia idade notou que o músico estava a tocar, abrandou o passo e parou por alguns segundos, mas continuou depois o seu percurso para não chegar atrasado.
Um minuto depois, o violinista recebeu o seu primeiro dólar: uma senhora atirou o dinheiro sem sequer parar e continuou o seu caminho.
Alguns minutos depois, alguém se encostou à parede para o ouvir, mas olhando para o relógio retomou a marcha. Estava claramente atrasado para o trabalho.
Quem prestou maior atenção foi um menino de 3 anos. A mãe trazia-o pela mão, apressada, mas a criança parou para olhar para o violinista. Finalmente, a mãe puxou-o com mais força e o miúdo continuou a andar, virando a cabeça várias vezes para ver o violinista. Esta acção foi repetida por várias outras crianças. Todos os pais, sem excepção, obrigaram as crianças a prosseguir.
Nos 45 minutos em que o músico tocou, somente 6 pessoas pararam por algum tempo. Cerca de 20 deram-lhe dinheiro mas continuaram no seu passo normal. Ele recolheu cerca de 32 dólares. Quando ele parou de tocar e o silêncio tomou conta do lugar, ninguém se deu conta. Ninguém aplaudiu, nem houve qualquer tipo de reconhecimento.
Ninguém sabia que este violinista era Joshua Bell, um dos mais talentosos músicos do mundo. Ele tocou algumas das peças mais elaboradas alguma vez escritas num violino de 3,5 milhões de dólares. Dois dias antes de tocar no metro, Joshua Bell esgotou um teatro em Boston, onde cada lugar custou em média 100 dólares.
Esta é uma história real, Joshua Bell tocou incógnito na estação de metro num evento organizado pelo Washington Post que fazia parte de uma experiência social sobre percepção, gostos e prioridades.

Acrescento que a mulher que surge na segunda parte do clip mostrando todo o interesse durante grande parte da actuação, justifica a mesma com o conhecimento que tem de quem é Joshua Bell.

Não existiu, claramente, uma percepção clara do que estava a ocorrer. Podemos deduzir várias hipóteses: não existem expectativas para aquele acontecimento naquele contexto; as prioridades individuais não permitiam a percepção da actuação de forma adequada; variáveis idiossincráticas que justificam a não atenção; Tendo em conta tudo o que já foi dito neste espaço sobre percepção, estas hipóteses podem ter base em estereótipos.
A realidade de cada um é uma construção realizada pelas suas percepções. As nossas percepções são resultado de estereótipos, expectativas, motivações e resultados anteriores que são projectados para as situações actuais.
Devido a razões idiossincráticas, centenas de pessoas perderam uma actuação espantosa, e de forma gratuita. Outra variável da percepção, que aqui faria, com certeza, diferença, é a informação disponível no contexto, que, se disponível sobre esta actuação, várias pessoas teriam parado para ouvir.
A mulher do final do clip que fala com o músico não padece do estereótipo de todos os outros. A informação que tem do contexto é oposta a todas as outras pessoas: sabe quem realiza a actuação e pára para ouvir, prestando uma atenção que apenas uma motivação intrínseca poderia provir. Existe também um homem que ouve durante algum tempo, mas como não se manifesta verbalmente, não é possível aferir a sua percepção da situação. Mas claramente, foi diferente. Não usou estereótipos e permitiu-se ser surpreendido por informação nova. Não valerá esta permissão a pena, mesmo que de vez em quando?


Tiago A. G. Fonseca

Hamilton, D.L., & Trolier, T.K. (1986). Stereotypes and stereotyping: An overview of the cognitive approach. In J. Dovidio & S. Gaertner (Eds.), Prejudice, discrimination, and racism (pp. 127-163). Orlando, FL: Academic Press.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

[The Naked Lunch]: Fim das Smartshops?


Antes de mais bom ano a todos!

