sexta-feira, 28 de março de 2014

[Auto-cuidado]: Estar triste ou contente.


Estar triste ou contente, uma questão de foco?

Num período em que cada vez mais as pessoas se focam nas coisas más, nas notícias desanimadoras que recebemos na rua ou nos jornais, no que ainda falta fazer, em todos os sonhos que queriam alcançar e no facto de não o conseguir, proponho uma reflexão.

O que é diferente em nós quando estamos tristes ou contentes? Peço-lhe que pense um pouco nas diferenças que encontra nas situações que se lembra da sua vida. Penso ser um pouco comum que quando estamos tristes achamos que não somos capazes de fazer algo diferente, não temos esperança em que as coisas melhorem, não temos vontade de falar com as pessoas, nem sabemos como o fazer, não pensamos de uma forma desafiadora em sonhos. Quando estamos contentes tudo parece mais fácil, as pessoas falam connosco sem que tenhamos de fazer algo para que isso aconteça, as conversas acontecem de forma espontânea, parece que vemos sorrisos à nossa volta e temos vontade de transformar as caras tristes.
Porque não pensar em transformar a também a nossa cara triste? Não lhe peço para fingir que está tudo bem, para entrar num mundo imaginário em que só acontecem coisas boas. Peço-lhe sim para dar atenção também às coisas boas que lhe acontecem, para as equilibrar com as coisas menos boas, para ter um papel activo no seu próprio bem-estar. É como se tivéssemos uma balança dentro de nós, onde precisamos de colocar peso num dos pratos para se equilibrar e sentirmo-nos melhor. Se respeitarmos o que estamos a sentir e nos acarinharmos quando estamos tristes, podemos ganhar maior noção do que precisamos e movimentar recursos para satisfazer aquilo que precisamos nesse momento. O que precisa neste momento? O que acalmaria aquilo que está a sentir? O que pode fazer por si? Que prenda pode dar a si próprio/a?
Caminhos diferentes podem levar a destinos diferentes, só não levam se não tentarmos. E se não tentarmos, chegaremos ao mesmo destino a que temos sempre chegado, um destino que estamos cansados de conhecer, e que não nos traz novidade. Incluir novidade na sua vida pode ser uma forma de sair da rotina monótona e triste em que tem estado, pode ser o combustível que precisa para mudar um dia de cada vez, para sair de casa com mais força, para responder melhor quando alguém fala consigo.
Desafie-se a si próprio e às velhas formas de pensar. Será mesmo que nunca teve conquistas? Será mesmo que ninguém gosta de si? Tem assim tanta certeza de que as coisas não poderão ser diferentes? Quais serão as consequências de pensar de uma forma derrotista? Vamos fazer diferente amanhã?

Ana Sousa

quinta-feira, 27 de março de 2014

Nova Autora: Andreia Rosa!


O Psicologia Para Psicólogos dá as boas-vindas à nossa nova autora, Andreia Rosa!

Andreia Rosa, é mestre em Psicologia dos Recursos Humanos, do Trabalho e das Organizações pela Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa.
Actualmente desempenha o cargo de consultora na Egor Formação, tendo já trabalhado como consultora na TMI Portugal e na Consulting House.
A Andreia foi, também, recentemente, oradora convidada da actividade Eu e o Mercado de Trabalho.

Psicologia Para Psicólogos

segunda-feira, 24 de março de 2014

Evento: Eu no Mercado de Trabalho, dia 25 de Março, Sala 11


Novas Autoras!


É com muito prazer que o Psicologia Para Psicólogos dá as boas vindas a mais 2 autoras!

Marta Marchante, Mestre em Psicologia Clínica e da Saúde de Psicoterapia Cognitivo-Comportamental e Integrativa, pela Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa. É atualmente Técnica Superior no Gabinete de Estudos e Observatório de Empregabilidade da Ordem dos Psicólogos Portugueses e coordenadora dos projetos Ser a Brincar e Frenesim.

Ana Sousa, concluiu o Mestrado Integrado em 2009 na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Lisboa, na área Psicologia Clínica e da Saúde (Pré-especialização em Psicoterapia Cognitivo-Comportamental e Integrativa). É formadora certificada e tem desenvolvido trabalho de formação e intervenção em contexto comunitário, nomeadamente ao nível da capacitação de populações desfavorecidas e do trabalho clínico e formativo com pessoas em situação de desemprego. Actualmente encontra-se a desenvolver trabalho psicoterapêutico com adultos e grupos em consultório privado.

Obrigado pela vossa vontade de colaborar!

Psicologia Para Psicólogos

domingo, 23 de março de 2014

Síndrome de Asperger


Síndrome de Asperger.

Encontrei este pequeno filme no youtube que pode ajudar a esclarecer alguns pontos.

No entanto, acrescentava um que, apesar de não ser dito directamente, a situação relatada no filme mostra. O personagem do filme não fala directamente com a pessoa a quem ele quer entregar esta mensagem. No entanto, arranja forma de o fazer. Isto, pois as relações interpessoais e todo o contacto humano são também dificultados por este síndrome.
 
 
Numa próxima publicação, mais informações sobre o Síndrome de Asperger.

Tiago A. G. Fonseca

domingo, 16 de março de 2014

A Sociedade Evolui...


