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segunda-feira, 8 de julho de 2013

[Psicologia e Política]: Lei da Co-adopção


Deixo-vos hoje, nesta rubrica, o tema mais recente que engloba estas duas vertentes: a Política, na vertente do que a sociedade pensa e age como lei de funcionamento pessoal e interpessoal, e a Psicologia, a relevância da aplicação politica para o próprio nas suas relações pessoais e com os outros.
            A nova lei da co-adopção por casais homossexuais foi bastante badalada. E como poderia não ser? Não se trata - apenas - de bom senso ou ideal. Trata-se da alteração psicológica de uma cultura, numa evolução em determinado sentido, que impele a mudança de percepção para este tema.
            Numa próxima publicação, irei descrever algumas das questões às quais o nosso Exmo. Bastonário da Ordem dos Psicólogos, Prof. Doutor Telmo Baptista, respondeu na sua audição na Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias. Esta audição visava reflectir, com base nas questões colocadas pelos deputados da Assembleia da República, os factores subjacentes à errada em vigor desta lei, à luz da Psicologia. Segue o vídeo da audição.

           
Saliento a relevância dada, quase na totalidade, à criança, sendo ela o centro das questões, ao contrário do que vimos acontecer nos meios de comunicação.

            Tiago A. G. Fonseca

quinta-feira, 4 de julho de 2013

O Trabalho Mais Difícil...

E porque mudar custa, é doloroso e contraditório aos esquemas em funcionamento, o trabalho mais difícil sempre é o que se realiza em nós próprios.
A psicoterapia dá ferramentas e coopera com o próprio neste trabalho, mas não o faz por ninguém.
Além disso, a mudança mais efectiva é a que o próprio realiza em si, pelo que essa intervenção depende sempre da motivação da pessoa e da colaboração para a qual se mostra disponível.
 

Tiago A. G. Fonseca

domingo, 30 de junho de 2013

Filmes, Livros e Psicologia: Kitchen Nightmares (2007) Parte 01


            Hoje trago-vos um dos programas de maior sucesso do chef Gordon Ramsey, Kitchen Nightmares.
            Neste programa, Gordon recebe apelos de restaurantes à beira da falência e encerramento, e ajuda-os, através de um processo de mudança intensivo, físico e psicológico, a voltar ao negócio como outrora era. Para isso, são muitos obstáculos a enfrentar, desde falta de motivação, pessoas em negação, violência, má gestão, inaptidão ou incapacidade habilidosa para o efeito, ou mesmo problemas relacionais interpessoais. É sobre este último que hoje falo.
            Mas não quero fazer uma grande análise. Penso que será mais furtuito se cada um procurar um episódio e ver por si.
            Em cada um, é possível desvendar problemas relacionais que muitas vezes são o foco das dificuldades no trabalho, e que impossibilitam o sucesso. Discussões que geram discussões, que reforçam mal entendidos até serem verdades absolutas. Alguns episódios, verdadeiros oásis para terapeutas de base sistémica.
            A retirar daqui a importância das relações interpessoais na nossa vida pessoal e colectiva, que muitas vezes são descuradas, levando a consequências que podem apenas ser notórias em extremo.
            Mostra também a dificuldade de manter relações obrigatórias saudáveis no trabalho, obrigando a um cuidado muito maior do que estas já obrigam. Estamos a falar de restaurantes que na sua maioria são familiares, onde irmãos e esposas, cunhados e sogros, filhos e primos trabalham juntos, partilhando relações obrigatórias familiares com relações profissionais de obrigações hierárquicas. Sensíveis e delicadas, estas relações devem ser cuidadas e tidas como vulneráveis nestes meios. Principalmente, voltando ao restaurante, estando a família toda a trabalhar no mesmo local, este será o seu único sustento.

            Tiago A. G. Fonseca

terça-feira, 4 de junho de 2013

Evento: Traçar o Risco, Desenhar o Bem-estar

O Psicologia Para Psicólogos juntou-se aos estudantes da unidade curricular de Adaptação e Prevenção de Risco para trazer o Seminário: Traçar o Risco, Desenhar o Bem-estar - Implicações para a Psicologia Educacional.

Dias 7 e 8 de Junho, das 9h às 18h e das 9h às 13h, respectivamente, na Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa.

(Carrega na imagem para a veres em tamanho real)

Contamos com a tua presença!