Para fechar o ciclo das smartshops nada melhor do que a notícia “Governo aguarda parecer para pôr fim às smartshops”. Já não era sem tempo! Apesar do título falar em “pôr fim” quando lemos a notícias percebe-se que o objectivo é “limitar venda de drogas legais e exigir período de teste antes de serem colocadas no mercado.
Segundo a notícia do jornal Sol online de dia 6 de Janeiro “O parecer em causa irá determinar a forma como será realizada a quarentena dos produtos: um mecanismo que obriga as novas substância que surgem no mercado a ficar em teste durante algum tempo para se verificar se são perigosas para a saúde.
Contudo depois de ler todo o conteúdo fiquei um pouco confusa. Algures no final da notícia vem a referência à posição das smartshops: O certo é que esta nova legislação está a preocupar os responsáveis das smartshops. A Stepet – que detém as lojas Magic Mushroom – prepara-se para apresentar na próxima semana ao Ministério da Saúde e aos deputados uma proposta onde defende ser «mais prejudicial para a população proibir este tipo de substâncias do que regular o sector».
Então mas não é mesmo isso que está a ser feito? A regulação destas substâncias? Permitir só por permitir já se viu que não é muito positivo, ainda por cima quando são disfarçadas de adubos, sem qualquer responsabilidade para as ditas lojas. Claro que podemos sempre entrar pela já habitual controvérsia do legal versus ilegal e quem ganha com isso.
A análise destas substâncias fará com que seja mais fácil a sua regulação. Eventualmente poderia ser também o passo para a regulação de outras substâncias…? O que é que acham? Que implicações têm as permissões vs proibições do ponto de vista psicológico?

Segue abaixo o link da notícia


            Ana Nunes da Silva

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

[Psicologia e Política]: O Povo (Não) Satisfeito


A imagem de hoje explica, de forma simples, o que aqui vos pretendo deixar.
            O chamado “bom português” é aquele que, embora educado e paciente, nunca está satisfeito.
            Mas a sociedade vive disto. Pessoas que, não estando satisfeitas, se mexem no sentido da mudança do que pensam estar mal, do que pensam ser injusto e do que pensam estar incompleto. E sendo assim, ainda bem que a sociedade assim funciona.


            Mas será sempre assim? Será que a sociedade se mexe por não estar a favor? Por estar em desagrado? Existe sempre produtividade na não concordância? Tudo isto é discutível.
            O que parece não ser discutível é a produtividade oriunda de quem se movimenta no sentido da mudança! Essa é indiscutível. Uma sociedade pensante e activa em prol de todos, no sentido cooperante e colaborante, para e por todos. Mas para isto, é preciso que essa produtividade se dê. É preciso que exista uma transformação do “estar contra” em “a favor de”. E não tem de ser a favor do que está. Tem é de ser a favor de algo, e não, contra algo. Assim, estar a favor implica mudança, enquanto que estar contra, só por si, trás inércia. Ser a favor é criar, é agira, é mexer.
            É este o português que eu acredito existir!

            Numa fase mais à frente, voltaremos a falar desta imagem. Por agora, queria deixá-la para reflexão.

            Tiago A. G. Fonseca
(actualizado às 19:22h)

sábado, 5 de janeiro de 2013

Perception


            Resumindo o que temos falado sobre Percepção e Realidade, deixo-vos esta imagem com uma frase retirada da recente série norte-americana “Perception”.


Reality is a Figment of Your Imagination”.

Como podemos dizer que não? O oposto também pode ser perguntado.
Como podemos dizer que sim?
          Certo é que somos nós que construímos a realidade, baseada no que percepcionamos. Isto é, por outras palavras, apenas acontece o que nosso cérebro permitir que aconteça, tendo em conta que só vemos o que acreditamos poder existir. Isto dá um papel maior à nossa criatividade e imaginação, sendo estas parte da percepção. E assim, a realidade fica limitada a essa imaginação, a essa percepção.

            Tiago A. G. Fonseca

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

New Year's Resolutions


O Ano Novo é uma barreira temporal, quer o festejemos com mais ou menos vivacidade. E as barreiras temporais têm a vantagem psicológica de puderem ser utilizadas como marco simbólico para algo. Um exemplo é a realização das chamadas Resoluções de Ano Novo. O que são as Resoluções de Ano Novo?
As Resoluções de Ano Novo são um documento pensado e realizado por alguém com o intuito de nele expor a vontade de realizar determinados objectivos pessoais ou em mudar um comportamento. É este documento importante?
Esta resposta, embora subjectiva, é positiva. A realização deste documento leva o indivíduo expressar as suas motivações de acção, traduzindo-as no compromisso impresso no documento. Esta realização induz no indivíduo uma sensação de auto-eficácia ao concretizar que os objectivos passam de possíveis a realizáveis, como se de uma lista tipo “to do” se tratasse.
Segundo Bandura (1991), quanto mais elevado for o grau de auto-eficácia percebida, mais elevados são os objectivos estabelecidos e mais fortes serão os comportamentos que conduzem ao alcance dos mesmos, pois a motivação para o seu sucesso é maior.
Assim, pensar e reflectir sobre o que queremos alcançar para este ano, o que queremos concretizar e atingir e/ou mesmo o que queremos mudar, traduzido num documento escrito por cada um, pode tornar-se importante no caminho para o sucesso desses mesmos comportamentos.
 