A sociedade evolui no sentido da adaptação do geral.
Pode nem sempre o perceber, ou, principalmente, pode nem sempre ser percebida dessa forma. Mas o que é certo é que existe sempre, em todas as gerações, homens e mulheres que se dedicam a avançar com o que é conhecido, promovendo mudança e desenvolvimento pessoal e humano através do dia-a-dia.
Basta que se alterem as leis que regem os Homens, as formas de uso dos materiais que toldam e moldam o quotidiano, a psicologia do pensamento que nos torna pessoas deste ano numa determinada comunidade e sociedade.
São pequenas ou grandes mudanças, inovações, que nos trazem ao pensamento diferenças de funcionamento que irão toldar a forma como pensamos e sentimos as coisas.
A forma como nos preocupamos com os outros, como emocionamos o que os outros ou nós próprios vivemos, a forma como exprimimos o que sentimos e pensamos, e a forma como vivemos a sociedade depende de um todo, poucas vezes percebido como tal. Mas se não fosse a sociedade, metade das nossas aprendizagens directas, sem o percebermos, não eram como as conhecemos. Eram diferentes. E cada uma de nós, era diferente, e actuava e agia de forma diferente.
É importante perceber que cada comunidade, cada sociedade, é um conjunto de pessoas que partilham objectivos, ideias, rotinas, mas que, apesar de tudo, são diferentes entre si, e todas têm virtudes e defeitos, problemas e soluções.
Sozinhos valemos. Mas juntos, valemos muito mais.

Tiago A. G. Fonseca

quarta-feira, 12 de março de 2014

[Comboio do Desenvolvimento] Fases, etapas, níveis, estádios...


Fases, etapas, níveis, estádios… do Desenvolvimento Psicológico

No ano que passou, o nosso comboio - lembram-se dele? – foi-nos conduzindo a algumas dimensões relativamente consensuais do desenvolvimento psicológico,  enquanto experiência de si e do mundo que vamos activamente construindo ao longo do tempo de vida e não simplesmente porque se vai acumulando e escoando esse tempo que vivemos. Vimos também como J. Piaget conversava com as crianças e como pode mudar, no tempo, o pensamento e/ou conhecimento, por exemplo, sobre a idade das pessoas.
Mas, o que serão então essas mudanças, que Piaget, Freud, Gesell, Wallon, Erikson, entre outros, designaram estádios, níveis, períodos, fases…do desenvolvimento psicológico? Dito de outro modo, o que distingue, de facto, as mudanças que interessam os psicólogos do desenvolvimento?

A observação da conduta humana (e também dos outros animais) mostra como ela é intrinsecamente mutável. Mudam os nossos movimentos, as expressões faciais e a postura corporal. Mudam as nossas aprendizagens, os conhecimentos e pensamentos. Mudam as motivações e emoções, os afectos e sentimentos. Muda a linguagem, a forma de comunicar e as relações que construímos com uns e com outros… Enfim, o que designamos comportamento é, de facto, um continuum de acções de interacção, uma sucessão de respostas a estímulos e contextos que vamos encontrando e que vão também mudando, é tudo o que experimentamos e/ou fazemos, momento a momento, para nos adaptarmos ao mundo.
Porém, há muito que os homens se aperceberam que não podiam descrever e compreender o comportamento humano (e animal) como um todo. Porque a nossa capacidade teórica e metodológica é limitada e precisamos de encontrar critérios que nos permitam dividir esse fluxo de actividade e ir, pouco a pouco, analisando e interpretando só alguns dos seus componentes.
A consulta de qualquer manual de Psicologia, a organização curricular dos cursos de Psicologia ou mesmo as especialidades de formação dos psicólogos mostram, por exemplo, a divisão do comportamento em diferentes domínios, diferentes perspectivas teóricas ou diferentes formas de organização da acção. Porém, a conduta que designamos cognitiva é, de facto, indissociável daquela que designamos perceptiva, motora, emocional ou social. A relação de uma resposta às suas consequências é, de facto, indissociável da relação dessa mesma resposta aos estímulos que a induziram, ou às condições sociais ou emocionais de quem a produz, ou a muitos outros motivos que vão despertando o interesse de diferentes investigadores, em diferentes momentos da história da nossa disciplina.

Enfim, é a curiosidade e a vontade de estudar do comportamento que introduz divisões artificiais numa actividade que é sempre mutável, mas indissociável, interligada, e qualquer critério de compreensão científica desse continuun de mudança comportamental é sempre, e necessariamente, reducionista, limitativo.
Ora, as mudanças que interessam os psicólogos do desenvolvimento parecem superar as limitações inerentes à própria investigação científica e legitimar uma divisão natural, realista e consensual, de diferentes períodos, etapas, níveis ou estádios da ontogénese do comportamento humano. Porquê? 
Porque a simples observação do crescimento e maturação física mostra a evolução do bebé, á criança, ao adolescente, ao adulto e ao idoso, oferecendo assim uma sucessão objectiva de mudanças, cumulativas e qualitativas, que legitimam a divisão do ciclo de vida do organismo em diferentes idades, fases, períodos, etapas comuns a todas as pessoas.

Porque as mudanças fisiológicas, que vão marcando o ciclo de vida do organismo, estão aparentemente associadas à emergência de mudanças do comportamento, sucessivas, qualitativas e cumulativas, que são também relativamente universais ou comuns à maioria das pessoas, o que poderá também legitimar uma divisão natural, realista e consensual, do ciclo de vida das pessoas em diferentes fases, períodos, etapas, níveis ou estádios do desenvolvimento psicológico.  
E porque, desde há muito tempo, a observação dessa sucessão de mudanças induziu práticas educativas, sociais e culturais diversas e relativas a cada uma dessas fases, períodos, etapas, níveis ou estádios de crescimento físico e desenvolvimento psicológico.
Mas, será que a delimitação destas fases, períodos, etapas, níveis ou estádios do desenvolvimento psicológico tem sido, de facto, consensual e comum à maioria das pessoas, das sociedades e até dos investigadores da psicologia do desenvolvimento?
Por hoje, deixo os meus leitores, e particularmente os psicólogos, reflectirem sobre esta questão que parece tão simples, mas que continua, ainda hoje, a alimentar o debate científico na nossa disciplina.

Maria Stella Aguiar

segunda-feira, 10 de março de 2014

Da Psicologia: Rótulos, Estereótipos e Esquemas


Em termos sociais, os rótulos são as etiquetas usadas para definir alguém ou um grupo, algo ou um conjunto. Porque ocorre? Por associação directa à sua utilização anterior.
Assim, cada vez que um rótulo é utilizado, o sentimento, pensamento e comportamento associado ao que é rotulado, ocorre de forma mais célere, sendo mais fácil, para quem rotula, agir.