Tiago A. G. Fonseca

domingo, 26 de maio de 2013

Evento: À Descoberta - Seminário


O Psicologia Para Psicólogos juntou-se ao Núcleo de Psicologia Clínica Sistémica da Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa que nos trás o seu Seminário: À Descoberta.

O seminário conta com um convidado especial, o Professor Doutor Eduardo Sá. Entrada gratuita!

Dia 31 de Maio, das 9h às 17:30h, no Anfiteatro I da Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa.

(Carrega na imagem para a veres em tamanho real)

Vem conhecer melhor o que o Núcleo de Psicologia Clínica Sistémica da Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa tem para te oferecer.
Contamos com a tua presença!

Tiago A. G. Fonseca

domingo, 19 de maio de 2013

Clubismo ou Identificação ao Rótulo?

            E estou eu agora aqui, pouco depois de terminar o jogo do meu SL Benfica, cabisbaixo com a conclusão da época, a ver os comentários e mensagens – nenhuma de apoio, para o caso de estarem a interrogarem-se – e surge-me um pensamento. Uns festejam mais do que outros, da mesma forma que uns ficam mais tristes do que outros. Pegando nas recções dos mais extremistas, o que as motiva? Esta é uma reflexão simples e rápida.

            Existe, em todos os rótulos que associamos a nós - sejam equipas, partidos, a identificação ao curso, seja o que for - um sentimento de pertença. Este sentimento cria várias regras de conduta, desde a sua defesa, como a sua promoção, a responsabilidade de a carregar e a partilha dos seus ganhos e perdas. Identificamo-nos com esses rótulos. Dizemos “Eu sou disto”, “Eu sou daquilo”, e a responsabilidade de pertença aumenta. Vivemos os rótulos que usamos de tal forma, que não percebemos, por vezes, outros problemas e dificuldades, bem reais, mais importantes, que estão à nossa volta. Alguns causados pelos próprios rótulos. Outros também, faça-se justiça, resolvidos por eles.
            É também, assim, um escape ao dia-a-dia. Usamo-los como forma de distracção da rotina, e acabam por ser algo que nos potencia em termos vivenciais, possibilitando experiências boas e más.

            Porque se criam tantas reacções? Porque estes rótulos contêm facilitadores de emoções, umas melhores do que outras, umas mais adaptativas do que outras. O que é certo é que estas existem e nos fazem viver o rótulo todos os dias, sejam clubes, partidos ou a identificação com o curso, de forma pessoal, idiossincrática e subjectiva.

            Tiago A. G. Fonseca

terça-feira, 14 de maio de 2013

[Psicologia e Política]: Solidariedade na Comunidade


Ontem à noite o Professor Marcelo Rebelo de Sousa falou de algo que achei curioso. Referiu-se aos gestos simbólicos de homenagem aos outros, como quando as suas aulas eram interrompidas para reunião de cientifico quando era jubilado algum docente, ou como referiu no tema central desse comentário, o facto de a Queima das Fitas do Porto não ter sido interrompida com a morte do estudante.
Tirou, o Professor, como conclusão, que os pequenos gestos como estes se estavam a perder, dizendo que a solidariedade entre as pessoas está a diminuir.
O que leva a esta quebra? Será o desvalorizar do ser humano? A azáfama da sociedade que não permite quebras temporais? Ou a falta de pensamento de que alguém poderia achar qualquer um destes actos importante? Penso que será um pouco de todas, com especial incidência na última, o que me parece mais preocupante.

Mas nem tudo é assim. Assistimos nos dias de hoje a um crescente de ajuda entre as pessoas, de actos de solidariedade que ajudam várias famílias e à vontade de uma sociedade em desenvolver os esforços necessários para nunca abandonar os seus. Isto é, a solidariedade pelo ser humano, pela esperança do novo dia, e pelo poio ao outro, que presta a cada um a sua própria esperança de um mundo melhor.

Encontramos assim dois tipos de solidariedade. Um a decrescer, como são os gestos simbólicos de homenagem, apoio, auxilio a alguém, de forma indirecta; e outro a crescer, como são os gestos de contributo e ajuda, de forma directa a alguém. O primeiro ligado a uma base psicológica de importância, papel e estatuto social, e o segundo ligado ao que é a manutenção física e psicológica de alguém, no sentido da sua sustentação “sobrevivencial”.
Este segundo tipo, onde a comunidade actua na própria comunidade, representa um equilíbrio entre a generosidade da esperança e o egocentrismo do desespero, onde não faz sentido, a quem ajuda, a falta de esperança, mas que se guia, sempre de forma não consciente, por uma motivação proveniente do que é o sentimento de desespero que o impele a agir.