Tiago A. G. Fonseca

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Bom Ano de 2013!


            Mais um ano que termina, mais um que começa.
Que apesar de todas as dificuldades que nos são apresentadas, saibamos fazer deste ano de 2013 um ano de oportunidades.          

A equipa do Psicologia Para Psicólogos deseja a todos os seus leitores um excelente ano de 2013!

Psicologia Para Psicólogos

domingo, 30 de dezembro de 2012

Passagem de Ano como Marco de Objectivos


Há sempre razões para se comemorar a passagem de ano.
São as mesmas que nos fazem festejar marcos de vida, como aniversários, graduações e/ou promoções. São objectivos que vão sendo alcançados, por nós ou pelos que nos rodeiam, e que, de alguma forma, não queremos deixar esquecer ou passar sem algum tipo de brilho.
A Passagem de Ano é, assim, o concretizar de um objectivo mais geral da sociedade: o festejar do ano que começa, celebrando o fim do actual.

Diria, do ponto de vista psicológico, que é uma altura com um forte cariz de introspecção. É a altura certa para o ponto de situação pessoal e para realizarmos a nossa avaliação do que foi, do que é e do que deve ser.
Assim, a razão fundamental para esse festejar este marco é a renovação da nossa atitude perante a vida. A renovação do queremos para nós, para os que nos rodeiam. O que queremos de diferente, o que queremos melhor, o que não queremos e o que queremos mais.
É perceber o que precisamos e o que temos e, principalmente, é perceber o que temos de fazer para alcançar o que queremos e como o fazer. Mas só percebendo bem o que temos é que vamos perceber o que precisamos. Esse tem sido o grande desafio de 2012: perceber bem o que se tem para não se precisar de mais, ou, nesse sentido, não se precisar mais do que se precisa efectivamente.

Em suma, devemos tentar fazer desta passagem, de um ano para o outro, uma forma de determinação em realizar objectivos pessoais, bem como construir objectivos importantes que se mostrem necessários ao nosso bem-estar. Este é o equilíbrio da realização pessoal, onde conseguimos pensar no que temos pelos objectivos pessoais já conquistados e, por outro lado, conseguimos delinear objectivos futuros para o que nos falta.

Que 2013 seja um ano de objectivos pessoais alcançados para todos!

Tiago A. G. Fonseca

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Percepcionar um Sorriso

Quero dar-vos algumas informações antes de atentarem à imagem que se segue:
- A imagem refere-se a um anúncio de uma conhecida marca de pasta de dentes;
- Os dentes são das primeiras partes do corpo para onde olhamos quando nos dirigimos a alguém;

Vejam agora a imagem.
(Carrega na imagem para a veres em tamanho real)

Em que repararam nas três imagens?
No grande sorriso dos intervenientes? Nos restos de comida nos dentes dos senhores?

E repararam que na primeira imagem, o homem não tem uma orelha?
E repararam que na segunda imagem, o braço que está por cima do ombro do homem pertence a alguém que não está na imagem?
E repararam que na terceira imagem, a senhora tem seis dedos na mão?
Sim, podem ir confirmar.

As informações iniciais são as oferecidas pelo anúncio quando este é visto, e servem para influênciar a nossa percepção, direccionando-a. São activados os mecanismos de selecção perceptiva baseados na informação disponível.

Um olhar mais cuidadoso iria ver os erros, mas iria demorar mais tempo que o normal, se as indicações iniciais fossem, apenas, descobre os 2 erros presentes em cada segmento da imagem.
 
Este é um exercício que nos diz muito sobre a percepção.
A primeira, é que a mesma é manipulável pelo meio e pelas informações neste disponíveis. Outra, é a forma como a nossa percepção segue uma padrão de acção baseado na experiência, mesmo que, e neste caso, não ver uma orelha ou ver um braço a mais ou mesmo um dedo a mais seja mais fácil do que uma simples mancha nos dentes de alguém.
 
No entanto, este anúncio serve o seu propósito. Fazer notar que é mais importante o sorriso de alguém do que outras falhas que, apesar de tudo, consideramos mais importantes do ponto de vista estrutural.