O que significa isto?

Um rótulo é um estereótipo. Uma ferramenta cognitiva que diminui as ligações psicológicas para sentir, pensar e agir, permitindo uma actuação com menos custos. No entanto, este funcionamento, assente em esquemas, pode ser funcional ou não funcional.
Quando este esquema assenta em preconceitos, a reação gerada pelo funcionamento esquemático daquela derivação nem sempre é a mais benéfica para a conclusão desejada à nossa interpretação. A situação em causa é interpretada de forma enviesada, e como o sentir, pensar e agir é célere e com baixos custos e recursos cognitivos, não é discutido e debatido psicologicamente o esquema a utilizar. É, assim, utilizado o esquema mais acessível, o do estereótipo em causa, e a acção é directa, sem passar por um filtro de controlo.
Se na maioria das vezes os estereótipos e esquemas são ferramentas essenciais da acção Humana, noutras vezes são situações de conclusão errónea para o ser Humano e, por isso, não adaptativas.
Mas não se enganem. É preciso querer que a adaptação ocorra. Se o erro for de bom grado para o próprio, por muito que seja perceptível a incorrecção do sentimento, pensamento ou comportamento, ele será mantido.
Mudar custa, mas faz bem.

Tiago A. G. Fonseca

sexta-feira, 7 de março de 2014

[Mudança]: Isaac Newton era Agricultor


Isaac Newton era agricultor
- Como pode surgir o foco na criação de projectos sociais? -

“Que a tua vida não seja uma vida estéril. – Sê útil. – Deixa rasto. – Ilumina, com o resplendor da tua fé e do teu amor. “
S.Josemaria Escrivá Caminho, n.1
Temos também em nós a natural mutilação de ideias, também somos nós os comedores de rasto. É aceite pela sobrevivência e pela luta contra o tempo-urgente: precisamos do chão de agora, do número e da data, do terreno fértil e da festa de inauguração.
Na concomitância, existe a espera, a criação, o encontro e o acaso, que são vizinhos e que às vezes dão-se mal.

Escuto-me.

As partículas de luz esperaram pelo acaso; apareceu o significado depois do encontro. Analogamente falo das ideias e da grande responsabilidade a que nos sujeitamos: sermos o motor que escolhe o agente, o objecto, a acção e a razão.
Tal como a luz, não se cria autoritariamente nenhuma lei, nenhuma ligação, nenhuma mudança. Colabora-se, com o encanto da atenção e da disponibilidade.
Naturalmente, se quisermos ser preconizadores de ideias, podemos pensar neste caminho: as pessoas procuram o encanto das raízes, do ser-aqui. A vivência de ser-aqui e não de ser-em-qualquer-sítio, do seria-igual-em-qualquer-sítio ou da vigência de se ser. As pessoas procuram através da sua natureza exploradora e existencial a forma de conhecer a história e a cultura, de se conhecerem e de se desenvolverem com a responsabilidade desse conhecimento. Reconhecerem a responsabilidade e a ideia. Respeitarem a alma, que só pode funcionar num único mundo de uma forma única, a alma como nuvem irrepetível e irreparável. A alma de estar, de ser, de crescer e de criar, que existe com alguém para este sítio e para este momento, como um júbilo do cosmos.
Por isso, que a questão do foco não nos atemorize. Onde está o foco? Treme a ciência, a investigação e os relatórios de projecto. Assustar-me-ia se perdesse eu um dia num jardim o motor que liga as ideias e as transforma numa e depois noutra.
Tudo o que já conhecemos e que respeito, porque foi, acredito, encontrado e criado para existir também - os prazos e a definição – dão-nos o prazer do movimento ao calendário; e esse prazer pode depois ser vazio, onde ao conseguir respeitar o número acaba depois o ventre do tempo. Para mim são essas as metástases da criação sem alma, sem vida e sem história.
Se a sobrevivência pede a definição, a definição também pede as raízes, a terra segura, quente e confortável, o sentimento de ter sido criada para ali e não para outro sítio. Chamo-lhe identidade.
Chamo-lhe conhecer de dentro para fora e repito a semântica: a história, a cultura, a primeira arte, as raízes, o encanto do bairro, o brilho do chão, as danças de anos, os sabores que se lêem, os instrumentos que se estudam, o tempo que não é dia nem é noite.
Porque acredito nas emoções e no compromisso com a humanidade, acredito também que a economia, a matemática e as leis da física são uma forma de sensibilidade. A economia avança também através da atitude emocional, de um trabalho reflexivo enérgico e sensível.
Também Newton estudou filosofia e teologia e depois viu e sentiu a maçã; pensou sobre a maçã; comeu a maçã. Também ele estava atento aos estímulos, à natureza, ao redor, ao redor de dentro. E teve ele a oportunidade para questionar mais e ficar encantado com isso, atento e disponível para o que o distanciava das leis.
Acredito, eu, que optar pelo poder de escolher, de limitar, de criar apenas no que conhecemos e para o que conhecemos pode funcionar se vivermos confortáveis com a hipótese escolhida. Mas também podemos finalmente ver coragem e ligar estímulos que viajam connosco para outra língua e para outros símbolos. O significado nasce e viaja e somos nós o seu veículo; e somos nós parte do motor.
Não posso ser mais objectiva, quando quisermos falar de foco. O foco é o momento certo e esse sabemos que existe, sabemos que o conhecemos e sabemos que é alcançado também através de encontros pela metodologia de contacto e de descoberta humana que se chama Intuição.
Quando um homem cria um objectivo e escolhe um foco, obriga-se a ser magnânimo. E pode ser. Mas as pequenas coisas estão neste momento a perder os olhos que as vêem e que se renovam sempre maiores quando trabalhamos com pessoas.
Aqui, quando acordamos, percebemos que foi criado o novo verbo.