De qualquer forma, e concluindo, o segundo tipo de solidariedade é o que nos faz pessoas. É o que nos torna dignos de sermos comunidade e é algo que nunca deve ser perdido, pois quando a tendência motivacional a ajudar o próximo deixar de existir, aquilo que nos faz ser pessoa também desaparece.
Contudo, e indo ao encontro do que disse o Professor, o primeiro tipo é o que possibilita a identificação social, criando pequenos costumes e hábitos que criam laços entre as diferentes comunidades, nos seus costumes e formas de homenagear as suas pessoas.

Tiago A. G. Fonseca

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Psicólogos Envolvidos em Montanha-Russa


            A “Smiler” é a nova atracção do parque de diversões britânico “The Staffordshire”, e custou mais de 21 milhões euros, conseguindo um recorde de 14 "loopings", alternados com uma velocidade de 85 Kms/hora e descidas de 30 metros.
            Como podem perceber, é algo repleto de estímulos activadores do funcionamento humano, físico e psicológico.

            E não é por acaso. Esta nova diversão foi concebida com a ajuda de vários investigadores, onde foram incluídos especialistas em psicólogos. Segundo os criadores, a tarefa destes especialistas era simples: criar efeitos psicológicos nos utilizadores, "esbatendo a linha entre a ilusão e a realidade". Acrescentam que  "Há cinco efeitos mentais distintos, todos concebidos para baralhar o cérebro".

            Fica a notícia com um vídeo, simulando uma viagem no “Smiler”.

            Que vos parece?

Tiago A. G. Fonseca

terça-feira, 7 de maio de 2013

Evento: Psicologia e Educação convidam... a SEXOLOGIA


            A Associação de Estudantes da Faculdade de Psicologia e do Instituto de Educação da Universidade de Lisboa, em parceria com o Psicologia Para Psicólogos, trás de volta o Círculo de Tertúlias à Faculdade de Psicologia e do Instituto de Educação da Universidade de Lisboa!

Para esta "Psicologia e Educação convidam... a SEXOLOGIA", os convidados são a Drª Marta Crawford e a Drª Patrícia Pascoal.

Dia 17 de Maio, pelas 15h, no Anfiteatro I da Faculdade de Psicologia e do Instituto de Educação da Universidade de Lisboa.

(Carrega na imagem para a veres em tamanho real)
 
Vem participar numa conversa que vai ser muito interessante.
Contamos com a tua presença!

Tiago A. G. Fonseca

segunda-feira, 29 de abril de 2013

[Psicologia e Política]: Percepção do 25 de Abril de 1974

            Não sou da geração que viveu este dia, mas sou da geração que se preocupa com ele. Porquê? Porque existiu um conjunto de valores que foram sendo passados de geração em geração, de pessoa para pessoa, até me chegar a mim e que, depois, fizeram sentido e foram integrados como informação válida a ser utilizada.
Mas a questão que fica é: Como é que pessoas que não viveram o acontecimento, podem ser tão entusiastas da mesma? Isto é, como é que a nossa base psicológica nos permite acreditar em algo não experienciado por nós?

A isto chamamos de Cultura.
Outras teorias, como a de Jung, chamariam, à causa deste acontecimento, uma acção do Inconsciente Colectivo. Isto é, um conjunto de práticas, de saberes, de tradições e costumes, que são passados entre pessoas. Estas informações, a fazerem sentido e sendo úteis, para a acção ou compreensão da realidade, transformam-se em verdades universais de determinada população. Assim justificamos o significado dos feriados e seus motivos, ou as consequências positivas e negativas de determinados acontecimentos.

Tiago A. G. Fonseca

domingo, 21 de abril de 2013

Paranóico e o Neurótico: Traços


            A imagem que vos trago hoje brinca com o proverbio português – “Para bom entendedor, meia palavra basta” – referindo-se ao Paranóico como alguém a quem lhe basta meia informação também.
 