Tiago A. G. Fonseca

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

[The Naked Lunch]: No planeta seguinte vivia um bêbedo…


E como estamos em época natalícia deixo-vos um excerto de um livro que eu considero magnífico.

“No planeta seguinte vivia um bêbedo. Foi uma visita muito curta, mas que mergulhou o principezinho numa grande melancolia.
 - O que é que estás a fazer? – perguntou ele ao bêbedo que foi encontrar muito calado, diante de uma colecção de garrafas vazias e uma colecção de garrafas cheias.
- Estou a beber – respondeu o bêbedo, com um ar lúgubre.
- E porque é que estás a beber? – perguntou o principezinho.
- Para me esquecer – respondeu o bêbedo.
- Para te esqueceres de quê? – perguntou o principezinho, que já começava a ter pena dela.
- Para me esquecer de que tenho vergonha – confessou o bêbedo, baixando a cabeça.
- Vergonha de quê? – tentou informar-se o principezinho, cheio de vontade de ajudar.
 - Vergonha de beber! – concluiu o bêbedo, fechando-se definitivamente ao seu silencio.
E o principezinho foi-se embora, perplexo.
“Não há dúvida de que as pessoas grandes são mesmo muitíssimo esquisitas”, foi o que ele foi a pensar, durante a viagem.”

O principezinho, Antoine De Saint-Exupéry 

            Ana Nunes da Silva

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Feliz Natal 2012


            A publicação que abriu este blog referir a diferença entre o Ter e o Ser, aplicados à política, na sua rubrica própria.

            Esta é uma altura onde esta distinção está mais em voga, e que claramente, cada vez se torna mais importante. Ser e Ter, numa comunhão ideal, onde Ser é mais do que Ter.

Sem crenças associadas, apenas com a noção da culturalidade a esta data associada, o Psicologia Para Psicólogos deseja a todos os seus leitores um Feliz Natal!

Psicologia Para Psicólogos

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Da Psicologia: O Ser Bipolar


Todas as profissões têm vocabulário próprio. Este tende a ser utilizado na teoria e depois, adaptado à prática. A Psicologia não foge a isso. Mas aqui surge outro fenómeno: as palavras com um sentido em Psicologia e com outro no senso comum.
Problemas? Nas duas dimensões em separado, nenhum. Quando se dá a junção de ambas, isto é, em contexto psicológico (clínico, organizacional, etc), surgem as dificuldades de adaptação da linguagem, de percepção de significados e, de desconstrução dos esquemas elaborados devido a essas palavras.
Como irei ver isto? Pela comparação das definições encontradas no senso comum (por entrevista directa), contrapondo-as ao conhecimento Psicológico. Assim, surge mais um grupo de publicações a que chamarei "Da Psicologia".

A primeira desta série é o ser Bipolar.

Para o senso comum, encontrei que ser Bipolar é “mudar de estado de espírito muito rápido”, “ter variações de humor diariamente”, “fazer escolhas diferentes todos os dias, para as mesmas coisas” e ainda, “ser incoerente nas suas atitudes”.
A bipolaridade é assim vista, para o senso comum, como um eixo do humor individual, onde cada um desliza ao longo do dia, fazendo variar o seu humor e daí, os seus comportamentos. Mas não.

Afinal, o que é ser Bipolar? Segundo o DSM-IV (APA, 1994), a Perturbação Bipolar divide-se em 4 outras perturbações, sendo as duas principais a Bipolaridade Tipo I e a Bipolaridade Tipo II:
ᴪ “Perturbação Bipolar I é caracterizada por um ou mais episódios Maníacos ou Mistos, normalmente acompanhados de episódios de Depressão Major”.
ᴪ “Perturbação Bipolar II é caracterizada por um ou mais episódios de Depressão Major, acompanhados de pelo menos um episódio Hipomaníaco”.

Percebendo pelo vocabulário Psicológico/Psiquiátrico a complexidade da Perturbação Bipolar, podemos confirmar que ser Bipolar é mais do que uma “simples” alteração de humor, onde a variância ocorre entre estados de Perturbação Severa, Depressiva Major ou Maníaca/Hipomaníaca, numa perda de clara funcionalidade pessoal.

De forma humorística, a imagem a baixo mostra o que é tido como Bipolaridade, para o senso comum.
 

Tiago A. G. Fonseca

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

[Criminal-Forense]: Stalking: É crime?