Ana Rita Caldeira da Silva

terça-feira, 4 de março de 2014

O Contacto Humano


Estive sem acesso ao meu computador durante o fim-de-semana.
“Férias” pensariam alguns. “Algum descanso”, deveria eu pensar.
No entanto, não foram dias fáceis.
É extraordinária a diferença entre simples coisas do dia-a-dia. A dificuldade que é trabalhar, jogar, obter lazer por ver séries ou jogar algo.
Mais extraordinário quando as dificuldades seguintes ocorrem ao nível da comunicação, nossa com o mundo, do mundo connosco, da nossa obtenção de informação e consequente actualização nossa do que se passa no país e no mundo.

As relações interpessoais evoluíram, claramente, para passarem pela internet. É algo assustador. Não deixei de falar. Não estive isolado. Mas o sentimento que de algo faltou, está lá e bem presente.
Resta-me nunca esquecer que as relações humanas são feitas de contacto, presencial e vocal, de toque e experiência, onde duas pessoas devem interagir. Mais do que virtualmente, humanamente e presencialmente. A internet facilita imenso, sem dúvida, e sem ela, tendo em conta como evoluímos, a nossa vida seria muito, mas muito diferente. Tanto que deixo um desafio a qualquer um. Querem perceber como evoluímos dependentes da tecnologia? Desliguem, por 2 dias, o computador, a televisão e o telemóvel. Vivam. Aproveitem para lembrar e nunca esquecer que o contacto humano é que nos faz evoluir.

Tiago A. G. Fonseca

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

[Coisas da Percepção]: Datas...

            Os dias funcionam como triggers.
            Activadores de esquemas, potenciadores de crenças e as percepções seguem-se.
         Realizam-se associações, recordam-se eventos, comportamentos, pensamentos e sentimentos que apenas são associados a tudo, excepto ao que os fez surgir: o canto do monitor com a data.
         A data, essa, pode nem ser a mesma. O ano é outro, o mês poderá ser diferente. Mas o que faz disparar os sentidos da mente, raramente, é linear. Coerente, sim. Mas nunca linear.
          Tudo é resultado da percepção. Umas mais funcionais que outras, umas mais emotivas do que outras, mas todas com o papel de alterar o nosso presente psicológico.
            Uns dirão que se devem controlar. Outros dirão que devem ser vividas.
        Eu cá digo que controlando-as, disfarçamos o seu efeito; vivendo-as, potenciamos a sua acção. Aceitar e integrar, parece-me o indicado.

            Tiago A. G. Fonseca

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Dia dos Namorados, por Ana Catarina Ferreira

Nos dois primeiros anos do meu namoro importei-me com o Dia dos Namorados, surpreendendo-me a mim mesma, que sempre o considerei apenas mais um dia.
Nos anos seguintes voltei a reconhecer a pessoa pouco romântica que há em mim, voltando a considerá-lo apenas o dia 14 de Fevereiro.

Afinal, teria Pascal razão? Tem o coração razões que a própria razão desconhece?

Eric Fromm (2002) distinguia vários tipos de amor, entre os quais o amor erótico, “o desejo de uma fusão completa, de uma união com uma outra pessoa”; e o amor maturo, “uma união sob a condição de preservar a integridade e a individualidade de cada um”.
Na verdade, parece haver algum consenso em Psicologia sobre a existência de duas categorias de amor: o amor romântico e o amor companheiro.

Durante a fase inicial, o amor romântico (“apaixonar-se”), há emoções intensas, tumultuosas e algumas vezes contraditórias (Gleitman, Fridlund & Reisberg, 1981/2011) e o nosso cérebro liberta oxitocina, vasopressina e dopamina, responsáveis pela construção de laços emocionais e pela vinculação (Zeki, 2007). Parece haver então uma forte necessidade de proximidade do outro, alterando até todas as leis da matemática, sendo usual ouvir as pessoas dizerem que 1+1=1.
Passado este pico emocional e químico, existe o amor companheiro, tornando-se mais relevantes a confiança, o interesse reciproco pelo bem-estar do outro e a semelhança de perspectivas. Nesta altura parece haver um equilíbrio entre a necessidade de Proximidade do outro e de Diferenciação dele, passando 1+1 a igualar 3, eu, tu e nós: “O amor faz com que o homem ultrapasse a sua sensação de isolamento e de separação e, no entanto, permite-lhe ser ele mesmo, manter a sua integridade. No amor dá-se um paradoxo: dois seres transformam-se num só e, no entanto, continuam a ser dois” (Fromm, 2002).
Ainda assim, não se preocupem os românticos, pois podem sempre existir picos de paixão. A propósito, este ano fiz bolachas em forma de coração.
Feliz Dia dos Namorados!

Ana Catarina Ferreira
(participação especial)

Bibliografia:
Zeki, S. (2007). The neurobiology of love. FEBS letters, 581(14), 2575-2579.
Gleitman, H., Fridlund, A. J., & Reisberg, D. (1981/2011). Psicologia (9.ª ed.) (D. R. Silva et al., Trads.). Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian.

Fromm, E. (2002). A Arte de Amar. Cap.2: A Teoria do Amor, pp. 17-86. Lisboa: Pergaminho.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

[PREVENIcaNDO]: Quantos Lados Há?