            Nesta onda de humor é possível retirar uma verdade: com meia informação, o paranóico cria a sua realidade. Por outro lado, o Neurótico tem dificuldade em criar essa realidade, mesmo que tenho toda a informação necessária e ainda mais um bocado.

            Agora vamos à parte curiosa desta questão.
            Pensem quantas vezes criamos a história através de parte da informação total. Ou quantas vezes não acreditamos em algo quando sabemos mais do que o total. Significa que somos neuróticos? Ou paranóicos? Poderá, efectivamente, significar. Mas não será o caso.
            Todos temos traços de Paranóia e/ou de Neuroticismo. Diria até que todos temos traços de tudo. Todos agimos, em certo momento da nossa vida, de acordo com os traços que temos, manifestando o que a bíblia das psicopatologias – DSM – chamaria de Psicopatologia de forma efectiva, visto que todos ou a maioria dos sintomas estão lá.
            Mas a verdade é que não somos Paranóicos ou Neuróticos por manifestarmos, por vezes, os seus sintomas. É normal, em certos momentos e situações, manifestarmos maior paranóia, maior neuroticismo, maior tristeza ou maior furor, sem ser paranóico ou neurótico, sem estar em depressão ou ser maníaco.
            Nós somos compostos por traços. Não por totais psicopatológicos.

            Tiago A. G. Fonseca

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Filmes, Livros e Psicologia: Elefante (2003)


O primeiro filme que quero partilhar convosco é um dos meus favoritos, pela qualidade do filme e da sua realização, mas principalmente pela mensagem, pela história e pelo que representa.

Elefante” (2003) ("Elephant" – Título original) conta a história do dia-a-dia de uma escola, focando dois colegas, vítimas de bullying, e todo o percurso que culminou em massacre. O Massacre do Columbine.
Nesta história, podemos assistir às devastadoras consequências do bullying, dos seus intervenientes e histórias, dos momentos de partilha e compaixão, da culpa à pena interior, da resposta passiva-agressiva dos cuidadores à alienação dos pares.
É um tema que sempre foi – e continua – tido como algo menor do que realmente é, e é bem premente nas consequências que assume. Alan Clarke, em 1989, realizou um documentário, sobre a realidade nas escolas, com o mesmo título. Diz ele que escolheu o título devido ao tema ser "tão facilmente ignorável quanto um elefante na sala de estar". Fica a mensagem!

Tiago A. G. Fonseca

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Brincar às Casinhas


            A imagem a baixo representa uma verdade universal.

As crianças vêm, as crianças fazem.

 
            Apesar da universalidade desta premissa, os educadores muitas vezes não o percebem. A responsabilidade de educar é enorme. Educar representa os comportamentos, pensamentos e emoções que são adquiridos, alterados e promotores de mudança em alguém, através do conhecimento adquirido em determinada situação, com determinada motivação e percepção.
No dia-a-dia, na nossa agência pessoal e interpessoal, estamos a educar. E, não sendo constantemente conscientes do que nos rodeia, muitas vezes não percebemos o impacto que a observação directa e/ou indirecta dos nossos comportamentos têm nos outros.
            As aprendizagens passam, mesmo sem aprendizagem directiva. Não é necessário falar-se directamente para uma criança. Ela irá criar a sua interpretação e irá realizar a sua reprodução da aprendizagem.
            Em suma, nem sempre se educa como seria necessário, coerente, desejável e interessante. Muitas das nossas aprendizagens não nos servem adaptativamente, e outras, pelo contrário, terão de ser esquecidas ou resolvidas.

            Educar adaptativamente as crianças para que sejam adultos adaptados. Terá sempre, sempre, de ser este o lema.

Tiago A. G. Fonseca

domingo, 7 de abril de 2013

Motivações para a Psicologia: Conclusão


            Esta é a publicação que fecha a sequência das mesmas em torno das motivações que cada um tem para a Psicologia.
            O que podemos retirar, em suma, destas publicações?

            Uma coisa é certa: cada pessoa, na sua idiossincrasia, tem as suas motivações. Todas possuem motivações diversas, assentes em histórias de vida diferentes, que lhes conferem experiências significativas para a sua escolha. São estas diferenças que fazem de cada o que são, e o que serão enquanto psicólogos, reconhecendo sempre que as motivações de cada um, devem ser encaradas como válidas nessa escolha.