Apesar do stalking ainda não ser considerado crime em Portugal, este tipo de comportamento já é criminalizado noutros países, como na Itália e nos Estados Unidos. Porquê tipificá-lo como crime?
Os actos persecutórios a que estão submetidas as vítimas podem ser diretos, como telefonemas continuados, ameaças, injúrias, perseguição e agressões físicas, mas também indiretos como causar danos à viatura, residência ou animais, utilizar a caixa de correio ou redes sociais, e enviar prendas não desejadas. Normalmente os ofensores são pessoas conhecidas da vítima, sendo que a maior parte das vítimas são do sexo feminino.
As vítimas de stalking temem pela sua própria segurança e pela dos outros à sua volta, podendo vir a sofrer de ansiedade. Alteram frequentemente os próprios hábitos, incluindo de residência, número de telefone, posto de trabalho, evitando sair sozinhas. Têm também dificuldade em pedir ajuda por medo, vergonha, esperança que acabe depressa ou por subvalorizarem o sucedido.
Estes comportamentos que têm como intenção controlar e limitar a liberdade à vítima podem ser vistos como “ciúmes normais” quando cometidos por um ex-companheiro ou tentativas de cortejamento, existindo assim uma descredibilização por parte dos agentes de autoridade e sistema judicial. No entanto, torna-se também difícil de reunir provas e definir o crime devido à multiplicidade de condutas que podem ser realizadas pelo ofensor.

Ana Lopes

sábado, 15 de dezembro de 2012

Os Psicólogos Marcam a Diferença (OPP)


No sentido de vincar a importância dos psicólogos nos diferentes contextos - clínico, educacional e organizacional -, a Ordem dos Psicólogos Portugueses promoveu “Os Psicólogos Fazem a Diferença”.


(Carrega na imagem para a veres em tamanho real)

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

[Temporário]: Contracto Psicológico


O contrato psicológico pode ser definido como as perceções que o trabalhador tem acerca das obrigações que a organização tem para com ele e das obrigações que este tem para com a organização (Rousseau, 1995). Assim, o contrato psicológico traduz-se num conjunto de crenças subjetivas, detidas por uma entidade em particular, e que não requer a concordância entre as duas partes envolvidas, distinguindo-se desta forma do contrato formal cujas obrigações estão escritas e são explícitas para o trabalhador e empregador.
Tendo em consideração a sua natureza idiossincrática, a principal relevância deste conceito reside no modo como o contrato e as suas características são percecionados e experienciados (McLean Parks, Kidder & Gallagher, 1998).
De acordo com Rousseau (1995), os trabalhadores derivam os termos do seu contrato psicológico de três maneiras principais: 1) através da visão que os colegas e supervisores têm das obrigações que existem entre o trabalhador e o empregador; 2) pela observação de como os colegas e supervisores se comportam e são tratados pela organização; 3) e por pistas fornecidas pela própria organização, tais como sistemas de compensação formais e benefícios. Deste modo, tanto as pessoas como as práticas de recursos humanos transmitem aos trabalhadores o que a organização espera deles e o que podem esperar em troca.

Com o constante aumento do número de pessoas que recorrem ao trabalho temporário, torna-se essencial perceber as diferenças entre o contrato psicológico destes trabalhadores e o contrato psicológico dos trabalhadores permanentes. Comparativamente com os trabalhadores permanentes, os trabalhadores temporários apresentam tarefas mais restritas, percecionando um menor número de obrigações. Assim, os trabalhadores temporários tendem a responder, de forma recíproca, a este desinvestimento por parte do empregador, não estando tão implicados com a organização e sendo menos propensos a manifestar comportamentos de cidadania organizacional (Coyle-Shapiro & Kessler, 2002).
No caso dos trabalhadores temporários de agência há que ter em conta a relação dual que estes estabelecem com a agência de trabalho temporário e com a organização cliente, onde estes desempenham as suas funções, e as potenciais diferenças entre os contratos psicológicos constituídos com cada uma das entidades. Por exemplo, os estudos mostram que os trabalhadores temporários manifestam maior implicação para com a organização cliente do que para com a agência (Benson, 1998; Van Breugel, Van Olffen & Olie, 2005).
A rutura do contrato psicológico, i.e. a crença por parte de um trabalhador de que a organização não cumpriu as suas obrigações para com ele, produz afetos negativos (Morrison & Robinson, 1997), reduz a confiança na organização (Robinson, 1996) e leva a uma diminuição do desempenho (Robinson & Morrison, 1995).
Por outro lado, o cumprimento do contrato psicológico está positivamente relacionado com o desempenho dos trabalhadores (Coyle-Shapiro & Kessler, 2002), com a implicação destes com a organização (Coyle-Shapiro & Kessler, 2000) e com comportamentos de cidadania organizacional (Robinson & Morrison, 1995), e tem uma associação negativa com a intenção de turnover (Turnley & Feldman, 1999).
Dado o potencial simultaneamente positivo e negativo do contrato psicológico, penso que as organizações devem ter cuidado nas mensagens que transmitem aos seus trabalhadores, bem como na gestão das expetativas dos mesmos para que possam colher os frutos do cumprimento dos contratos. Devem, no entanto, tomar especial atenção aos contratos psicológicos dos trabalhadores temporários, considerando o enriquecimento da função destes trabalhadores, por forma a aumentar a sua implicação com a organização.