Todos aqueles que trabalham com grupos, todos os que trabalham em contextos sociais desfavorecidos, todos os que trabalham com populações de risco já se confrontaram com a necessidade de se posicionarem. És dos nossos ou estás contra nós? Dás a cara ou passas despercebido? Intervir com grupos de risco coloca-nos numa posição estranha de nos identificarmos com eles. Como aprendi há uns largos anos atrás, as instituições que trabalham com populações segregadas, acabam de algum modo por ser encaradas como marginais, necessárias, talvez mesmo até nobres, mas regendo-se por regras necessariamente mais próximas da sua população do que da população em geral. Esse é o preço da proximidade e é um preço importante de se pagar em função do que é importante ser feito, numa sociedade em que o bem-estar colectivo é responsabilidade de todos.
Daí que pensar sobre o assunto, fazer pensar, é essencial no processo preventivo. Se vos dissesse que vos daria a possibilidade de descarregar um problema nas costas de alguém, vocês aceitariam? Se vos desse um autocolante e vos dissesse que esse autocolante era um problema e que vocês poderiam escolher alguém em quem o descarregar, aproveitariam? A dinâmica é simples. Todos os jogadores recebem um autocolante e por um período muito curto de tempo podem livrar-se do seu problema, desde que seja nas costas de alguém. E o que é que acontecesse? Alguns recusam-se a fazê-lo porque não querem sobrecarregar ninguém com o seu problema. Outros encaram a regra com entusiasmo e procuram activamente descarregar o seu problema, nos vizinhos, nas pessoas com quem têm mais à vontade, ou simplesmente em quem calhar. Por vezes no entusiasmo de descarregar colocam-se sem posições desfavoráveis e tornam-se alvo das descargas dos outros. Em consequência… uns acabam com mais problemas nas costas do que outros. Normalmente essas pessoas são aquelas que no momento indicado estavam no centro do grupo, acessíveis… Enquanto outras estavam na zona periférica do grupo, estrategicamente ou não, menos expostas… E a reflexão decorre com constatações e consciencializações que preparam os jogadores para uma nova rodada de problemas. Desta vez, aqueles que têm mais problemas nas costas estão mais limitados na sua movimentação. São mais lentos ou até mesmo estáticos, estão cegos ou impossibilitados de se defenderem. Esse é o peso dos problemas. Limitam-nos. O jogo prossegue porque há sempre novos problemas para descarregar. E com a aprendizagem anterior os jogadores entregam-se à dinâmica. E após nova descarga a reflexão regressa. Por vezes o centro do grupo esvazia-se porque se sabe que quem se põe a jeito apanha com mais problemas. Outras vezes os jogadores sobrecarregados recebem mais uns quantos problemas porque “assim como assim” eram quem estava mais à mão de semear. Outras vezes ainda alguns jogadores percebem que podem trocar problemas dando o seu em troca do outro. E a compreensão estabelece-se que os problemas, quando bem distribuídos não representam sobrecarga para ninguém. E que o medo irracional do mal que os outros nos podem fazer torna-nos jogadores ferozes que se protegem dos outros e se possível se livram do que os sobrecarrega.
E, finalmente, se jogássemos este jogo em grupo, cada um deles com os seus elementos frágeis, lentificados ou paralisados, cegos ou impossibilitados de se defenderem, o que é que aconteceria. Alguns grupos escolheriam estes elementos como alvo nas equipas adversárias. Outros protegeriam os seus elementos frágeis abdicando do ataque aos outros, outros ainda encontrariam estratégias para que todos pudessem ser parte activa quer no ataque quer na defesa. Mas nunca, mesmo nunca, vi duas equipas trocarem de problemas dando o seu em troca dos outros.
E quando pensamos sobre isto é inevitável pensar de que lado estamos? Do nosso, do deles ou do de todos? Do lado de dentro ou de fora? Na frente ou atrás? Acima dos outros, ao lado ou abaixo? Ou conseguimo-nos ver entre lados, equidistantes, preenchendo vazios, ligando partes?
Como nos posicionamos para ajudar? Ensinamos estratégias de defesa ou de ataque? Motivamos para novas batalhas? Acolhemos as descargas que resultam da revolta, da marginalização, do sentimento de injustiça? Ou ajudamos a crescer num mundo onde os problemas se descarregam mais do que se partilham?


Raúl Melo

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

[Grandes Nomes]: Sigmund Freud (1856-1939)