            É uma escolha difícil. Ser Psicólogo deve ser encarado como algo de extrema responsabilidade, não estivéssemos a falar de pessoas que lidam com pessoas. Assim, é base de pensamento que as motivações de cada um são fruto da reflexão individual, sabendo causa e consequências. Não é nunca tomada de ânimo leve.

            Que as motivações de cada um os leve a escolher o melhor caminho, no sentido de uma motivação consciente e sincera consigo próprio, e por consequente, com os outros.

            Tiago A. G. Fonseca

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Evolução do Conhecimento do Homem


            Apesar do falecimento aos 39 anos de idade, Blaise Pascal, matemático e filósofo francês do séc. XVII, é autor de uma das frases mais icónicas das teorias da aprendizagem humana. Deixo-vos o seu pensamento.

"Ninguém é tão ignorante que não tenha algo a ensinar,
e ninguém é tão sábio que não tenha algo a aprender."

            Ao observar de forma cuidada esta reflexão podemos assumir que ela surge da conclusão de uma grande e importante etapa de vida do seu proclamador. A constatação desta reflexão demonstra um dos grandes princípios da psicologia desde a sua origem, no que diz respeito à aprendizagem. O Homem é um ser em constante mudança e evolução, dependendo esta essencialmente de dois polos de acção: o que aprende, e por isso se aperfeiçoa, cria e evolui; e o que ensina, e por isso transmite, partilha e apreende.
Nunca ninguém estará vazio de conhecimento que não possua algo a transmitir, pelo que nunca ninguém será tão ignorante que não posso ensinar algo a outro.
Nunca ninguém estará cheio de conhecimento que poderá não assimilar algo, pelo que nunca ninguém será tão sapiente a ponto de não poder adquirir conhecimento.
O conhecimento de um é a lacuna ignorante de outro. A aprendizagem é nula quando o ignorante ou o sábio se acham como tal. Aqui, a evolução pára, pois a aquisição de conhecimento ou a sua partilha, não tem lugar.

Tiago A. G. Fonseca

segunda-feira, 1 de abril de 2013

[Psicologia e Política]: Tradições

Quero trazer-vos hoje um tema sempre actual. Tradições Culturais.

            Todas as culturas as têm, mais ou menos carregadas, com mais ou menos impacto social, com mais ou menos identificação cultural, mas é certo que elas são parte integrante de cada pessoa, integrada na cultura a que pertence, definindo-a e distinguindo-a entre sociedades.
            A imagem seguinte mostra uma tradição de grande história em Portugal, comparando a sua imagem de marca “tradição” com outras presentes num passado.

 


            Antes de mais quero esclarecer que não importa aqui a minha posição face às tradições mencionadas. Importa levantar algumas questões psicológicas que interferem na nossa posição face a essas tradições.

            Sabe-se que desde sempre existiu necessidade de passar às gerações seguintes o conhecimento das gerações anteriores. Isto acontece devido à noção da mortalidade do Homem, e faz-se através da realização de actividades que promovam a identificação dos povos. Com estas práticas, os conhecimentos e costumes de uma sociedade são transmitidos, e é assegurada a continuidade de uma tradição, de uma cultura, de uma sociedade. Podemos dizer que será tão mais duradoura uma população, quanto mais tempo souber preservar as suas tradições, os seus costumes e a sua cultura.

            Com o avançar do tempo surgiu uma questão moral associada às tradições: algumas delas têm impacto directo nas diferentes opiniões da população, dentro de uma mesma cultura.
            A associação directa a este fenómeno tem a ver com o avançar dos tempos e a disponibilidade da informação a todos elementos de uma população, que cria algo impensável há muitos, muitos anos: dentro de uma mesma população, com uma mesma cultura, existem diferentes opiniões, que se reflectem em diferentes visões de uma mesma tradição.
            O que é motivo de orgulho para uns, não é para outros. O que é alvo de identificação para uns, não o é para outros.

            Mas então, o que acontece em termos psicológicos? O que leva a mudanças nas tradições? O que leva à sua manutenção?
O que deve ser ponderado é o que pesa mais na nossa opinião. O que é de mais fácil aceitação. O que nos trás mais motivos de orgulho no que somos e no que pertencemos. O que nos dá mais momentos prazerosos.
Muitas das vezes, o que pesa nestas premissas é o hábito e o medo de mudança, e não a actividade em si. Como será se for diferente?
Outra dificuldade é na visualização da possibilidade. Dá para ser diferente?