Mafalda Espada

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

[The Naked Lunch]: Lei Contra as "Drogas Legais"


Nem de propósito! Na sequência do último post, enviaram-me esta notícia do jornal Público, onde é referido que o “IDT avança com lei contra as "drogas legais" nas smartshops até fim do mês”, portanto até ao final do passado mês de Novembro.
[Só um pequeno aparte - Para quem não sabe o IDT já não existe. Foi extinto e agora integra a Administração Regional de Saúde (ARS) e criou-se uma estrutura que é o SICAD (Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências), continuando a estrutura a ser presidida pelo Dr. João Goulão.]
Ao que parece a Região Autónoma da Madeira já tem legislação para esta matéria, apesar das reservas apresentadas pelo tribunal constitucional… e foi publicada pela assembleia legislativa dessa Região a 22 de Outubro do corrente ano. Pelo que pude perceber pelo artigo da revista “Dependências” de Outubro de 2012 (para os interessados esta revista encontra-se disponível no portal da saúde) “O regime legal criado institui uma suspensão de venda das novas substâncias, pelo período de 18 meses, obrigando que o interessado tenha de obter prova que as mesmas não acarretam risco para a saúde.”.
Neste sentido vem também o Presidente do SICAD, Dr. João Goulão, referir o avançar da proposta de criação de legislação por todos os riscos associados a estas substâncias, como já referido anteriormente. Aliás ele tem vindo nos últimos tempos a referir estes riscos, sendo que a última vez que o ouvi a falar sobre a gravidade desta situação foi no XXV Encontro da Taipas realizado no passado mês de Outubro. Contudo, não conheço, nem consegui encontrar referências ao conteúdo da proposta do SICAD, nem se vai no mesmo sentido da proposta da Região Autónoma da Madeira.
 
Não sei se ultrapassar o problema dos consumos, ou das dependências, passa exclusivamente pela legislação, mas pelo menos que os consumidores tenham total conhecimento dos riscos associados a estas substâncias.

            Ana Nunes da Silva


Segue abaixo o link da noticia.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

[Psicologia e Política]: Percepções


Numa publicação anterior (Realidade e Percepção), que fiz de forma livre, e por isso, não inserida nesta rubrica, está a introdução rápida para esta publicação.

A pergunta a que quero responder é, de forma simples, porque é que um indivíduo acha uma coisa e o indivíduo do lado acha outra?

A resposta, como já devem ter percebido, é Percepção.
Antes de mais, é importante entender que a Realidade, algo que se pensa universal e geral, é na verdade, uma Realidade Percebida. Ou seja, existe efectivamente uma realidade geral, que são os factos e as lógicas culturais (entre outros), mas a que nos rodeia, de forma principal e que se soma a esta universal, é uma realidade interpretada por nós, e não a dita universal. Esta interpretação envolve as nossas experiências de vida, a nossa personalidade, e as situações com as quais nos deparamos dia-a-dia. Esta é a razão de fundo para a diferença de opiniões.
Mas mais existem.
Todas as pessoas são diferentes. Todas são sujeitas a vários estímulos e factores. Mas estes são diferentes. A forma como cada um recebe uma notícia e a encaixam na sua percepção, é diferente. E, mais uma vez, as avaliações das consequências e causas, relativas a certa notícia geral, são, também elas, diferentes.