Sigmund Freud nasceu a 6 de maio de 1856 em Freiberg, na Morávia (actualmente Pribor, na República Checa). Quando Sigmund Freud tinha quatro anos de idade, ele e os seus pais mudaram-se para Viena, cidade onde permaneceu por quase 80 anos. Grande parte da sua teoria possuía base autobiográfica, resultante das experiências e recordações da própria infância.
Freud apresentava características como autoconfiança, ambição, o desejo de grandes realizações e o sonho de fama e glória. Ele disse ”um homem que foi sem dúvida alguma o preferido da mãe mantém durante a vida o sentimento de um conquistador e a confiança no êxito que muitas vezes induz à concretização do sucesso”.
Entrou na escola um ano antes do habitual e era considerado um aluno brilhante, formando-se com distinção aos 17 anos. Falava alemão e hebraico, estudou Latim, Grego, Francês e Inglês. Além disso, estudava sozinho Italiano e Espanhol. Exposto à teoria de Darwin, interessou-se pela visão científica do conhecimento, decidindo assim estudar medicina.
Ingressou em 1873 na University of Vienna. Tendo demorado oito anos para se formar. Especializou-se em biologia. Mudou para a fisiologia e realizou um trabalho sobre a espinha dorsal do peixe, passando seis anos debruçado sobre o microscópio no instituto fisiológico. Durante esses anos na universidade, Sigmund Freud realizou experiências com cocaína, que naquela época não era uma substância proibida. Ele próprio fez uso da droga tendo introduzido a substância na prática médica. Ficou entusiasmado com o seu efeito e disse que a droga amenizava a sua depressão e a indigestão crónica de que sofria. Carl Koller, um dos colegas médicos de Freud, depois de ouvir sem querer uma conversa em que ele falava da droga, conduziu a própria pesquisa e descobriu a possibilidade do uso da cocaína como anestésico para o olho humano, facilitando, assim, os procedimentos cirúrgicos para o tratamento dos distúrbios oculares.
Sigmund Freud queria continuar a pesquisa científica no entanto Ernst Brucke, o professor da escola de medicina e director do instituto fisiológico onde ele trabalhava, desencorajou-o por razões económicas. Sabendo que Brucke estava certo, decidiu realizar os exames de medicina e começar a atender pacientes particulares para melhorar as suas condições financeiras. Recebeu o título de doutor em medicina em 1881 e começou a trabalhar como neurologista.
No dia 15 de Outubro Sigmund Freud fez uma conferência sobre a histeria masculina na Sociedade dos Médicos. Em 1887, um mês depois do nascimento de sua filha Mathilde (Hollitscher), Sigmund Freud conheceu Wilhelm Fliess, brilhante médico judeu que fazia pesquisas sobre a fisiologia e a sexualidade.
Sigmund Freud começa a utilizar os meios de que dispunha, a electroterapia de W.H. Erb, a hipnose e a sugestão.
Freud distinguiu três níveis de consciência:
- Consciente;
- Sub-consciente;
- Inconsciente;
No entanto, o ponto nuclear da abordagem psicanalítica de Freud é a convicção da existência do inconsciente como um receptáculo de lembranças traumáticas reprimidas e um reservatório de impulsos que constituem fonte de ansiedade, por serem socialmente ou eticamente inaceitáveis para o indivíduo.
A perspectiva psicanalítica de Freud surgiu no início do século XX, dando especial importância às forças inconscientes que motivam o comportamento humano. Freud, baseado na sua experiência clínica, acreditava que a fonte das perturbações emocionais residia nas experiências traumáticas reprimidas nos primeiros anos de vida. Freud acreditava que a personalidade se forma nos primeiros anos de vida, quando as crianças lidam com os conflitos entre os impulsos biológicos inatos, ligados às pulsões, e as exigências da sociedade.
Considerou que estes conflitos ocorrem numa sequência de fases baseadas no desenvolvimento psicossexual, no qual a gratificação se desloca de uma zona do corpo para outra – da zona oral para a anal e depois para a zona genital. Em cada fase, o comportamento, que é a principal fonte de gratificação, muda – da alimentação para a eliminação e, eventualmente, para a actividade sexual.
Das cinco fases do desenvolvimento da personalidade, Freud considerou as três primeiras - relativas aos primeiros anos de vida – como sendo cruciais.
Freud propôs ainda três instâncias da personalidade: o id, o ego e o superego.
Freud estava especialmente interessado na dinâmica destas três partes da mente. Argumentou que essa relação é influenciada por factores ou energias inatas, que chamou de pulsões. Freud também acreditava que a líbido se desenvolvia nos indivíduos através de investimentos objectam, ou trocas com objectos. Argumentava que os humanos nascem "polimorficamente perversos", no sentido de que uma grande variedade de objectos possa ser uma fonte de prazer. O desenvolvimento psicossexual ocorreria em etapas, de acordo com a área na qual a libido está mais concentrada: a etapa; a etapa anal; e a etapa fálica.
Freud morre em Londres em Setembro de 1939, deixando estes importantes contributos para a psicologia, sendo no entanto bastaste criticado por diversos outros autores, como por exemplo Karl Popper.


Margarida Rodrigues

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

[Comboio do Desenvolvimento]: I Encontro da Psicologia para Psicólogos

Hoje, vou continuar a desviar o percurso do nosso comboio do desenvolvimento psicológico, para recordar um outro acontecimento que a vida académica me ofereceu também no final do ano que passou.
Quero falar-vos do I Encontro do Psicologia Para Psicólogos, que teve lugar na Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa, dedicado ao tema “Pela Psicologia do Desenvolvimento: Criatividade e Arte”, e onde me deram o privilégio de participar. Penso que todos aqueles que lá estiveram, e foram bem mais do que se poderia esperar, concordarão que foi um sucesso!
Pela capacidade de iniciativa e organização da equipa responsável, pela escolha dos temas das várias comunicações, pelo encontro entre oradores seniors, dedicados à vida académica, e jovens psicólogos, que nos trouxeram a experiência viva de projectos de avaliação e intervenção para o desenvolvimento pessoal e social em que estão directamente envolvidos e até que já lideram.
Contudo, para mim, o sucesso deste acontecimento é particularmente importante, surpreendente e gratificante porque marca uma nova etapa da acção de um grupo de jovens adultos, que conheci ainda estudantes e que, exclusivamente com o seu trabalho, determinação e capacidade de autonomia, continuam a transformar para mais e melhor o que eles próprios já realizaram, indo sempre além do que, uns e outros, lhes fomos transmitindo e ensinando. Enfim, penso que este I Encontro promovido pelo Psicologia Para Psicólogos nos oferece um modelo de construção activa do próprio desenvolvimento psicológico, pessoal, académico e profissional, que desafia a nossa reflexão neste espaço que eles nos continuam a oferecer. “Educação é o que resta depois de se ter esquecido tudo que se aprendeu na escola” (A. Einstein), pois “O saber que não vem da experiência não é realmente saber” (L. Vygotski). Na perspectiva sócio-cultural de Vygotski e dos seus muitos seguidores actuais, a aprendizagem específica do homem, que o distingue de outras espécies animais, é sempre mediada pela relação com outros, mais competentes, que nos transmitem os conhecimentos e os instrumentos de acção que foram construídos ao longo de muitas gerações e que nos ajudam a ampliar o nosso próprio conhecimento e a regular a nossa própria acção sobre o mundo. Vejamos, por exemplo, uma criança que chega à escola ignorante das regras de cálculo numérico. Na escola, encontra a transmissão desse saber fundamental para a sua adaptação à nossa sociedade. Numa primeira fase, de aprendizagem socialmente mediada, a criança aprende as regras de cálculo, até já pode ser capaz de as reproduzir, mas só consegue utilizar esse saber para realizar uma conta qualquer, se alguém, mais competente, lhe for indicando, passo a passo, o que fazer e for avaliando se cumpriu ou não as instruções. Contudo, diz-nos Vygostski, essa aprendizagem, a educação, é uma condição necessária, mas não suficiente, para o desenvolvimento psicológico. Porquê? Porque o desenvolvimento implica um processo de internalização, de apropriação, de utilização autónoma, pelo próprio sujeito, das aprendizagens que lhe foram socialmente transmitidas e cuja utilização era socialmente regulada.
Vejamos, então, como a experiência de cálculo, gerido e regulado por outros, leva, pouco a pouco, a nossa criança a dispensar os seus tutores, fazer sozinha muitas contas e avaliar sozinha se essas contas estão certas ou erradas. Em síntese, para que o desenvolvimento da competência de cálculo numérico aconteça, a criança tem que “esquecer” a dependência dos seus tutores para gerir ela própria a sua acção, seleccionando os conhecimentos e os instrumentos necessários a cada situação e regulando, de forma autónoma, a utilização desse saber. Tal como aquela criança, também os jovens estudantes chegam à Universidade curiosos, e dependentes, do que a academia e os seus professores têm para lhes ensinar. Mas, este é apenas um tempo de aprendizagem e de experiência socialmente mediada que, cada estudante, terá sempre que adaptar, mudar, transformar, de forma autónoma, na sua própria experiência, num percurso pessoal e profissional que escolheu e que se determina a cumprir.    Este tem sido o percurso do Tiago Fonseca e do grupo de colegas que, em Dezembro de 2013, nos ofereceram este I Encontro do Psicologia Para Psicólogos. Espero que continuem….