Importa agora pensar que tradições queremos – e devemos – passar Às futuras gerações. Este pensamento é demonstrado quando vemos as outras tradições apresentadas na imagem. Umas desaparecem, outras modificam-se e outras mantêm-se.

O esquema psicológico onde nos movemos diariamente é o mais fácil. Mudar custa. Sejam tradições, sejam simples comportamentos idiossincráticos, que de simples, pouco têm.
Existem vários tipos de elos que nos unem enquanto pessoas de uma mesma sociedade, enquanto pessoas de uma mesma cultura, de uma mesma população. Somos da mesma vila, da mesma cidade, do mesmo país, falamos a mesma língua, temos a mesma formação, somos do mesmo clube. As actividades tradicionais unem estes grupos e dão-lhes – mais e maior – significado.

Tiago A. G. Fonseca

terça-feira, 19 de março de 2013

Prenda Emocional!?


Remeto as considerações sobre a existência do Dia do Pai para a publicação sobre o Diada Mulher, sendo que na minha opinião, são diferentes. Este segundo remete ao estereótipo antigo, já discutido na dita publicação. O primeiro, existe em paralelo com o Dia da Mãe. Podemos dizer que são “dias” comemorativos criados pelo e para o comércio, mas a comemoração dos dois inibe a criação e manutenção do estereotipo de um deles.

Assim, gostava apenas de reflectir convosco sobre esta imagem, relativa ao Dia do Pai, mas com uma mensagem maior, parece-me.

 
Vivemos todos numa sociedade consumista, onde muitos dos valores que nos são transmitidos socialmente passam pela aquisição e atribuição material, como é o caso da troca de prendas no Natal, as prendas de aniversário e destes dias comemorativos (etc).

O valor do beijo e do abraço perde força quando comparados com uma prenda material? Ou serão estas representações emocionais mais fortes e memoráveis? Penso que a sociedade se arraste e posicione no sentido da memória ligada ao material, e noutros nichos, ligação ao emocional revelado no gesto e/ou na intenção. As duas são encontradas, sendo a segunda mais adaptativo em termos humanos.

É importante que nunca esqueçamos estes momentos emocionais, estes gestos e as suas implicações, que não tenhamos vergonha das ligações emocionais que nos unem a todos e que consigamos promove-las sempre de forma saudável, pois são elas que toldam e moldam a nossa regulação emocional, que, quando não é cuidada, nos transmite informação errónea sobre as nossas necessidades psicológicas, levando à sua não satisfação, e assim, à nossa não óptima adaptação e funcionalidade.

Permitam-se ser emocionais, mas façam-no de forma equilibrada e regulada!

Feliz Dia do Pai!

Tiago A. G. Fonseca

[Psicologia e Política]: Instabilidade Política 2: O Outro Lado

É importante que se perceba e esclareça que política não se resume a partidos políticos.
Política é a acção em função das pessoas, normalmente, relativo à gestão e administração de grupos populacionais, como autarquias ou estados e países. Mas desengane-se quem acha que agir para e pelos outros não é sempre política. Quando participamos numa associação, num grupo desportivo, numa instituição, e agimos no sentido da promoção dos outros, criando plataformas e condições favoráveis e de melhoramento da vivência dos outros, seja com que tipo de serviços forem, estamos a fazer política.
Aqui, e dependendo – obviamente – das intenções de cada um, estaremos a promover a nossa própria auto-estima, realizando acções que promovem algo de bom nos outros. A continuação de boas práticas promove outras, motivando quem as pratica. É importante termos objectivos e conseguir alcançá-los, mas sobretudo, pensar como os podemos alcançar. E esta é claramente uma boa forma. A esperança não desaparece quando vemos que a nossa acção faz bem nos outros, e que os outros se sentem mais esperançados e motivados na sua própria acção e vivência pelo exemplo que lhes foi prestado. Esta é a cooperação da sociedade, funcionar uns para os outros. Isto é fazer política.
Todas as variáveis que foram faladas nesta e na publicação anterior – esperança, percepção de controlo e de segurança, auto-estima e motivação – dependem da nossa percepção do quanto estamos inseridos, do quanto somos ouvidos, do quanto nos parece que algo é feito por nós quando é evocado em nosso nome. Mas nem sempre esta percepção é correcta, pois as variáveis que a influenciam são muitas.
Diria que a percepção de controlo tem aqui um papel chave. Se percebermos o que podemos influenciar no meio, se percebermos o que podemos e devemos controlar do que nos rodeia, se percebermos que devemos partilhar o controlo sobre diversas actividades e situações, conseguimos estar melhor connosco próprios, em coerência, e promover em nós bem-estar psicológico, essencial para a calma necessária à percepção correcta das outras variáveis.
Nem tudo é realidade, mas tudo são percepções.