O estado do país é percebido por toda a gente de forma diferente. Dir-me-ão que o estado do país é igual para todos. Mas isso é falso. A percepção dele é diferente para todos. E esta é apenas a parte da dita realidade.
A parte consequente, a das medidas tomadas, é a segunda tomada de acção pela percepção, onde certas medidas farão sentido, e outras não, para a mesma dita realidade. As causas e consequências de certas medidas são tidas em conta de forma diferente por cada pessoa. Esta é a principal razão para a existências de partidos e/ou movimentos, de grupos e associações de objectivos comuns. Percepções individuais semelhantes, com interpretações e conclusões semelhantes, conjugadas entre si.
A aceitação desta diferença faz também parte da percepção. A forma como a liberdade de pensamento é tida para cada um, faz parte de como cada pessoa acha para si que as coisas em seu redor fazem ou não sentido.
Simplesmente há pessoas que preferem, de forma percebida, achar que a sua percepção é melhor percebida do que a percepção dos outros.
Percebem?


Tiago A. G. Fonseca

sábado, 8 de dezembro de 2012

Motivações para a Psicologia #02


Numa segunda fase, temos quem, já estando a aprender Psicologia, esteja agora no 2ºano, a encarar a continuidade no curso e nesta aprendizagem. Deverá começar a crescer o sentido de responsabilidade e o pensamento da coerência da escolha e das suas consequências.

Assim, desta vez, a questão que coloquei a duas estudantes de Psicologia foi:

Psicologia. Porque continua a fazer sentido?

Eis as respostas:

Ana Mesquita, 2ºAno, Mestrado Integrado em Psicologia
Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa
Primeiro que tudo, Porquê Psicologia? Penso que porque voltei a sentir a típica curiosidade da criança, quando tenta encontrar explicação para tudo. Ao olhar à minha volta via que precisava de perceber porque é que o ser humano pode ser cruel, invejoso, vingativo, na mesma medida em que pode ser atencioso, prestável e generoso. Foi, sem dúvida, uma escolha egoísta, numa tentativa de encontrar as respostas às questões que tanto me inquietavam.
            O primeiro ano foi um alargar de horizontes, um descobrir a essência da Psicologia e tudo aquilo a que se aplicava. O que antes era um mundo de ciências como a Física ou a Biologia, tornou-se muito mais um mundo de motivações, de crenças, de aprendizagens e, no fundo, de comportamentos explicáveis.
            O segundo ano é o continuar de uma jornada definitiva no meu projecto de vida. É, mais do que antes, perceber que a escolha fora a correcta, que o que antes queria era só uma sombra do que poderei vir a ter (e ser), e é, uma vez mais, e desta mais afincadamente, afirmar que a Psicologia é “a minha praia”.
            E porque continua a fazer sentido? Porque o ser humano é um indivíduo, mais até que um ser biológico, e porque esta percepção, mais do que revoluciona, fascina. Porque cada cantinho do mundo é influenciado por nós, e o facto de poder perceber um pouco do que nos move, é perceber mais um pedaço, ainda que quase insignificante, desse mundo que também é nosso. Faz sentido porque continua a ser-me imprescindível uma maior compreensão dos outros e, acima de tudo, de mim, enquanto indivíduo genérico e enquanto eu, passado, presente e possível futuro.

Filipa Vieira, 2ºAno, Mestrado Integrado em Psicologia
Instituto Superior de Psicologia Aplicada
Porque sim! Porque é bom sentir que consigo com algumas palavras ajudar bastantes pessoas a conseguirem continuar com as suas vidas. O meu primeiro ano não me fez adquirir grandes conhecimentos, mas neste 2º ano estou a aprender muito mais e estou a ficar mais contente com o curso. Mas sim, basicamente aquele é o meu motivo: ajudar as pessoas através de palavras e de apoio! Faz-me sentido, não sei explicar melhor.

Que vos parece?

Tiago A. G. Fonseca

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Pós-Graduação: Intervenção Cognitivo-Comportamental (15.12.2012)


PÓS GRADUAÇÃO EM INTERVENÇÃO COGNITIVO-COMPORTAMENTAL
III EDIÇÃO*
COIMBRA | 15 de Dezembro de 2012


ENQUADRAMENTO:
-Esta Pós-Graduação visa a prática profissional no âmbito muito específico da psicoterapia, estando especialmente desenhada para profissionais possuidores de habilitação prévia para este tipo de intervenção clínica.
-O Curso tem como objectivo geral a aquisição, o desenvolvimento e o aprofundamento de conhecimentos necessários sobre os principais quadros Psicopatológicos no que se refere a diagnóstico, classificação, avaliação e intervenção cognitivo-comportamental, para uma intervenção enquadrada nas boas práticas da Psicologia Clínica.
-Formação de acordo com protocolos de tratamento empiricamente validados.
-Exploração de situações clínicas. Conceptualização e discussão de Casos Clínicos.   