Maria Stella Aguiar 

Referências Aguiar, M. S. (2007). Um olhar sobre o desenvolvimento do pensamento-consciência em Lev Vygotski. In P. Sargento dos Santos (Ed.), Temas candentes em Psicologia. Lisboa: Climepsi.             Valsiner, J. (1997). Constructing the personal through the cultural: redundant organization of psychological development. In E. Amsel & K. A. Renninger, Change and development. Issues of theory, method and application (pp. 27-42). New Jersey: Erlbaum.  Vygotski, L. S. (1996). Aprendizagem e desenvolvimento. Revista de Educação, Vol. I, pp. 137-144.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

10 Anos do Facebook


Hoje o facebook faz 10 anos.
Coisas boas, coisas más, os estudos multiplicam-se e cada vez mais, a psicologia identifica vantagens da sua utilização e, por outro lado, de forma muito marcada, desvantagens claras do seu abuso.
A vida diária passa agora, em parte, pelo facebook, seja a agenda, o calendário de aniversários ou mesmo o diário. Mas se estas são algumas questões mais banais, que se não forem feitas em papel, têm o seu propósito feito online, algumas existem que não serão, assim, tão adaptativas.
Comunicação.
Esta, que deixou de ser pessoal, ocorre no facebook e é a forma mais usual de comunicação e de relacionamento entre as pessoas. A definição de “inter-pessoal”, que abarca a comunicação entre duas ou mais pessoas, fica limitada por este tipo de comunicação que não promove a regulação emocional e a comunicação adequada que os seres humanos devem saber realizar.
Será, certamente, ao longo desta década que agora entra, um tema central no que diz respeito à psicologia da criança.
No entanto, e apesar de tudo, parabéns facebook.


Tiago A. G. Fonseca

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

[Comboio do Desenvolvimento]: Madiba, um exemplar moral


Permitam que hoje desvie, de novo, o percurso do nosso comboio do desenvolvimento psicológico para recordar um acontecimento que a vida académica me ofereceu no final do ano que passou.
Conduzida por uma dessas insondáveis leis do acaso, fui chamada a apresentar o livro de Jorge Ferreira, que questiona O que nos leva a ser morais?, precisamente na semana em que, na África da minha infância, e também do autor, e em todo o nosso mundo, se celebrava esse exemplar moral que foi Madiba. Coincidência surpreendente? Talvez. Seja o que for, acredito que é certamente um sinal da actualidade da temática que este livro nos propõe. Um mundo, representado pela multidão dos seus governantes, que se desloca à África do Sul para celebrar a memória de Nelson Mandela, é certamente um mundo que busca o desenvolvimento moral.
Mas, o que procuramos, de facto, no percurso de vida e de conduta deste e de outros homens que recordamos como moralmente exemplares? A leitura de Jorge Ferreira ajuda-nos a responder:
“A construção de uma identidade moral é uma condição necessária, mas não suficiente para que o individuo se sinta fortemente motivado para agir de forma moral. Para isso, é também necessário que o indivíduo estabeleça um compromisso psicológico com os conteúdos ou princípios morais que definiu para a sua identidade, um compromisso com o self” (p.185).

Como o autor nos diz, penso que em exemplares morais como Madiba, procuramos precisamente esse compromisso com o self, esse sentido de auto-consistência, de integridade psicológica e moral que, nas situações de conflito social mais dramáticas, os defende de opções egocêntricas, pragmáticas e socialmente convenientes e os motiva a regularem a sua conduta pela fidelidade a uma ideologia ética orientada para princípios morais. Freitas do Amaral, no prefácio à excelente obra de um especialista português sobre a História recente da África do Sul (Pina, 2012) expressa precisamente esta ideia de Madiba:
“Então, qual foi a coragem específica de Nelson Mandela, que o transformou na grande figura histórica do seu país e do mundo? Foi…a coragem do respeito pelo próximo, da renúncia à vingança e da vontade de reconciliação nacional. Depois de 27 anos na prisão, que grande exemplo, o seu!” (p.19).