Tiago A. G. Fonseca

sábado, 2 de março de 2013

Motivações para a Psicologia #08

Dentro da Psicologia, porquê essa área?



- Marisa Esteves, 4ºAno, Mestrado Integrado em Psicologia dos Recursos Humanos, do Trabalho e das Organizações, Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa:

Essa questão prende-se essencialmente com os objectivos pessoais de cada um, dada a multiplicidade de funções que se podem desenvolver nesta área, mas que no meu caso foi essencialmente dirigida pela vontade de compreender a importância das pessoas para a eficácia das organizações, e estar envolvida na avaliação da adequabilidade de estratégias e técnicas e implementação destas para promover a adequação profissional. Atrever-me-ia a dizer que os Psicólogos das organizações no futuro serão imprescindíveis no sentido de ajudar a adaptar os Recursos Humanos à mudança, promovendo nestes os comportamentos adequados por forma a prepará-los para lidar com a imprevisibilidade, relevando a importância do Psicólogo como elemento integrador ao nível da multidisciplinaridade na Empresa e complementaridade de papéis no trabalho de equipa com todos os profissionais.
A nível mais pessoal, devo dizer que esta área me satisfaz, na medida em que me irá permitir expressar, de forma criativa, ideias e possíveis projectos que terão efeito não só numa Organização em si, mas também no dia-a-dia de cada trabalhador, e que por sua vez se reflecte na felicidade e bem-estar de cada um.


Tiago A. G. Fonseca

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Motivações para a Psicologia #07

Dentro da Psicologia, porquê essa área?


- Sofia Santos, 4ºAno, Mestrado em Psicologia Educacional e de Orientação, Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa

Por vezes na vida somos obrigados a fazer escolhas e nem sempre reflectimos sobre elas ou então seguimos as pegadas dos outros pois, se aquela decisão foi acertada para eles também poderá ser a decisão acertada para nós.

            No entanto, quando me vi no terceiro ano e com a necessidade de escolher uma secção de especialização em Psicologia a decisão não foi assim tão difícil nem foi ao encontro da de muitas das pessoas que me foram acompanhando ao longo do percurso académico. Ao escolher a secção de Psicologia da Educação e da Orientação fi-lo por mim e por diversos motivos. Primeiro porque sinto que é uma secção onde se pode trabalhar ao longo de todo o percurso de vida e uma das minhas paixões em Psicologia é o desenvolvimento, segundo, porque de algum modo me pareceu a secção mais integrativa no sentido de não se reger por apenas uma teoria ou corrente teórica da Psicologia, indo buscar pequenas coisas de várias correntes. Além disso, a aprendizagem e o modo de aprender sempre me fascinaram, sendo que vejo que esta secção possuí muito uma vertente de olhar para a intervenção como uma aprendizagem, preocupando-se não só com o problema mas com a prevenção deste.

Tendo dito isto, e apesar de saber que não é muito explicativo, optei por esta secção pois no momento de decisão senti que era a que mais se adequava aos meus gostos, um pouco à minha personalidade e aquilo que pretendo desenvolver enquanto psicóloga, mas isso são coisas que se encontram ainda muito em fase de aprofundamento e exploração.

Sinto que no terceiro ano é útil explorar as diversas secções através do contacto com professores, colegas e indo ao encontro dos programas curriculares das diversas cadeiras de modo a que seja uma decisão fundamentada e bem equacionada.

Penso que a Psicologia é um universo demasiado vasto para que a decisão de secção seja última na decisão de toda a formação académica do psicólogo, devendo este sempre que interessado e possível aprofundar os seus conhecimentos não só na sua área mas conhecendo um pouco de tudo o que se faz em Psicologia.”


Tiago A. G. Fonseca