DESTINATÁRIOS:
Estudantes finalistas Universitários e Profissionais na área da Psicologia; Licenciados e Profissionais na área da Psiquiatria e Internos de PedoPsiquiatria; Estudantes finalistas e Profissionais na área da Pediatria; Técnicos da área da Saúde Mental e áreas afins.

COMPETÊNCIAS A ADQUIRIR:
-Formação científica completa, rigorosa, actualizada e prática em Psicopatologia e Psicoterapia -Cognitivo-Comportamental.
-Competência de avaliação clínica, diagnóstico e diagnóstico diferencial
-Competências técnicas específicas de avaliação e intervenção.
-Capacidade de avaliação dos resultados da intervenção.
-Desenvolvimento de capacidade reflexiva crítica. 


 

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*Os 3 primeiros leitores a enviarem via email (psicologiaparapsicologos@gmail.com) ou via facebook uma mensagem com o seu Nome e Indicação de Participação, ganham um desconto de 50% no valor total do curso (excluindo o valor da inscrição)

Pós-Graduação: Psicologia Forense (15.12.2012)

PÓS GRADUAÇÃO EM PSICOLOGIA FORENSE*
COIMBRA | Início a 15 de Dezembro de 2012


OBJETIVOS:
-Identificar os campos de atuação da Psicologia Forense e Criminal.
-Caracterizar o fenómeno da criminalidade, tendo presente a diversidade inerente aos vários tipos de crime, seus agressores e suas vítimas.
-Promover competências no planeamento, execução e avaliação de planos de intervenção nos contextos do comportamento desviante e da criminalidade.
-Identificar os aspetos éticos e deontológicos associados a esta área científica.
-Desenvolver competências relativas à investigação, aferição e validação de provas de avaliação psicológicas adequadas às necessidades do trabalho efetuado no âmbito das populações/amostras forenses e criminais.

COMPETÊNCIAS A ADQUIRIR:
Dotar os profissionais de conhecimentos, competências e capacidades para uma atuação técnica e ética na abordagem de solicitações de perícias psicológicas forenses. 

DESTINATÁRIOS:
Estudantes universitários e profissionais nas áreas da Psicologia, Psiquiatria, Serviço Social e outros estudantes ou profissionais com interesse na área que procurem obter competências profissionais especializadas para responderem às necessidades apresentadas por Instituições do Sistema de Justiça bem como por organismos de prevenção ou apoio a vítimas de crime.




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*Os 3 primeiros leitores a enviarem via email (psicologiaparapsicologos@gmail.com) ou via facebook uma mensagem com o seu Nome e Indicação de Participação, ganham um desconto de 50% no valor total do curso (excluindo o valor da inscrição).

Parceira: Associação Central de Psicologia


            É com muito agrado que o Psicologia Para Psicólogos anuncia a sua parceria com a Associação Central de Psicologia!
            Esta parceria traz consigo várias ofertas para os nossos leitores, ao nível das formações por si organizadas.
            Acompanhem a Associação Central de Psicologia no seu site e/ou no seu facebook.


 
Psicologia Para Psicólogos

Workshop: Performance Change Management (11-12.12.2012)


PERFORMANCE CHANGE MANAGEMENT
Workshop dias 11 e 12 de Dezembro de 2012

A gestão da mudança no sentido da implementação de culturas de elevada performance e produtividade implica intervir de forma sistémica, dando continuidade a diferentes projectos sob a forma de programas com um mesmo fim: mudar comportamentos e induzir melhores resultados!

Destinatários: Gestores globais, de áreas funcionais ou de equipas e profissionais ligados à gestão de recursos humanos.

Objectivo: Transmitir conceitos, boas práticas internacionais e experiências relacionadas com a gestão da mudança para a implementação de “culturas de resultado”, onde os processos de definição e avaliação de objectivos, feedback, incentivos, mapeamento de potencial e desenvolvimento de competências são integrados numa perspectiva sistémica, promovendo mudanças culturais performance driven com impacto em toda a organização.

PARA MAIS INFORMAÇÕES CONSULTE O ANEXO OU VÁ AO SITE WWW.HUMANPERSI.PT



 
















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