Os investigadores do desenvolvimento moral confrontam-nos então com a questão da acrasia, essa inconsistência frequente entre o pensamento e a acção moral que marca a conduta das pessoas que somos e que se esbate, de forma surpreendente, nas pessoas que pressentimos moralmente exemplares. É verdade que, de um ponto de vista filosófico, epistémico, o conhecimento do bem induz o exercício do bem, pois a conduta moral é necessariamente controlada pelo conhecimento de um conjunto de normas e princípios, relativamente universais, que regulam a vida social, designadamente o princípio de justiça entre direitos e deveres das pessoas. Contudo, do ponto de vista psicológico, esse conhecimento do bem é apenas um componente de regulação da acção moral, entre outros, pois todos nos damos conta como é fácil praticar o bem em certas situações e não em outras, onde o interesse pessoal, ou a pressão social, ou muitas outras razões nos conduzem à prática de acções que sabemos, conscientemente, imorais. Convido então os meus leitores a descobrirem como esta questão da acrasia levou Jorge Ferreira e outros investigadores do desenvolvimento moral a procurarem captar e compreender as diferenças individuais na motivação para a acção moral.  
Como muitos já o afirmaram, acredito que os tempos que vivemos são, de facto, tempos de crise moral no mundo ocidental. Uma vez mais na História dos homens e das sociedades, vivemos orientados para a felicidade, para o sucesso, para o pragmatismo e utilidade imediata, enfim, para um sentido de conveniência pessoal e social que é frequentemente imoral. Mas, tanto a conceptualização do desenvolvimento psicológico, como o percurso de vida de exemplares morais como Madiba, levam-nos a acreditar que as “crises” são sempre oportunidades de mudança e que essa mudança pode sempre resultar em desenvolvimento psicológico, social e moral.
Para isso acontecer, acredito na educação, na transmissão de conhecimentos e de instrumentos de ação que ampliam o nosso conhecimento e o nosso poder sobre o mundo e promovem o nosso desenvolvimento pessoal e social (Vygotski, 1978). Aliás, contam os biógrafos que o também Nelson Mandela afirmava que: "A educação é a arma mais forte que se pode utilizar para mudar o mundo".
Se assim for, tanto a investigação da psicologia moral, como a memória  daqueles que reconhecemos modelos morais poderão constituir instrumentos de educação contra a “crise” que vivemos e contra muitas outras ”crises” que marcam e que virão a marcar o percurso de vida de cada um de nós e da sociedade que cada dia construímos.     

M. Stella Aguiar

Referências
Ferreira, J. (2013). O que nos leva a ser morais? A psicologia da motivação moral. Lisboa: Climepsi.
Pina, R. C. (2012). África do Sul. A difícil transição. Lisboa: Fronteira do Caos.
Vygotski, L. S. (1978). Mind in society. The development of higher psychological processes. Cambridge, UK: Harvard University Press

domingo, 26 de janeiro de 2014

[Psicriancices]: Trabalhar as Emoções na Terapia da Ansiedade

ACTIVIDADES NA TERAPIA DA ANSIEDADE – Trabalhar as Emoções

A consciência emocional refere-se à capacidade de perceber, identificar e dar nome aos próprios sentimentos e emoções, assim como os demais.

Dicionário das emoções: Criar um dicionário de emoções é uma óptima forma das crianças aprenderem a distinguir e a nomear as emoções. Uma forma de fazer um dicionário deste tipo é recortando de jornais e revistas imagens que revelem diferentes expressões emocionais. Estas imagens podem colar-se numa folha, anotando-se por baixo as emoções. A criança poderá depois levar o material para casa e mostrá-lo à família!
Material: Folhas, revistas, tesoura e cola.
Participantes: Individual mas também em grupo.

Exemplo de um “Dicionário de Emoções”

Representar os sentimentos: A representação dos sentimentos ou o “teatro dos sentimentos” é outra forma da criança diferenciar as emoções. Esta actividade funciona como uma forma de concretização do que foi aprendido na actividade anterior. Para além disso é uma actividade divertida que as crianças gostam muito de fazer! Nesta actividade o objectivo é representar com a criança diferentes tipos de expressão física das emoções, alternando nos papéis de actor e adivinho.
Material: Cartões com os sentimentos escritos ou representados por uma imagem.
Participantes: Individual mas também.

Exemplo de cartões de sentimentos

O que mexe com as minhas emoções: Termos consciência das nossas emoções dominantes é importante para nos conhecermos e reagirmos a estados sentimentais, quando necessário. Por exemplo, um passo importante para lidarmos com os estados emocionais negativos, é termos consciência deles e das situações que os provocam. Nesta actividade pretende-se encorajar cada jovem a explicar o que acontece em relação aos seus sentimentos em determinadas situações críticas, e até que ponto esses sentimentos lhe são vantajosos ou, pelo contrário, prejudiciais. Começa-se por listar todos os sentimentos que os jovens se consigam lembrar, fazendo corresponder situações que lhes desencadeiam esses sentimentos. Posteriormente, são dadas 16 circunferências em papel representando pedaços de tempo (8 circunferências maiores – 4 vermelhas e 4 azuis - e as outras 8 com metade do diâmetro destas - 4 vermelhas e 4 azuis). Cada jovem vai reflectir sobre os estados emocionais que os acompanham com maior frequência, distribuindo as circunferências pelos diversos sentimentos listados: sempre que sentirem essa emoção como negativa para eles colocam o tempo a vermelho; se, pelo contrário, lhes for uma emoção agradável colocam o tempo a azul. A escolha da dimensão da circunferência, maior ou menor, depende do peso que cada jovem sente que aquela emoção tem nele. É dado um momento para a discussão sobre a distribuição do tempo (por exemplo, quais as emoções positivas/negativas com mais tempo, quais as emoções positivas/negativas com menos tempo etc.).
Material: Folhas e 16 circunferências em papel representando pedaços de tempo (8 circunferências maiores – 4 vermelhas e 4 azuis - e as outras 8 com metade do diâmetro destas - 4 vermelhas e 4 azuis).
Participantes: Individual mas também em grupo.

Exemplo de uma ficha par a actividade “O que mexe com as minhas emoções”


Teresa Marques
Vanessa Russo

As actividades “Dicionário de Emoções” e “ Representar os sentimentos” foram retiradas do livro – Kendall, P., Hedtke, K. A. (2011). O Caderno do Gato Habilidoso. Lisboa: Coisas de ler. A actividade “O que mexe com as minhas emoções” foi retirada do livro - Canha, L. N.; Neves, S. M. (sd) Promoção de Competências Pessoais e Sociais Desenvolvimento de um Modelo Adaptado a Crianças e Jovens com Deficiência - Manual Prático. Odemira: Associação de Paralisia Cerebral de Odemira.